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Tensão no Oriente Médio e novas normas travam exportação de soja

Conflitos internacionais elevam o preço do petróleo e impactam as cotações das commodities energéticas; portos brasileiros enfrentam devolução de cargas

Da redação
DA REDAÇÃO

16/03/2026 • 12:41 • Atualizado em 16/03/2026 • 12:41

O aumento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio gera um efeito dominó nas commodities globais

O aumento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio gera um efeito dominó nas commodities globais

R.R Rufino/Embrapa

Resumo

O avanço dos preços internacionais da soja foi impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, que elevou preocupações sobre o fluxo de petróleo e valorizou as commodities energéticas, refletindo diretamente nas cotações dos grãos.

O aumento dos conflitos geopolíticos na região estratégica para o petróleo provocou alta nos custos de energia, favorecendo o preço da soja na Bolsa de Chicago, enquanto pesquisadores do Cepea apontam que o produtor brasileiro enfrenta obstáculos além do cenário internacional.

As novas exigências fitossanitárias nos portos brasileiros limitaram o ritmo das exportações, resultando em devolução de cargas e incerteza entre exportadores, levando parte do setor a priorizar o mercado interno até que as regras sejam esclarecidas e normalizado o fluxo externo.

Os preços internacionais da soja registraram avanço na última semana, impulsionados pela escalada das tensões no Oriente Médio. A instabilidade na região intensificou as preocupações do mercado global quanto ao fluxo de petróleo, o que sustentou as cotações das commodities energéticas e refletiu diretamente nos grãos. No Brasil, embora a valorização externa tenha elevado a paridade de exportação e sustentado os preços domésticos, o ritmo de negócios nos portos foi freado por novos protocolos fitossanitários.

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O aumento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio gera um efeito dominó nas commodities globais. Como a região é estratégica para a produção e escoamento de petróleo, qualquer ameaça ao fornecimento eleva os custos de energia. Esse cenário favorece a alta nos preços da soja na Bolsa de Chicago, já que a commodity está ligada aos custos de produção e logística mundiais.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), essa valorização externa serviu de suporte para os preços no mercado brasileiro. Entretanto, o produtor nacional enfrenta obstáculos que vão além das cotações internacionais.

Barreiras fitossanitárias limitam exportações

Apesar do cenário de preços favoráveis no exterior, o fluxo de escoamento da safra brasileira encontrou barreiras técnicas nos últimos dias. Novos protocolos de exigências fitossanitárias — que são normas de higiene e controle de pragas para garantir a sanidade dos produtos vegetais — limitaram o ritmo de embarques nos portos.

De acordo com o Cepea, esse endurecimento nas regras resultou na devolução de cargas que já estavam destinadas ao mercado externo. A incerteza sobre o cumprimento dessas novas exigências gerou um clima de cautela entre os exportadores.

Foco no mercado interno

Diante das dificuldades logísticas e burocráticas nos portos, houve uma mudança estratégica no comportamento dos agentes do setor. Parte dos negociantes passou a priorizar as transações entre diferentes regiões dentro do próprio Brasil.

Essa priorização do mercado interno ocorre em detrimento das exportações, funcionando como uma medida de segurança até que os novos protocolos fitossanitários sejam esclarecidos. A expectativa do setor é de que a clareza sobre as exigências normalize o fluxo para o exterior, permitindo que o país aproveite o ciclo de alta nas cotações internacionais.

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