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Safra de grãos é projetada em 353 milhões de toneladas

Levantamento da Conab aponta crescimento na área plantada e destaca desempenho da soja, sorgo e mamona; produção de milho e arroz enfrenta desafios climáticos

VIVIANE TAGUCHI

15/01/2026 • 10:17 • Atualizado em 15/01/2026 • 10:17

Lavouras de soja sofrem com condições climáticas, mas produção deve aumentar no Brasil

Lavouras de soja sofrem com condições climáticas, mas produção deve aumentar no Brasil

Wenderson Araújo/CNA

Resumo

A produção de grãos no Brasil para a safra 2025/26 deve bater recorde com 353,1 milhões de toneladas, impulsionada pela expansão de 2,6% na área cultivada, principalmente no Centro-Oeste, que responde por quase metade da colheita nacional.

A cultura da soja segue em crescimento, com previsão de 176,1 milhões de toneladas e aumento de 1,3 milhão de hectares plantados, porém a produtividade ficou estável devido a chuvas irregulares no Centro-Oeste e limitações de solo em Goiás, parcialmente compensadas pela recuperação no Rio Grande do Sul.

O milho enfrenta cenário misto, com área plantada 4% maior, mas produção 1,5% menor (138,9 milhões de toneladas) devido a eventos climáticos adversos, enquanto culturas de bioenergia como sorgo, mamona e girassol apresentam forte crescimento, e alimentos básicos como arroz e feijão têm retração na produção.

A produção de grãos no Brasil, na safra 2025/26, pode estabelecer um novo recorde, com 353,1 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (15) que este número representa 1 milhão de toneladas a mais de alimentos - 0,3% a mais que na última temporada - e a alta é impulsionada pela expansão da área cultivada e pelo investimento dos produtores.

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A área cultivada com lavouras neste ciclo deve chegar a 83,9 milhões de hectares — um salto de 2,6% (ou 2,1 milhões de hectares a mais) na comparação anual. A região Centro-Oeste continua sendo a que mais produz, com a expectativa de produzir 174,5 milhões de toneladas, o que equivale a 49,4% de tudo o que será colhido no país. Somada às demais áreas do Centro-Sul, a produção alcança 84,2% do total nacional, enquanto o Norte e Nordeste contribuem com 15,8% (55,8 milhões de toneladas).

Clima afeta produtividade da soja

Carro-chefe da economia brasileira, a soja continua ganhando espaço. A produção da oleaginosa deve atingir 176,1 milhões de toneladas, um aumento de 2,7%. Os produtores ampliaram a área de plantio em 1,3 milhão de hectares, totalizando agora 48,7 milhões de hectares dedicados ao grão. No entanto, a produtividade por hectare apresentou uma leve estagnação, com oscilação negativa de 0,1%. O motivo está no clima: chuvas irregulares e em volumes abaixo do esperado atingiram lavouras no Mato Grosso do Sul.

Além disso, limitações físicas em solos arenosos de Goiás também impactaram o rendimento, apesar da recuperação observada no Rio Grande do Sul.

Milho: área maior, produção menor

O cenário para o milho é misto. Embora a área plantada tenha crescido 4% — somando 22,7 milhões de hectares nas três safras —, a produção total deve cair. A estimativa é de uma colheita de 138,9 milhões de toneladas, uma redução de 1,5% em relação ao ciclo anterior. A queda na produtividade (-5,3%) é explicada por uma sequência de eventos climáticos adversos. Tempestades, granizo e ondas de calor (veranicos) castigaram as lavouras da Região Sul.

Já em Minas Gerais, a falta de chuvas no início do desenvolvimento da primeira safra prejudicou o potencial das plantas. Apesar da queda na colheita, o mercado do cereal segue aquecido. A demanda interna deve crescer 7,8% em 2025, puxada pelo aumento do uso de milho na produção de etanol, setor que ganha cada vez mais relevância na matriz energética.

A vez das culturas de bioenergia

O levantamento da Conab traz boas notícias para culturas ligadas à produção de biocombustíveis e biomassa. O sorgo desponta com forte expansão. A produção deve saltar 9,2%, chegando a 6,7 milhões de toneladas, com um aumento de mais de 11% na área plantada. O cereal ganha força especialmente na segunda safra ("safrinha"), após a colheita da soja.

Outro destaque é a mamona, impulsionada pela indústria química e de cosméticos. Com boas condições climáticas na Bahia, a produção deve disparar 47%, saindo de 100 mil para 147,4 mil toneladas. A produtividade da cultura teve um avanço impressionante de 34,8%. O girassol também cresceu, com alta de 1,5% na produção (101,9 mil toneladas), atendendo à demanda por óleo vegetal.

Alerta para o arroz e o feijão

Enquanto as commodities de exportação e energia avançam, os alimentos básicos da mesa do brasileiro enfrentam retração. O arroz tem previsão de queda acentuada de 13,3% na produção, estimada em 11,1 milhões de toneladas. A área plantada do cereal diminuiu quase 10%, com reduções significativas tanto no cultivo irrigado quanto no de sequeiro.

Já o feijão apresenta um cenário de leve queda (-0,5%), com produção total estimada em 3 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra da leguminosa sofreu uma redução de 7,4% no volume colhido, reflexo de uma área plantada 11% menor.

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