
Retrospectiva do Agro de 2025 teve muitos temas como café, exportações e a gripe aviária
Reprodução/Agência Brasil
Resumo
O setor do agronegócio brasileiro em 2025 foi marcado por recordes de exportação e produção, grandes prejuízos causados por eventos climáticos extremos, avanços em rastreabilidade socioambiental e impactos significativos de políticas comerciais internacionais, como o tarifaço dos Estados Unidos, além de altas nos preços do café e ovos, e reconhecimento internacional de cientista brasileira.
Os preços do café atingiram níveis históricos devido à quebra de safra causada por secas e ondas de calor em grandes produtores mundiais, surgindo produtos falsificados para suprir a demanda interna, enquanto o ovo também encareceu por conta de demanda elevada, custos de insumos e impacto das exportações e da gripe aviária, que resultou em prejuízos bilionários após suspensão temporária das exportações.
A safra de grãos do ciclo 2024/2025 registrou produção recorde de 350,2 milhões de toneladas, impulsionada por soja, milho, algodão e arroz; o Brasil destacou-se ainda pela valorização de vacas da raça nelore em leilões internacionais, mortes de três touros lendários do rodeio, e a pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, recebeu o Prêmio Mundial de Alimentação pelo impacto de suas pesquisas em insumos biológicos para agricultura sustentável.
O ano de 2025 foi marcado por recordes nas exportações do agronegócio, por perdas bilionárias causadas por eventos climáticos extremos e por um avanço acelerado da agenda de rastreabilidade e conformidade socioambiental. Mais do que um balanço de safra, os números de 2025 mostram como produção, clima e regulação passaram a caminhar juntos.
Preço do café alto provocou chuva de produtos fake
O ano de 2025 foi, sem dúvida, marcado pela disparada nos preços do café, produto tradicional brasileiro e presente na rotina das famílias.
O café, tanto os de variedade arábica como os do tipo robusta, que são mais solúveis, já vinham em ritmo de alta desde 2024, mas os preços realmente impactaram o orçamento das famílias nos primeiros meses deste ano, provocando no mercado o surgimento de produtos chamados cafake – uma mistura de casca de café e sujeiras.
As razões que levaram à alta do café, que é uma commodity e tem seu preço definido em bolsa de valores, recaem sobretudo ao clima, que atingiu as lavouras dos principais países produtores como Brasil, Vietnã, Colômbia e Etiópia, nos anos de 2023 e 2024.
Essas condições climáticas provocaram queda de produtividade e, muitas vezes, devastação de lavouras – como os incêndios no interior do Brasil em julho de 2024. Com a produção mundial menor, o preço só subiu no decorrer de 2025.
Café arábica foi o mais atingido pelos preços altos
Em janeiro de 2025, os preços da saca de café de variedades arábicas (que no Brasil são produzidas em Minas Gerais e São Paulo) alcançaram estratosféricos R$ 2,3 mil. Segundo o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/USP), o valor de R$ 2.333 se estabeleceu como o maior já registrado na série histórica do principal indicador de preços para o grão.
Os preços recordes no Brasil não foram um fenômeno isolado de 2025, mas uma consequência direta de crises climáticas que afetaram a produção nos anos anteriores.
Considerando que o cafeeiro é uma planta permanente (as lavouras não precisam ser replantadas, portanto o clima do ano inteiro interfere na produção das árvores), tudo o que vinha ocorrendo nos anos anteriores motivaram as altas de preços.
Além disso, os cafezais têm uma característica fisiológica de bienalidade, ou seja, em um ano, a planta produz mais e, em outra, menos.
- Secas e Ondas de Calor: Eventos climáticos extremos registrados em 2023 e 2024 comprometeram severamente o desenvolvimento da safra 2024/2025.
- Projeção de queda em 2025: A análise da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de 2025 é pessimista. A projeção é de 51,8 milhões de sacas representa uma queda de 12,4% em relação à produção do ano anterior, intensificando a restrição de oferta.
- Estoques em nível crítico: A baixa produção e a forte exportação em 2024 resultaram em estoques internos drasticamente reduzidos, o que mantém a pressão de alta sobre o preço da commodity no mercado doméstico.
No Vietnã, por exemplo, que é o maior exportador mundial de café Robusta – variedade que, para o consumidor, é essencial na composição de blends de café coado e solúvel –, registrou uma redução de 17,2% em sua produção.
Essa quebra na oferta global intensificou a competição e a busca pelo café brasileiro, mesmo diante de sua menor disponibilidade interna. O Brasil, que atingiu um recorde de exportações em 2024, sente o efeito da demanda internacional aquecida, que eleva os valores no mercado interno.
