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Rim, rabo, tripa e miolo: Mato Grosso fatura R$ 260 milhões com exportação de vísceras de boi

Partes do boi que são consideradas 'carne de terceira' no Brasil têm mercado premium na Ásia e África

Por Redação
REDAÇÃO

15/08/2025 • 12:10 • Atualizado em 15/08/2025 • 12:10

Miúdos incluem até partes do intestino do boi

Miúdos incluem até partes do intestino do boi

Divulgação/Imac

Cortes bovinos que não são muito desejados no Brasil, como os miúdos e vísceras, têm um mercado importante no exterior, sobretudo na Ásia. Entre os meses de janeiro e julho, os exportadores de carne bovina de Mato Grosso faturaram US$ 47,8 milhões - R$ 260,4 milhões - somente em miúdos.

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Os miúdos bovinos são cortes não tradicionais da carne — diferentes de picanha, alcatra e contrafilé —, mas que possuem grande valor comercial em outros países. Estão incluídos nesse grupo vísceras, como fígado, coração e rins; cabeça e derivados, como bochecha, língua e miolo; trato digestivo, como estômago e intestinos; além de rabo, diafragma, tendões, pâncreas e até testículos.

“Muitos desses produtos não têm grande consumo interno no Brasil, mas são valorizados em mercados da Ásia, África e América Latina, onde fazem parte de pratos tradicionais ou são utilizados pela indústria alimentícia. A China, por exemplo, é um grande comprador de fígado e tendões bovinos”, explica o analista de Gestão da Informação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Valdecir Francisco Pinto Júnior.

O principal destino dos miúdos foi Hong Kong, que adquiriu 32% das miudezas e tripas comercializadas pelo estado no período. Somente para o país asiático, as vendas somaram US$ 15,3 milhões, incluindo US$ 1,6 milhão apenas em língua bovina congelada — o equivalente a R$ 85,4 milhões. Foram 882 toneladas exportadas desse item, além de rabos e tripas.

Também figuram como importadores de peso a Rússia, que comprou US$ 7,2 milhões em fígado, língua e outras miudezas neste ano; a Costa do Marfim, que importou US$ 2,6 milhões; e o Congo, que adquiriu US$ 1,3 milhão em miúdos e tripas. “As exportações de miúdos são fundamentais para a competitividade da carne bovina de Mato Grosso. Elas permitem o aproveitamento integral do animal, reduzem desperdícios e geram valor em cada etapa da produção”, afirma Valdecir.

Nos sete primeiros meses de 2025, foram exportadas 26,5 mil toneladas de despojos comestíveis. No ano anterior, o volume foi de 39,5 mil toneladas, que renderam US$ 71,2 milhões (R$ 387,6 milhões).

Em 2024, 54 países importaram miudezas do rebanho mato-grossense; em 2025, já são 49. Neste ano, novos mercados se abriram para esse tipo de exportação, como Albânia, Cabo Verde, Camboja, Cazaquistão, Macau e Mianmar. “As projeções indicam que, com novos acordos sanitários e a abertura de mercados, como o Marrocos — que conquistamos neste ano —, Mato Grosso poderá ampliar significativamente suas vendas nesse segmento nos próximos anos, fortalecendo ainda mais a presença da nossa carne no mundo”, reforça o analista do Imac.