
Países agrícolas têm potencial para produzir biocombustíveis
Divulgação/MME
Resumo
O setor brasileiro de biocombustíveis apresenta na COP30 a Carta de Belém, documento que propõe esforço internacional para quadruplicar a produção e uso de combustíveis sustentáveis até 2035, com apoio de entidades como Anfavea, Bioenergia Brasil, Instituto MBCBrasil e UNICA.
O texto destaca o atraso global na descarbonização da mobilidade e defende a combinação de eletrificação e combustíveis sustentáveis, usando o Brasil como exemplo de matriz energética limpa, com políticas consolidadas e 29% de bioenergia no mix nacional.
A carta enfatiza o potencial do biometano gerado por resíduos agrícolas e urbanos, capaz de substituir 60% do diesel no transporte, classifica o combustível como de baixa ou negativa intensidade de carbono e reforça o papel estratégico dos biocombustíveis na solução climática brasileira.
O setor brasileiro de biocombustíveis lança na COP30 a Carta de Belém, documento que propõe um esforço internacional coordenado para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, em linha com recomendações da Agência Internacional de Energia (IEA). O texto é assinado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Associação Brasileira de Bioenergia (Bioenergia Brasil), Instituto Mobilidade de Baixo Carbono Brasil (Instituto MBCBrasil) e União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que conduziu a elaboração do documento.A Carta de Belém traz um diagnóstico direto: o mundo está atrasado na descarbonização da mobilidade e não cumprirá o Global Stocktake sem combinar eletrificação, combustíveis sustentáveis e novas rotas tecnológicas. O documento usa o caso brasileiro como evidência prática dessa convergência. Após cinco décadas de políticas como o Proálcool e o RenovaBio, o Brasil consolidou uma das matrizes energéticas mais limpas entre grandes economias, com 29% de bioenergia e 20% de outras fontes renováveis, e ampliou a oferta de bioeletricidade, que alcançou 21.000 GWh em 2024, o equivalente a 4% do consumo nacional.“O etanol é uma tecnologia comprovada, escalável e integrada às cadeias produtivas. O Brasil mostrou que é possível descarbonizar enquanto se gera emprego e competitividade”, afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA. “A Carta de Belém traduz esse aprendizado em diretrizes para que outros países possam avançar com segurança e velocidade.”
Além do papel do etanol, a carta dedica atenção à complementaridade entre combustíveis sustentáveis e eletrificação. O texto afirma que, especialmente em países com forte base agrícola e infraestrutura de recarga limitada, a combinação entre híbridos flexfuel, etanol, biometano e eletricidade constitui a rota mais eficiente para redução rápida de emissões na frota leve. “A aposta em diferentes tecnologias é o melhor caminho para acelerarmos a descarbonização. Os biocombustíveis são aliados fundamentais nessa jornada, como já mostra o Brasil, e permitem a redução imediata das emissões, com impacto real no transporte leve e pesado”, diz Igor Calvet, presidente da Anfavea.
A carta também enfatiza o potencial de expansão do biometano no Brasil. A partir de resíduos agrícolas e urbanos, o país poderia produzir até 120 milhões de Nm³ por dia, volume suficiente para substituir 60% do diesel consumido no transporte nacional. O documento classifica o biometano como combustível de baixa ou negativa intensidade de carbono, aplicável ao transporte pesado, logística, indústria e, na forma de BioLNG, à navegação.
“A Carta de Belém consolida a mensagem que estamos trazendo ao mundo: os biocombustíveis são parte estratégica da solução climática do Brasil. O setor está unido para mostrar que etanol, bioenergia e combustíveis de baixa emissão já entregam resultados concretos em descarbonização, desenvolvimento regional e segurança energética. Este é um momento decisivo para afirmar o Brasil como líder global em energia limpa — e estamos apresentando essa visão de forma clara, integrada e propositiva”, afirma Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil e da SIAMIG Bioenergia.
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