Tarifaço impactou o setor de café, mas não aliviou o preço
Entre julho e agosto de 2025, com o anúncio do tarifaço de Donald Trump aos produtos nacional, as exportações de café brasileiro para os Estados Unidos caíram pela metade.
Isso não foi suficiente para aliviar os preços no mercado interno e agora, em novembro, com o anúncio das retiradas das sobretaxas ao café (exceto o café solúvel) as exportações tendem a aumentar pressionando mais os preços para os consumidores brasileiros.
A forte elevação do preço da matéria-prima no atacado é um indicativo de que o custo final para o consumidor deve aumentar nos próximos meses. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) previu, em setembro, que, se a recomposição dos estoques não ocorrer, o quilo do café no atacado pode atingir R$ 80.
Alívio para variedades robustas
O Brasil é o maior produtor e exportador de cafés e ainda, o país que produz cafés das duas variedades do mercado, as arábicas (Minas Gerais e São Paulo) e as robustas (Bahia, Espírito Santo e Rondônia).
A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada no dia 4 de dezembro aponta para uma colheita de 56,5 milhões de sacas de 60 quilos. Se confirmada, a safra de 2025 será a terceira maior já registrada na série histórica, atrás apenas das safras do ano de 2020 e de 2018, respectivamente. E esse aumento deve-se, principalmente, à produção de robustas.
Preço do ovo assustou consumidor
O preço do ovo no Brasil registrou uma alta significativa nos primeiros meses de 2025, impulsionado por uma convergência de fatores que incluem demanda aquecida por causa do início do período da Quaresma, oferta restrita e pressão nos custos de produção. Em algumas regiões, o preço disparou mais de 40%.
O encarecimento da proteína mais acessível do país, especialmente entre janeiro e março de 2025, é resultado direto de um desequilíbrio entre a alta procura e a dificuldade do setor avícola em acompanhar o ritmo da demanda.
Na Quaresma, os consumidores trocam o consumo de carne vermelha por proteínas de origem animal brancas – como o peixe – ou o ovo.
Outro fator que marcou o setor, em 2025, foi a alta de exportações do setor, um segmento que até então, era tímido. A crise da gripe aviária nos Estados Unidos, que obrigou o país a sacrificar milhares de aves, abriu a oportunidade para o Brasil exportar mais, o que também impactou a oferta e os preços no mercado interno.
Entre janeiro e novembro, por exemplo, o total dos embarques do setor de ovos chegou a 38.637 toneladas, um volume 135,4% maior em relação ao ano passado, com 16.414 toneladas. As exportações do setor aumentaram mais de 1000%.
Custos de produção
A produção de ovos sofreu pressão de alta em virtude de dois principais fatores operacionais e climáticos:
- Custos de Insumos: Os insumos essenciais para a alimentação das aves, como milho e farelo de soja, registraram aumentos em seus valores. O milho, em particular, é um componente crucial e sua alta de preço pressiona diretamente o custo de produção do ovo.
- Calor Extremo: O calor excessivo no Brasil prejudicou a produtividade das aves, resultando em uma menor oferta do produto no mercado. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também notou a perda de matrizes, aves mais velhas, cuja reposição leva tempo, impactando os níveis produtivos no curto prazo.
Em meados de junho, com a estabilização do consumo e oferta, o ovo voltou a ser comercializado com preços mais acessíveis. A partir de setembro, porém, a oferta começou aumentar e o preço, cair. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção de ovos em 2025 foi de 62.250 bilhões de unidades, uma alta de 7,9% em relação ao ano anterior. E o consumo per capita registrado foi de 287 ovos por habitante. No ano anterior, o brasileiro comia em média 269 ovos por ano.
Gripe aviária derruba exportações no Brasil
O primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no Brasil aconteceu em maio de 2025, exatamente dois anos depois da doença ser registrada pela primeira vez no país, em aves selvagens migratórias.
O foco, que foi rapidamente controlado, com o sacrifício de todas as aves da granja e uma rigorosa inspeção em um raio de 10 km da propriedade, no entanto, resultou na suspensão das exportações de produtos avícolas para mais de 30 países. O Brasil recuperou seu status sanitário em junho de 2025, mas a retomada total das exportações tem sido gradual e sujeita a exceções.
O foco da doença aconteceu em uma granja de aves poedeiras localizada na cidade de Montenegrp (RS). A confirmação do caso ativou o protocolo internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que permite a restrição de produtos avícolas por parceiros comerciais.
