
Fim do ciclo implica em menor oferta de boi gordo pronto para o abate
Saul Schramm/Secom
Resumo
Preços da carne bovina e de frango: Os preços da carne bovina no Brasil devem aumentar significativamente em 2026 devido ao fim do ciclo de alta oferta de bois. Paralelamente, os preços da carne de frango também devem subir até o fim de 2025, impulsionados pela retomada das exportações após o controle da gripe aviária.
Projeções do Itaú BBA: O Itaú BBA prevê uma queda na produção de carne bovina de 1% neste ano e uma redução ainda maior em 2026. Para a carne de frango, o banco espera um aumento nas exportações, o que pode levar a novos recordes de vendas internacionais e elevar os preços no mercado interno.
Ciclo da pecuária: O ciclo da pecuária é um fenômeno caracterizado pela flutuação dos preços do gado e da carne, influenciado pela oferta e demanda de animais para abate. Após um período de alta oferta e preços baixos, a redução no número de matrizes leva a uma futura escassez de bois para abate, resultando em uma alta dos preços.
Se os brasileiros já estão reclamando dos preços altos do café, preparem-se, pois a tendência é que a carne bovina, que vinha com preços estáveis há cerca de dois anos, voltará a subir nos próximos meses e pode ter um aumento muito significativo em 2026. Isso porque está terminando o ciclo de maior oferta de bois no mercado e a oferta, daqui pra frente, deve ser reduzida.
De acordo com o departamento de agronegócio do Itaú BBA, além da carne bovina, também devem ter preços mais altos, até o fim do ano, a carne de frango. Isso pode ocorrer porque as exportações devem ser retomadas após o encerramento do caso de gripe aviária em uma granja comercial. O Itaú prevê inclusive recordes de exportações para a carne de frango nacional até o fim de 2025.
Ciclo da pecuária: tendência de alta
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação das carnes acumula uma alta de 23% nos últimos 12 meses. "Desde agosto do ano passado, a alta do boi gordo tem sido integralmente repassada para o preço da carne, tanto no mercado interno quanto nas exportações", disse Cesar de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.
A projeção do banco é que a produção de carne vai cair 1% neste ano, já que ainda há animais no campo disponíveis para o abate, sobretudo vacas e uma entrada, no segundo semestre, de bois confinados. No entanto, esse volume de animais deve começar a cair consideravelmente em 2026, período que marca o fim do ciclo de alta oferta da pecuária. “Para o ano que vem, há uma tendência de redução na oferta de animais e alta nos preços ao consumidor”, diz.
De acordo com a projeção do Itaú, a produção de carnes também deve cair nos Estados Unidos, em torno de 2% neste ano e 4% no ano que vem. “Em 2026, quando o Brasil deverá ter oferta de gado para abate menor, os EUA também estarão com disponibilidade bastante restrita, o que reforça a expectativa de preços em elevação”, destacou o executivo.
O que é ciclo da pecuária?
O ciclo da pecuária é um fenômeno caracterizado pela flutuação dos preços do gado e da carne, com fases de baixa e de alta que se repetem de tempo em tempo. Essa flutuação é causada pela natureza da pecuária de corte, que é uma atividade de ciclo longo em que a resposta da produção a estímulos externos, como os preços recebidos, acontece de forma muito lenta.
Quando cresce a oferta de bois gordos, os preços caem, e as demais categorias como os bois magros, bezerros e matrizes também se desvalorizam. Pressionados por dificuldades financeiras, os criadores vendem mais vacas para o abate. O abate de fêmeas aumenta a oferta de carne e os preços caem ainda mais.
Com a redução do número de matrizes, fica comprometida a produção de bezerros, a reposição dos animais do rebanho de cria e a oferta futura de bois para o abate. Depois de alguns anos, a escassez de bois para abate e de novilhas para reposição das vacas descartadas força a alta dos preços, recomeçando o ciclo.
Exportações recordes de frango
Para a carne de frango, a tendência também é de alta, mas bem mais suave, já que o que deve balizar o preço são as retomadas das exportações após o caso de gripe aviária em Montenegro (RS), que levou a suspensão das importações por mais de 30 países - 24 já retomaram as compras nesta semana.
Em maio, as exportações de carne de frango brasileira caíram 13,4% e quase 22% até a segunda quinzena de junho. O que não foi exportado foi distribuído no mercado doméstico, aumentando a oferta e fazendo o preço cair. De acordo com o Itaú BBA, a inflação do frango, no período, caiu 16%, para as vendas no atacado.
A projeção do banco, porém, é que, com a retomada das exportações nas próximas semanas, o Brasil pode, inclusive, bater novos recordes de vendas internacionais, o que equilibraria a oferta no Brasil, e aumentaria os preços do produto.
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