
Preço da carne bovina tende a subir mais em todos os principais países produtores
Wenderson Araujo/CNA
Os preços da carne bovina devem voltar a subir nos próximos meses, apontam relatórios nacionais e internacionais. Isso porque, nos três principais países produtores de carne – Brasil, Austrália e Estados Unidos – o ciclo da pecuária entra no período negativo. Isto significa que haverá um menor volume de gado gordo disponível para o abate. E, com menos gado e uma demanda mundial superaquecida, os preços devem subir significativamente em breve.
No Brasil, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já mostram que as exportações de carne bovina são maiores que a produção. Nos primeiros seis meses de 2025, o volume exportado superou em 164,1 mil toneladas os embarques registrados no mesmo período do ano passado. Nesse mesmo período, a produção de carne só aumentou 122 mil toneladas.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, indicam que, como resultado, os preços já subiram consideravelmente nos últimos 12 meses, em torno de 35%. Em nota, o relatório do Cepea informa que “os dados deixam claro que tem aumentado também a parcela das exportações no escoamento da carne produzida”.
No primeiro semestre de 2024, foram enviados ao exterior 25,1% da produção formal; nos primeiros seis meses de 2025, foram 28,7%. O Cepea reforça que o aumento ocorre também do primeiro para o segundo trimestre de 2025: de 27,4% para 29,9%, o que representa a maior participação do setor externo na história.
Pecuarista embolsa R$ 30,6 mil por tonelada de carne exportada
De acordo com o Cepea, apenas na primeira metade de agosto, as exportações de carne bovina seguiram firmes mesmo com a barreira tarifária imposta pelos Estados Unidos, o tarifaço de 50%. A média diária de embarques de carne in natura foi de 13 mil toneladas, aumento de quase 25% sobre a média observada em agosto do ano passado e 2,5% acima da de julho, mês de exportação recorde.
Caso siga nesse ritmo, as exportações de agosto devem renovar o recorde. O dólar se desvalorizou de julho para cá, mas o preço médio em dólar avançou o suficiente para manter estável o valor em Real – R$ 30.680/t carne in natura.
Ciclo da pecuária negativo
Especialistas do mercado alertam que, pela primeira vez, as três maiores potências produtoras de carne bovina (Brasil, Austrália e Estados Unidos) estão na mesma fase do ciclo pecuário. Com um rebanho ‘pronto para o abate’ menor, os pecuaristas dos três países estão retendo novilhas para recompor os rebanhos.
Nos EUA, o rebanho atingiu o menor nível em mais de 70 anos, uma consequência de seca prolongada (desde 2020), altos custos de produção e abate acelerado de vacas. Com a melhora das condições de pastagens, os pecuaristas devem iniciar um ciclo de expansão em 2026, mas esse processo depende da retenção de novilhas, o que significa menos animais disponíveis para abate no curto prazo.
No Brasil, o setor da pecuária de corte entra na transição de um ciclo positive para o negative. Nos últimos anos, o abate acelerado de animais fez aumentar a porcentagem de gado confinado, mas a tendência é de queda no rebanho e a necessidade de retenção.
Na Austrália, que é o 3º maior exportador mundial de carnes, a pecuária também está em fase de transição e os desafios são ainda maiores que os do Brasil. Após anos de seca e abate acelerado do rebanho, o país deve iniciar a retenção para repovoar o estoque. No entanto, enquanto o Brasil conta com 20% da carne vinda de animais confinados, na Austrália, este índice de é de apenas 4%.
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