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Café solúvel: 'tarifaço' nos EUA fez setor perder 28% das vendas em 2025

Barreiras comerciais de 50% sobre o produto brasileiro derrubaram embarques para o mercado norte-americano; receita global, porém, teve recorde

Da redação
DA REDAÇÃO

28/01/2026 • 16:38 • Atualizado em 28/01/2026 • 16:38

Café solúvel continu sobretaxado para ser exportado aos EUA

Café solúvel continu sobretaxado para ser exportado aos EUA

Trilux

Resumo

Exportações brasileiras de café solúvel registraram receita recorde de US$ 1,099 bilhão em 2025, mas sofreram queda de 10,6% no volume exportado, fortemente impactadas por uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que reduziram as compras em 28,2% e, entre agosto e dezembro, em 40%.

Relatório da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) aponta que a elevação dos custos reduziu a competitividade do café brasileiro no mercado internacional, levando importadores a buscarem fornecedores concorrentes e pressionando o Brasil a diversificar mercados, mesmo com os EUA mantendo a liderança como principal destino com 558.740 sacas compradas.

Diversificação de mercados resultou em aumento expressivo das exportações para Argentina (alta de 40,2%, totalizando 291.919 sacas) e Colômbia (crescimento de 178,2%, chegando a 130.029 sacas), enquanto o consumo interno atingiu recorde de 1,2 milhão de sacas e a receita cambial subiu 14,4% devido à valorização do café arábica e conilon.

As exportações brasileiras de café solúvel enfrentaram um cenário de contrastes em 2025. Enquanto o setor celebrou uma receita cambial recorde de US$ 1,099 bilhão, as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos causaram uma queda severa no volume de vendas. Os embarques para o mercado norte-americano recuaram 28,2% no acumulado do ano, pressionados por um "tarifaço" de 50% sobre o produto nacional.

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De acordo com o Relatório do Café Solúvel do Brasil 2025, elaborado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), o volume total exportado pelo país foi de 3,688 milhões de sacas. O número representa um recuo de 10,6% em comparação com as 4,127 milhões de sacas registradas em 2024.

Para o diretor executivo da ABICS, Aguinaldo Lima, o impacto da nova taxação nos EUA foi imediato e agressivo. "No período da aplicação dessa tarifação de 50%, entre agosto e dezembro, a redução foi ainda mais drástica: 40% ante o mesmo período do ano anterior", revela.

Perda de competitividade no mercado externo

A tarifa vigente sobre o solúvel brasileiro encarece o produto de forma proibitiva no mercado internacional. Segundo Lima, isso empurra os importadores norte-americanos para fornecedores concorrentes que possuem benefícios tarifários.

O executivo ressalta que o cenário evidencia a urgência de novas estratégias para o agronegócio brasileiro. "Isso resulta na perda de participação de mercado para o Brasil e na necessidade urgente de reavaliar estratégias de diversificação de mercados", completa o diretor da ABICS.

Mesmo com as dificuldades, os EUA seguem como o principal destino do café solúvel do país, tendo adquirido o equivalente a 558.740 sacas no ano passado.

Diversificação: Argentina e Colômbia em alta

Para compensar as perdas na América do Norte, a indústria brasileira encontrou fôlego em outros mercados. A Argentina se consolidou como o segundo maior destino, com a importação de 291.919 sacas — um crescimento de 40,2% em relação a 2024.

Outro destaque surpreendente foi a Colômbia. O país vizinho, que é um tradicional e grande produtor de café, aumentou suas compras do solúvel brasileiro em 178,2%, totalizando 130.029 sacas. Indonésia, México e Vietnã também figuram entre os principais compradores.

Consumo interno bate recorde histórico

Se o mercado externo trouxe desafios logísticos e tributários, o cenário doméstico mostrou força. O consumo de café solúvel dentro do Brasil atingiu o recorde de 1,2 milhão de sacas em 2025.

O aumento na receita cambial total (14,4% superior a 2024), apesar da queda no volume exportado, é explicado pela valorização das cotações das matérias-primas no campo. Tanto o café arábica quanto os canéforas (conilon e robusta) tiveram alta de preços, o que elevou o valor final do produto processado.

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