Agroband

Preços de suínos atingem mínimas históricas com baixa demanda interna

Fraca procura no Brasil e excesso de oferta no mercado doméstico anulam impacto de exportações recordes e derrubam cotações do animal vivo e da carne

Da redação
DA REDAÇÃO

16/04/2026 • 11:03 • Atualizado em 16/04/2026 • 11:03

Pexels

Resumo

Queda dos preços do suíno vivo e da carne suína no Brasil em abril é causada pela fraca demanda doméstica, grande disponibilidade de produto e competição acirrada entre proteínas animais, mesmo com exportações em patamares recordes.

Dados do Cepea/Esalq-USP mostram que as quedas entre 7 e 14 de abril foram as mais expressivas desde 2026 para o suíno vivo e que os valores atuais são os menores em termos reais desde março de 2022 para o animal e desde maio de 2020 para a carne.

Rentabilidade do produtor está sob pressão devido à combinação de preços baixos e custos de produção elevados, enquanto especialistas apontam que a recuperação dos preços depende de uma reação consistente do consumo doméstico.

Mesmo com o registro de vendas externas em patamares recordes, os preços do suíno vivo e da carne suína enfrentam baixas históricas no mercado brasileiro neste mês de abril. A queda é impulsionada pela fraca demanda doméstica, um cenário que já vinha sendo observado em março e que se aprofundou na primeira quinzena de abril.

Compartilhar

Além da procura retraída por parte do consumidor, o setor enfrenta um mercado altamente competitivo e com grande disponibilidade de produto, o que intensifica o movimento de desvalorização em toda a cadeia produtiva.

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, as quedas registradas entre os dias 7 e 14 de abril foram as mais expressivas para o animal vivo desde o início de 2026. Esse movimento evidencia uma sobreoferta — quando há mais produto disponível do que compradores interessados — no mercado interno. Com isso, o preço do suíno vivo atingiu o menor nível real desde março de 2022, enquanto a carne suína registrou os valores mais baixos desde maio de 2020, também em termos reais.

Agentes consultados pelo Cepea relatam que a combinação de uma demanda interna enfraquecida com a alta oferta de proteína no mercado brasileiro tem forçado os frigoríficos e produtores a ajustarem seus preços para baixo. Embora o Brasil venha batendo recordes na exportação da carne suína, o volume direcionado ao mercado internacional não tem sido suficiente para aliviar o excesso de estoque dentro das fronteiras nacionais.

A competitividade entre as proteínas animais — como frango e boi — também exerce pressão sobre os preços dos suínos. Em um cenário onde o poder de compra do consumidor está atento aos custos, o mercado de carne suína precisa se tornar mais atrativo financeiramente para estimular o consumo das famílias brasileiras.

O setor produtivo observa com cautela a manutenção desse ciclo de baixas. Os valores atuais, quando corrigidos pela inflação (termos reais), mostram que a rentabilidade da atividade suinícola está sob forte pressão. A queda nos preços do animal vivo atinge diretamente o produtor, que precisa lidar com custos de produção que nem sempre acompanham a mesma velocidade de redução dos preços de venda.

Especialistas do Cepea destacam que o mercado aguarda uma reação do consumo doméstico para que os preços possam encontrar um novo ponto de equilíbrio. Até que a demanda interna apresente uma recuperação consistente, a tendência de desvalorização poderá continuar sendo o tom dominante nas principais regiões produtoras do país.