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Chuva alivia situação de lavouras, mas preço do café vai continuar em alta

Precipitações favorecem produção de café arábica, mas o excesso de umidade preocupa produtores de robusta no Espírito Santo

VIVIANE TAGUCHI

28/01/2026 • 11:39 • Atualizado em 28/01/2026 • 11:39

Chuvas aliviam situação de lavouras de café arábica, mas ameaçam produção de robusta

Chuvas aliviam situação de lavouras de café arábica, mas ameaçam produção de robusta

Pixabay

Resumo

Chuvas volumosas beneficiaram regiões produtoras de café arábica em Minas Gerais e São Paulo, trazendo alívio após estresse climático e favorecendo o enchimento de grãos, segundo o Cepea.

Excesso de chuva em áreas produtoras de café robusta no Espírito Santo gerou preocupação devido a alagamentos e risco aumentado de doenças fúngicas, ameaçando a produtividade das lavouras afetadas.

Mercado do café permanece volátil por falta de estimativas precisas da safra, enquanto oscilações do dólar e do cenário econômico global impactam diretamente os preços internos e as exportações brasileiras.

As chuvas volumosas que atingiram as principais regiões produtoras de café no Brasil nos últimos dias trouxeram um alívio esperado para quem cultiva a variedade arábica, cultivada principalmente em Minas Gerais e São Paulo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a umidade chegou em um momento crucial após o forte estresse climático registrado no final de 2025.

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Para o setor, essa água no solo é fundamental para o "enchimento de grãos". Esse termo técnico nada mais é do que a fase em que o fruto do café ganha peso e qualidade, definindo o sucesso da colheita. Com mais umidade, a planta consegue se recuperar e garantir um desenvolvimento mais saudável da safra. O problema é que nas demais regiões, que cultivam a variedade robusta, o excesso de umidade pode trazer problemas, como o aumento da incidência de doenças fúngicas nas plantas, na próxima safra.

Alerta para o café robusta no Espírito Santo

Se para as variedades arábicas a chuva foi motivo de comemoração, para os produtores de café robusta (também conhecido como conilon) o cenário é de alerta. Pesquisadores do Cepea apontam que o excesso de chuva em áreas ao norte do Espírito Santo causou preocupação. Em algumas propriedades, o volume de água foi tão alto que chegou a alagar talhões — que são as divisões ou blocos de plantio dentro de uma fazenda. O solo encharcado demais facilita o aparecimento de doenças e fungos, o que pode prejudicar a produtividade dessas plantas em curto prazo.

Mesmo com a melhora no clima para parte das lavouras, o consumidor e o produtor não devem esperar estabilidade nos preços agora. O Cepea indica que a volatilidade — aquela oscilação frequente nos valores — deve permanecer nos próximos meses.

Isso acontece porque o mercado ainda aguarda números mais precisos sobre o tamanho real da safra deste ano. Enquanto não houver uma estimativa clara de quantas sacas serão colhidas, o preço do café na bolsa de valores e nas prateleiras continua subindo e descendo conforme as notícias do campo.

O impacto do dólar e da economia global

Além do clima, outros fatores "fora da porteira" mexem com o bolso de quem produz e de quem bebe café. O cenário econômico mundial e o valor do dólar são peças-chave nessa conta.

Como o café é uma commodity, ou seja, um produto negociado globalmente com preços baseados no mercado internacional, qualquer variação na moeda americana reflete diretamente nas cotações internas no Brasil. O setor segue atento para entender como o câmbio influenciará as exportações e o custo de produção nesta temporada.