
Tilápia é a preferência nacional e mais consumidoda que o salmão ou atum
Band
Resumo
Expansão da piscicultura paulista é impulsionada pela tilápia, cuja produção cresceu 4% em 2025, atingindo 54,17 mil toneladas e faturamento de R$ 494,11 milhões, consolidando São Paulo como segundo maior produtor nacional.
Preferência dos consumidores brasileiros pela tilápia é confirmada por pesquisa do Instituto de Oceanografia da USP, devido ao sabor suave, ausência de espinhas em "Y" e versatilidade culinária, embora o consumo estadual ainda seja inferior ao recomendado pela OMS por questões de custo.
Modernização do setor é marcada pelo uso de tanques-rede, que já representam 75% da produção paulista e contam com mais de 12 mil unidades, além de infraestrutura robusta e aproveitamento integral do peixe, incluindo o uso do couro como curativo biológico em queimaduras.
A piscicultura paulista vive um momento de expansão e a tilápia é a grande protagonista dessa história. De acordo com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a produção da espécie cresceu 4% em 2025, atingindo a marca de 54,17 mil toneladas.
O desempenho financeiro acompanha o volume: o faturamento do setor alcançou R$ 494,11 milhões no ciclo atual. Com esses números, São Paulo se firma como o segundo maior produtor de tilápia do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, e mostra que a demanda pelo peixe não para de crescer.
Por que o brasileiro gosta tanto de tilápia?
Não é apenas impressão: a tilápia é, oficialmente, a espécie de pescado preferida dos consumidores, superando nomes famosos como o salmão, a pescada e o atum. Pesquisa realizada pelo Instituto de Oceanografia da USP, em parceria com o Instituto de Pesca, confirma essa liderança absoluta.
Existem razões claras para esse sucesso entre os consumidores. Além do sabor suave e da ausência de espinhas em "Y" no filé — o que facilita o consumo por crianças e idosos —, a tilápia é versátil na cozinha. O aumento da oferta interna também tornou o peixe mais presente em supermercados e restaurantes, integrando-o ao hábito alimentar do centro-sul do país.
No entanto, o setor ainda tem um desafio: o consumo médio de pescado no estado ainda está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto a recomendação é de duas vezes por semana, o paulista consome peixe de uma a três vezes por mês, principalmente devido ao custo da proteína.
Tecnologia e tanques-rede impulsionam o setor
O salto na produção paulista tem uma explicação técnica: o uso de tanques-rede. Esse sistema de cultivo, instalado principalmente nos grandes reservatórios de hidrelétricas no oeste do estado, já responde por mais de 75% de todo o peixe produzido em São Paulo.
Atualmente, existem mais de 12 mil unidades dessas "gaiolas" de criação em operação. Diferente dos viveiros escavados (açudes cavados na terra), os tanques-rede permitem uma alta densidade de peixes e maior controle da produtividade, aproveitando a água dos rios de forma sustentável.
Da filetagem ao tratamento de queimaduras
A cadeia produtiva da tilápia em São Paulo destaca-se pela sua infraestrutura robusta. O estado conta com 21 frigoríficos especializados que processam 86% do abate estadual. Mas a inovação vai além da alimentação.
Segundo Celso Vegro, diretor do IEA, o aproveitamento total do peixe é um diferencial econômico. Além da filetagem para o consumo humano, o couro da tilápia tem sido utilizado para outros fins, inclusive na medicina, servindo como curativo biológico no tratamento de queimaduras de primeiro grau.

