
Café
Pixabay
O cenário para a cafeicultura brasileira apresenta sinais positivos no campo, impulsionado por condições climáticas favoráveis em janeiro e pela continuidade da umidade no início de fevereiro. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que este clima deve favorecer o enchimento dos grãos, fase considerada crucial para o desenvolvimento da atual temporada.
Apesar do otimismo produtivo, o mercado reflete esse cenário com uma tendência de queda nos preços. Em janeiro de 2026, a média do Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6 recuou 3,7%, fechando o mês a R$ 2.094,55 por saca de 60 kg — o menor valor médio registrado desde outubro de 2025.
Desempenho do mercado e cotações
A queda acumulada no primeiro mês do ano foi de R$ 80,19 por saca. Esse movimento de retração é uma resposta direta à expectativa de uma oferta mais robusta, uma vez que a safra 2026/27 de café arábica deve superar o volume produzido na temporada anterior.
Para o setor, o enchimento de grãos — processo em que o fruto acumula biomassa e define seu tamanho final — é o foco das atenções. A umidade adequada neste período evita que o grão se desenvolva de forma incompleta, garantindo o padrão de qualidade exigido pelo mercado internacional.
Riscos climáticos e o café chocho
Embora o início do ano tenha sido benéfico, o Cepea alerta que o clima ainda representa um fator de risco relevante para os produtores rurais. O final de dezembro de 2025 foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condições que podem comprometer a formação dos grãos.
Essa instabilidade climática no final do ano passado pode resultar no chamado café chocho. O termo técnico refere-se ao grão que não completa seu desenvolvimento interno, ficando leve e sem valor comercial, o que impacta diretamente a rentabilidade do cafeicultor "da porteira para dentro".
Perspectivas para a safra 2026/27
A expectativa atual é de que a produção de arábica na temporada 2026/27 apresente um desempenho superior à colheita passada. A manutenção das chuvas em fevereiro será determinante para confirmar essas projeções e consolidar o volume da safra brasileira.
O acompanhamento das cotações e das janelas climáticas segue como prioridade para o planejamento agrícola. O setor aguarda agora a consolidação dos dados de campo para avaliar se o aumento na produtividade compensará a recente desvalorização nos preços praticados no mercado doméstico.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

