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No início, safrinha esbarra em altos custos de produção e riscos climáticos

Janela apertada e irregularidade das chuvas em estados como Mato Grosso e Paraná trazem incertezas para a produtividade da safrinha

VIVIANE TAGUCHI

05/05/2026 • 10:20 • Atualizado em 05/05/2026 • 10:20

Clima e altos custos, como os insumos importados, podem comprometer a produção de milho de inverno

Clima e altos custos, como os insumos importados, podem comprometer a produção de milho de inverno

Reprodução/Band

A produção da safrinha de milho 2026, que está na fase inicial, enfrenta desafios que devem escalar na próxima semana, com grande parte das lavouras em estágio de pendoamento sob um regime de poucas chuvas. O cenário combina custos elevados de produção, impulsionados pela alta dos fertilizantes nos últimos meses, uma janela de plantio restrita e o início de limitações climáticas que podem comprometer o potencial produtivo da segunda safra.

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Segundo Yedda Monteiro, analista da Biond Agro, o aumento dos custos alterou o ponto de equilíbrio da cultura antes mesmo de eventuais problemas no campo. Em Mato Grosso, principal produtor de milho do país, o gasto com insumos saltou de 58 para até mais de 90 sacas por hectare, impulsionado pela alta dos fertilizantes nitrogenados. Os preços dos fertilizantes dispararam após a escalada dos conflitos no Oriente Médio, região onde estão localizados os principais produtores deste insumo.

Impacto do clima no desenvolvimento do milho

Embora o plantio tenha sido concluído na média da janela agrícola ideal, a distribuição foi irregular. Áreas semeadas fora do período ideal em estados como Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul estão mais expostas ao risco climático. A analista ressalta que a perda de produtividade não é automática, mas a dependência de chuvas pontuais e bem distribuídas aumentou significativamente.

O pendoamento — fase em que surgem as flores masculinas no topo da planta para a polinização — é o momento de maior exigência hídrica. Atualmente, regiões do Centro-Oeste registram volumes de chuva inferiores a 50% da média normal, enquanto as altas temperaturas aceleram a perda de umidade do solo.

Perspectivas para o mercado e cenário global

No contexto internacional, a transição do fenômeno La Niña para um período neutro, com possibilidade de El Niño, traz instabilidade ao clima no Brasil, o que pode resultar em ondas de calor no Centro-Sul. Apesar das incertezas, o Mato Grosso mantém boas condições de lavoura, o que ajuda a mitigar o risco de uma quebra generalizada na produção total do país.

O mercado físico demonstra cautela, com a indústria abastecida no curto prazo e negociações em ritmo lento. Yedda Monteiro avalia que o balanço de oferta ainda permite absorver perdas moderadas sem uma reação imediata nos preços. Movimentos mais consistentes nas cotações dependerão da confirmação de reduções relevantes na safra ao longo das próximas semanas.