Resumo
O setor do agronegócio brasileiro propõe aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para até 17%, com discussão marcada no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) devido à alta global do petróleo e busca por alternativas aos combustíveis fósseis.
A produção nacional de biodiesel depende principalmente da soja, responsável por 80% do total, com projeção de demanda de 10,5 milhões de litros em 2026, sendo complementada por insumos como óleo de girassol, algodão, sebo bovino e gorduras suína e de aves.
O governo federal, representado pelo ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira, resiste ao aumento da mistura sem conclusão de estudos técnicos, enquanto o setor produtivo defende a viabilidade técnica e econômica da medida, inserindo o debate brasileiro em um contexto internacional de substituição de combustíveis fósseis, com Indonésia, Colômbia, Argentina, Estados Unidos e Tailândia adotando diferentes percentuais de biodiesel.
O setor do agronegócio brasileiro defende o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel dos atuais 15% para até 17%. A sugestão deve ser avaliada nesta quinta-feira (20), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O movimento ocorre em um momento de alta nos preços do petróleo, o que impulsiona diversos países a buscarem alternativas aos combustíveis fósseis.
Atualmente, o Brasil utiliza uma mistura de 15% de biodiesel. Caso esse percentual seja mantido ao longo de 2026, a demanda projetada para o combustível renovável é de 10,5 milhões de litros. A soja é a principal matéria-prima desse biocombustível, sendo responsável por 80% da produção nacional. Além dela, utilizam-se insumos como óleo de girassol, algodão, sebo bovino e gorduras suína e de aves.
Testes técnicos e viabilidade econômica
Representantes do agronegócio argumentam que existem testes técnicos que comprovam a viabilidade de elevar a mistura para 16% ou 17% sem riscos de escassez ou problemas mecânicos. Eles cobram celeridade no cronograma de testes para garantir que o setor não perca tempo na transição para o B20 (mistura de 20%), que já está previsto para o futuro.
"Nós temos certeza de que não vai ter nenhum problema decretando o aumento. Não temos risco de escassez; tem um equilíbrio perfeito", afirmam lideranças do setor, destacando que a medida é viável do ponto de vista econômico independentemente de cenários externos de guerra.
Resistência no governo
Apesar da pressão dos produtores, o governo federal demonstra cautela. Na última semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou a possibilidade de elevar o teor obrigatório para cima dos 15% sem a conclusão de estudos técnicos objetivos.
O ministro ressaltou que a lei permite a evolução da mistura através do CNPE, mas condicionou qualquer mudança à garantia da qualidade do combustível nas distribuidoras e postos. Silveira não deu previsão de quando novos testes serão realizados para viabilizar o aumento pleiteado pelo setor produtivo.
Cenário internacional
O debate brasileiro se insere em uma estratégia global de substituição de fósseis. No caso do biodiesel, a Indonésia lidera com a iniciativa mais ambiciosa, operando hoje com 40% de mistura e discutindo a elevação para 50%.
Na América do Sul, a Colômbia adota cerca de 10%, enquanto a Argentina mantém 7,5%, também com debates para elevar o índice. Nos Estados Unidos, as misturas comerciais variam entre 5% e 20%. A Tailândia utiliza um padrão de 7%, mas permite misturas de até 20% no mercado comercial.
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