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Rede de pesquisa internacional aposta em algas marinhas como alimento

Algas marinhas poderiam substituir pescados na alimentação, sugerem cientistas

Da redação
DA REDAÇÃO

26/11/2025 • 13:02 • Atualizado em 26/11/2025 • 13:02

Algas marinhas na alimentação: você comeria?

Algas marinhas na alimentação: você comeria?

Fabiola Fogaça/Embrapa

Algas marinhas poderiam substituir os pescados na alimentação? Cientistas brasileiros e europeus dizem que sim! As algas, como um alimento, seria uma das alternativas supernutritivas para contribuir para o enfrentamento às mudanças climáticas.

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A afirmação vem de cientistas da Embrapa Agroindústria de Alimentos, do Rio de Janeiro, que estão há três anos pesquisando o uso de algas marinhas na alimentação humana. A pesquisa surgiu em um momento desafiador para o setor de alimentos, em relação ás mudanças climáticas, e ainda, de pressão dos estoques pesqueiros e a demanda por proteínas saudáveis.

De acordo com a pesquisa, as algas marinhas são uma resposta sustentável a esses desafios. Tanto na Europa quanto no Brasil, a produção desses organismos aquáticos está avançando como uma opção sustentável promissora ao pescado, impulsionada por inovações tecnológicas e uma crescente conscientização sobre os seus benefícios ambientais e nutricionais.

Elas crescem rapidamente, dispensam água doce e fertilizantes e ainda capturam carbono, ajudando a mitigar as mudanças climáticas, como explica a pesquisadora Fabíola Fogaça, coordenadora do projeto. “Além disso, são nutritivas, ricas em fibras, minerais, vitaminas e até ômega-3, compostos reconhecidos pela sua importância para a saúde humana”, complementa.

Do mar ao prato: o desafio do sabor

Apesar do potencial, as algas ainda enfrentam barreiras para ganhar espaço nos pratos do consumidor, sobretudo no Brasil. Seu sabor marcante, a coloração verde e a textura característica podem limitar a aceitação em alimentos que buscam imitar produtos de origem animal. “Nosso desafio é aprimorar essas características, desenvolvendo processos de cultivo e de transformação que resultem em ingredientes com sabor e textura agradáveis ao consumidor”, destaca Fogaça.

Um dos protótipos previstos no projeto é um “atum vegetal” em conserva, elaborado a partir da combinação de algas marinhas com outros ingredientes vegetais, ricos em proteínas e flavorizantes de alto valor biológico. A expectativa é que o produto reproduza de forma convincente o sabor, o aroma e a consistência do atum enlatado tradicional. “Estamos falando de um alimento inovador, com potencial para ser mais saudável, sem colesterol, rico em nutrientes e ao mesmo tempo sustentável”, reforça a pesquisadora.

Além da Embrapa, a pesquisa conta com a parceria de cientistas da Holanda, Portugal, Bélgica, Noruega, Suécie, Chipre e Dinamarca.

Algas sequestradoras de carbono

As vantagens da produção de algas não se restringem à mesa. Elas oferecem benefícios ambientais importantes, como a purificação da água e o sequestro de carbono, contribuindo para a recuperação de ecossistemas costeiros e para a mitigação da crise climática. Também podem abrir novas oportunidades de renda para comunidades pesqueiras, permitindo a diversificação da atividade econômica. “No Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral, temos um potencial enorme para estruturar uma cadeia produtiva de algas. Essa pode ser uma fonte de emprego, renda e inovação para agricultores familiares e comunidades costeiras”, ressalta Fogaça.

A expectativa é que, ao final do projeto, estejam disponíveis protótipos de produtos à base de algas, prontos para avaliação pela indústria de alimentos e consumidores. O crescimento global do mercado de pescados vegetais reforça a oportunidade: estima-se que o setor movimente US$ 2,5 bilhões até 2032. “Estamos diante de uma tendência mundial. O consumidor busca cada vez mais opções de proteínas sustentáveis e inovadoras, e o Brasil não pode ficar de fora dessa corrida”, conclui a pesquisadora.

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