Entre os países que anunciaram a suspensão total das exportações brasileiras de carne de aves e produtos avícolas estavam grandes mercados consumidores como China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas e Argentina.
A estimativa de prejuízo mensal para o setor nacional variava entre US$ 100 milhões a US$ 200 milhões em exportações de frango e derivados. Somente para o estado do Rio Grande do Sul, onde o foco foi detectado, os prejuízos iniciais ultrapassaram US$ 47,8 milhões.
Cientista brasileira recebe o Nobel da Agricultura
A pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, tornou-se a 10ª mulher a ser laureada com o Prêmio Mundial de Alimentação - World Food Prize (WFP) -, reconhecido como o “Nobel da Agricultura”. A cerimônia aconteceu no dia 23 de outubro, nos Estados Unidos.
Concedida pela Fundação World Food Prize, a distinção celebra o impacto de 40 anos das pesquisas da cientista brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura. "Estou vivendo um sonho que jamais imaginei. Essa semana tem sido muito especial e de muita emoção.
A repercussão dessa premiação tem sido incrível: uma oportunidade de abordar a sustentabilidade da produção agricola brasileira, a nossa liderança no uso de biológicos, e mais, a importância de se investir em pesquisa", disse Mariangela, logo após a cerimônia de premiação.
Natural de São Paulo (SP), Mariangela Hungria tem uma trajetória de 43 anos na Embrapa, lotada na Embrapa Soja em Londrina, onde desenvolveu parte de suas pesquisas relacionadas ao solo e a produtividade das lavouras brasileiras.
Brasil tem as 3 vacas mais caras do mundo
O setor da pecuária de elite, que envolve animais de linhagens consideradas perfeitas e cujo material genético é utilizado para produzir animais que garantem maior eficiência à produção de carne e leite, ganhou destaque neste ano: o Brasil detém as vacas da raça nelore mais caras do mundo.
A trajetória das “milionárias” começou, de fato em 2023, quando a vaca Viatina-19 alcançou, em um leilão, o valor de R$ 21 milhões, e entrou para o Guinness Book como a mais cara do mundo. De lá para cá, outras vacas da raça ultrapassaram o valor de Viatina-19, chegando a estratosféricos R$ 54 milhões.
Veja o ranking das vacas que mais caras do mundo:
- Carina do Kado: No final do ano passado, a nelore Carina alcançou a valorização de R$ 24 milhões em um leilão e, de lá pra cá, os títulos conquistados por ela só aumentaram o seu valor de mercado. Em maio, Carina foi eleita, tetracampeã nacional da raça durante a ExpoZebu, em Uberaba (MG). A vaca já conquistou seis títulos em diferentes campeonatos da raça e sagrou-se Grande Campeã em quatro deles. Isso acontece quando o animal apresenta pontuações máximas para todos os aspectos considerados exemplares da sua raça.
- Donna FIV CIAV: A vaca Donna bateu todos os recordes de preço para um bovino. No dia 20 de novembro, em um leilão realizado em Foz do Iguaçu (PR), Donna alcançou a valorização máxima e foi avaliada em R$ 54 milhões. Donna bateu o recorde da sua própria mãe, Parla, que morreu em 2024, mas deixou um patrimônio genético avaliado em R$ 27,3 milhões.
- Courchevel FIV CBA: Filha de Viatina-19, a vaca Courchevel, de três anos, ganhou status de milionária em pleno coração financeiro de São Paulo, na Faria Lima. Em um leilão realizado no local, ela alcançou a valorização de R$ 30,4 milhões. No pregão, a vaca teve 25% de sua propriedade leiloada por 50 parcelas de R$ 252 mil. Ela é irmã de Esfinge FIV Napemo, uma bezerra que, mesmo antes de nascer, já valia R$ 3,9 milhões.
Três lendas do rodeio morrem em três meses na mesma fazenda
Três touros lendários do rodeio brasileiro morreram em 2025, com apenas três meses de diferença: Nortão, Impressionante e Vingador viviam curtiam a vida de atletas aposentados, em uma fazenda no interior de São Paulo e os três morreram de velhice.
De acordo com os proprietários dos animais, Tércio e Rosana Miranda, gestores da Cia Tercio Miranda de Rodeios, Nortão morreu no dia 23 de setembro, Impressionante faleceu no dia 23 de outubro e Vingador, no dia 2 de novembro.
Nortão foi um dos touros mais temidos do rodeio e em toda a sua carreira, jamais foi vencido por um peão de boiadeiro, ou seja, em todas as competições em que participou, ele derrubou todos os seus desafiantes em menos de oito segundos.
