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Santa Catarina decreta alerta climático devido ao risco de El Niño

Medida oficializada pelo governo estadual abrange os 295 municípios e visa antecipar ações preventivas contra chuvas intensas no segundo semestre

VIVIANE TAGUCHI

19/05/2026 • 14:55 • Atualizado em 19/05/2026 • 19:46

Risco de ocorrência de El Niño em 2026 acende alerta no agro

Risco de ocorrência de El Niño em 2026 acende alerta no agro

José Fernando Ogura/AEN

O governo de Santa Catarina assinou, na segunda-feira (18), um decreto que estabelece estado de alerta climático em todos os 295 municípios catarinenses. A decisão, com validade inicial de 180 dias, baseia-se em previsões meteorológicas que indicam uma probabilidade superior a 80% de ocorrência do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre de 2026. O objetivo central é permitir que o Estado se antecipe a possíveis desastres naturais, como enchentes e enxurradas, comuns sob a influência deste evento climático.

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O fenômeno El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera os padrões de chuva e temperatura em escala global. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma resultar em precipitações muito acima da média histórica, como as

Prevenção e mobilização de recursos

O decreto de alerta climático funciona como um mecanismo administrativo para desburocratizar ações de mitigação. Diferente de uma situação de emergência convencional, que geralmente é declarada após a ocorrência de um dano, o alerta foca na prevenção.

Com a medida, o governo estadual está autorizado a mobilizar servidores de diversas pastas e utilizar recursos do Fundo Estadual de Defesa Civil (Fundec) para obras preventivas. Entre as prioridades listadas estão a manutenção e modernização de barragens, além da limpeza de canais de drenagem e rios em áreas historicamente vulneráveis.

Segundo dados do NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), as chances de o fenômeno iniciar até julho são de 82%, com o pico de intensidade projetado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Impactos no agro

O setor produtivo é um dos que mais demandam atenção sob o risco de excesso de umidade. A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) e a Secretaria da Agricultura já iniciaram o monitoramento específico para as safras 2026/2027.

Para os produtores rurais, o estado de alerta traz orientações diretas sobre o planejamento de safra. Culturas sensíveis ao excesso de chuva, como arroz, feijão e milho, exigem cautela redobrada no manejo e na escolha das janelas de plantio, especialmente durante o pico esperado do fenômeno, entre o fim da primavera e o início do verão.

A recomendação técnica da Epagri/Ciram é que os agricultores acompanhem com maior freqüência os boletins de curto e médio prazo emitidos pelo Fórum Climático Catarinense. O acompanhamento constante permite ajustes rápidos em estratégias de campo, minimizando perdas financeiras e estruturais nas propriedades rurais.