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Soja: óleo mantém tendência de valorização no mercado brasileiro

Aumento na demanda por biodiesel e incertezas no cenário global impulsionam os preços internos, que atingem o maior nível em quatro meses

Da redação
DA REDAÇÃO

30/03/2026 • 10:39 • Atualizado em 30/03/2026 • 10:39

óleo de soja

óleo de soja

Freepik

Resumo

O preço do óleo de soja no Brasil alcançou o maior nível desde dezembro de 2025, impulsionado pela expectativa de aumento na demanda por biodiesel e pela instabilidade no abastecimento global de combustíveis, com a cotação atingindo R$ 6.953,38 por tonelada no dia 24 de março, segundo o Cepea.

A valorização do produto é sustentada principalmente pela perspectiva de maior consumo de biodiesel no mercado interno e pelas tensões internacionais, especialmente no Oriente Médio, que elevam o preço do petróleo e geram incertezas sobre o suprimento de combustíveis fósseis.

A elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, prevista para passar de 15% para 16%, ainda não foi implementada, funcionando como limitador de altas maiores nos preços, mas sua oficialização pode intensificar a demanda interna e manter os valores elevados para produtores e indústria processadora.

O preço do óleo de soja segue em trajetória de alta no mercado brasileiro, impulsionado pela expectativa de aumento na demanda por biodiesel e pelas instabilidades no abastecimento global de combustíveis. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações atingiram, no dia 24 de março, o patamar mais elevado desde dezembro do ano passado.

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Fatores que impulsionam a alta

De acordo com os pesquisadores do setor, a valorização é sustentada por dois pilares principais. O primeiro é a perspectiva de maior consumo de biodiesel no mercado doméstico. O segundo envolve o cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio e pela consequente alta nos preços do petróleo, o que gera incertezas sobre o suprimento global de combustíveis fósseis.

As indústrias brasileiras acompanham de perto a implementação do aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel comum, que deve passar de 15% (B15) para 16% (B16). Embora a mudança estivesse prevista para o início de março, a decisão ainda não foi concretizada. Esse atraso na implementação tem funcionado como um limitador, impedindo altas ainda mais expressivas nos preços internos do óleo.

Cotações atingem maior nível desde dezembro

O levantamento realizado pelo Cepea aponta que o preço do óleo de soja bruto e degomado na região de São Paulo (considerando 12% de ICMS) chegou a R$ 6.953,38 por tonelada no último dia 24. Este é o maior valor registrado desde 1º de dezembro de 2025, período em que a commodity era negociada acima da marca de R$ 7.000,00 por tonelada.

O óleo degomado é o produto que passa por um processo inicial de refino para a remoção de impurezas (gomas), sendo a matéria-prima base tanto para a indústria alimentícia quanto para a produção de biocombustíveis.

Impacto na cadeia do biodiesel

A mistura obrigatória mencionada pelo setor industrial refere-se ao percentual de combustível renovável que deve, por lei, ser adicionado ao diesel fóssil vendido nos postos. A transição para o B16 é vista como um movimento estratégico para reduzir a dependência de derivados de petróleo e estimular a cadeia produtiva da soja, que é a principal fonte de matéria-prima para o biodiesel no Brasil.

Especialistas indicam que, caso a nova regulamentação seja oficializada nos próximos meses, a pressão sobre a demanda interna de óleo de soja deve se intensificar, mantendo os preços em patamares elevados para o produtor e para a indústria processadora.

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