Antes de ser descoberto por empresários, Nortão vivia em Mato Grosso, se chamava Caixa Preta e era considerado um ‘animal difícil’ para o trato. Ele foi campeão desde a sua primeira apresentação.
O touro Impressionante se destacou no rodeio pela sua performance: ele conquistou títulos nacionais e internacionais devido ao desempenho nas arenas, apresentando os movimentos mais difíceis para as provas. Se tornou recordista de notas acima de 90 pontos, um fato que pouquíssimos animais conquistaram em sua trajetória.
Vingador, que morreu em novembro, deixou sua marca na história do rodeio por ser, dentro da arena, um dos touros mais temidos do Brasil e, fora dela, o touro de rodeio mais dócil que já se viu. Apenas dois peões conseguiram ficar montados em Vingador por 8 segundos.
Safra brasileira de grãos bate recorde histórico com grande produção de soja e milho
A safra nacional de grãos do ciclo 2024/2025, que começou em setembro de 2024 e terminou, oficialmente em julho de 2025, atingiu um recorde histórico de 350,2 milhões de toneladas, conforme dados do 12º e último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O volume representa um aumento expressivo de 16,3% em comparação com o ciclo anterior (2023/2024), totalizando 49,1 milhões de toneladas a mais. Esse desempenho superou as expectativas do mercado e consolidou o Brasil como gigante global do agronegócio.
O resultado histórico é reflexo de dois fatores principais: a expansão da área cultivada e as condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento das lavouras. A área semeada no país totalizou 81,7 milhões de hectares, um acréscimo de 1,9 milhão de hectares em relação à safra anterior.
As condições do tempo, sobretudo no Centro-Oeste brasileiro, contribuíram para a recuperação da produtividade média nacional. Segundo a Conab, a produtividade média atingiu 4.284 kg por hectare, um aumento de 13,7% na comparação com a safra anterior.
Veja abaixo como as três culturas impulsionaram os números agrícolas brasileiros:
- Soja: A produção atingiu 171,5 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde para a oleaginosa. O volume representa um crescimento de 13,3% em relação à safra anterior.
- Milho (Total 3 safras): A colheita total de milho alcançou 139,7 milhões de toneladas, também configurando um recorde histórico para a cultura no país, com uma variação positiva de 20,9% no período.
- Algodão: A cultura teve um aumento de 9,7%, atingindo a marca de 4,1 milhões de toneladas, um novo recorde para o algodão brasileiro.
- Arroz: A produção de arroz no país chegou a 12,8 milhões de toneladas, um aumento de 20,6% sobre a safra anterior.
Tarifaço de Donald Trump afeta o agronegócio brasileiro
O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em julho de 2025, pegou diversos setores do agronegócio de surpresa e provocou uma verdadeira corrida diplomática, que envolveu associações representativas, produtores rurais, governos e empresários. Ao ser anunciado, o agro projetou que a medida poderia causar um prejuízo de US$ 5,8 bilhões ao ano.
Durante todo o mês de julho, o setor agro estava em alerta máximo e criou uma frente de planejamento estratégico para driblar o tarifaço que, em suma, incluía a taxa de 40% sobre a taxa de 10% já praticada.
No entanto, a implementação da sobretaxa, a partir de 6 de agosto, foi acompanhada de uma lista de exceções que aliviou a pressão sobre alguns itens, como por exemplo, o suco de laranja, celulose, castanhas, entre outros.
No dia 5 de agosto, véspera do início das tarifas, o governo Trump anunciou a exclusão de 694 itens da lista. O setor encarou a lista como um indício de que poderia ter espaço para negociar com Donald Trump a retirada de outros itens. No entanto, 45% da pauta de exportação continuou sobretaxada até o mês de novembro, entre eles, itens como carne bovina e café.
Diálogos e diplomacia
Os setores representativos do agro, como o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café) e a Abiec (Associação Brasileira dos Exportadores de Carne), bem como instituições como a PeixeBR e a Abrafrutas se uniram ao governo para traçar estratégias de aproximação com o governo norte-americano e incluir mais itens na lista de isenção.
Em outubro, os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se encontraram, na Malásia, estabelecendo um clima de paz e harmonia.
Em novembro, Trump anunciou mais uma lista de isenções, beneficiando setores do agronegócio, principalmente: carne bovina, café verde e torrado, frutas, hortaliças, especiarias e sucos de frutas foram, finalmente, incluídos na lista e isentos da sobretaxa de 40%. No entanto, itens como pescados, mel e café solúvel ainda estão sobretaxados.
