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Safra de uva no RS deve crescer 7% e chegar a 800 milhões de quilos

Vindima começa com festa e otimismo, mas setor alerta para riscos de competitividade com possível acordo entre Mercosul e União Europeia

Da redação
DA REDAÇÃO

11/01/2026 • 07:24 • Atualizado em 11/01/2026 • 07:24

Resumo

Abertura da temporada da colheita da uva no Rio Grande do Sul marca o início da Vindima, com expectativa de produção de 800 milhões de quilos, representando crescimento de 7% em relação ao ano anterior e consolidando o estado como responsável por cerca de 90% da produção nacional de vinhos.

Celebração da Vindima atrai turistas de várias regiões do Brasil, que participam de atividades tradicionais como a colheita e a pisa da uva, movimentando o turismo e destacando a importância cultural e econômica do evento para as cidades produtoras da Serra Gaúcha.

Preocupação do setor vitivinícola gaúcho recai sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê redução gradual das tarifas de importação para vinhos europeus, aumentando a concorrência e trazendo desafios para a competitividade do produto brasileiro, apesar do reconhecimento internacional pela qualidade dos vinhos nacionais.

A temporada oficial da colheita da uva já começou no Rio Grande do Sul, dando início à tradicional Vindima, período de celebração da vitivinicultura que se estende até o mês de março.

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O cenário nas parreiras é de otimismo produtivo. A expectativa do setor é que a safra deste ano alcance a marca de 800 milhões de quilos de uvas. O volume representa um crescimento de 7% em comparação ao ciclo anterior, consolidando a recuperação e a força da produção no estado.

Atualmente, o Rio Grande do Sul é o protagonista absoluto do setor no Brasil. O estado responde por cerca de 90% da produção nacional de vinhos e detém a maior área plantada de videiras do país, sendo o motor econômico de diversas cidades da Serra Gaúcha e de outras regiões produtoras.

Turismo e tradição na colheita

A Vindima não é apenas um período de trabalho intenso no campo, mas também um dos principais atrativos turísticos do calendário gaúcho. A celebração, embalada por música típica italiana e gastronomia farta, atrai visitantes de todas as regiões do Brasil interessados em conhecer de perto o processo de elaboração dos vinhos.

No primeiro dia do evento, turistas puderam vivenciar a experiência prática da colheita. João e Emília, que viajaram de Goiânia (GO) especialmente para o festival, participaram das atividades nos parreirais. "Foi muito divertido. É a primeira vez no Rio Grande do Sul e foi uma grande surpresa. Vim aqui para esse festival e para todas as experiências deliciosas", relatou João.

A tradicional "pisa da uva", método ancestral de esmagar as frutas com os pés, continua sendo um dos pontos altos para os visitantes. Emília destacou a emoção do momento inédito. "A sensação de colocar o pé na uva para quem nunca experimentou é única", comentou a turista, comparando a vivência a grandes eventos de celebração.

Acordo Mercosul-UE gera apreensão

Apesar do clima festivo e dos bons números na lavoura, os produtores e representantes da indústria vitivinícola mantêm um olhar de cautela voltado para o cenário internacional. O motivo da preocupação é o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Com previsão de ser assinado nas próximas semanas, o tratado pode impactar diretamente a competitividade do produto nacional. O ponto crítico para o setor é a liberação tarifária.

O acordo prevê que, gradualmente, vinhos europeus possam entrar no Brasil com tributo de importação zerado. Essa transição deve ocorrer ao longo de 12 anos, o que facilitaria a chegada de rótulos do velho mundo a preços muito mais baixos nas prateleiras brasileiras.

Representantes do setor alertam para a disparidade de condições. Segundo avaliações de especialistas ouvidos durante o evento, o vinho europeu, que já possui subsídios em seus países de origem, ficaria ainda mais barato, tornando a concorrência desleal para o produtor brasileiro que enfrenta alta carga tributária e custos de produção elevados. "Nós não somos competitivos [neste cenário]", desabafou um representante do setor, projetando dificuldades futuras caso não haja medidas de proteção ou incentivo.

Qualidade e desafio de mercado

Mesmo diante dos desafios econômicos, a qualidade do vinho brasileiro é um consenso. O produto nacional tem conquistado reconhecimento frequente em concursos internacionais e se destacado em degustações às cegas, muitas vezes superando rótulos importados tradicionais. No entanto, para que essa qualidade se traduza em vendas diante da possível abertura de mercado, o setor aponta a necessidade de uma mudança na percepção do consumidor e na estrutura de preços.

Para os produtores, é essencial haver uma sensibilização do público e, principalmente, condições para que o produto chegue à gôndola do supermercado e às lojas especializadas com um valor atrativo.

O setor vitivinícola gaúcho inicia esta Vindima, portanto, com um olho na parreira, garantindo uma safra farta e de qualidade, e outro na economia, buscando estratégias para valorizar o produto local frente à concorrência global que se aproxima.

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