
Lavoura de wasabi no Japão
Reprodução/Redes Sociais
Resumo
Produção comercial de wasabi verdadeiro ocorre exclusivamente em Pilar do Sul, interior de São Paulo, abastecendo apenas restaurantes de alta gastronomia com rizoma fresco cotado entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por quilo, enquanto o mercado comum consome imitação feita de raiz-forte, mostarda e corantes.
Engenheiro agrônomo Vinícius Shizuo Abuno lidera cultivo nacional em condições técnicas rigorosas, com produção mensal limitada e exigências de água corrente gelada e controle de temperatura, simulando o ambiente natural das montanhas japonesas.
Valor elevado do Hon Wasabi reflete ciclo produtivo de 18 a 24 meses, necessidade de tecnologia hidráulica e climatização, além da volatilidade do sabor, que exige o rizoma ralado na hora do consumo e impossibilita comercialização em pasta pronta.
Você sabia que a pasta verde picante servida na maioria dos restaurantes japoneses provavelmente não é wasabi? O produto autêntico, conhecido como Hon Wasabi, é uma iguaria rara que chega a custar entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por quilo no Brasil. Produzido em escala comercial exclusivamente no município de Pilar do Sul, no interior de São Paulo, o verdadeiro condimento abastece apenas a alta gastronomia, enquanto o mercado comum consome uma imitação à base de raiz-forte e corantes.
Para o consumidor brasileiro acostumado com a culinária oriental popular, o sabor do wasabi é associado a uma pasta verde pastosa e extremamente ardida. No entanto, o que está no prato da maioria é, na verdade, uma mistura industrializada.
Devido à extrema dificuldade de cultivo da planta original, o mercado desenvolveu um substituto feito de Armoracia rusticana (conhecida como raiz-forte), mostarda e corantes alimentícios verdes. Essa versão, encontrada em supermercados e delivery, custa uma fração do preço, variando entre R$ 50,00 e R$ 150,00 o quilo no varejo.
Já o wasabi verdadeiro (Wasabia japonica) não é uma raiz comum, mas sim um rizoma — um tipo de caule subterrâneo capaz de emitir novas raízes e brotos. Ele pertence à família das Brassicaceae, a mesma da couve e do brócolis, e possui características organolépticas (sabor e aroma) muito mais complexas e delicadas do que a sua imitação.
Wasabi paulista
O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário agrícola dessa cultura. O país possui a única produção em escala comercial de wasabi de toda a América Latina. O cultivo está localizado em Pilar do Sul, cidade na região de Sorocaba (SP).
O engenheiro agrônomo Vinícius Shizuo Abuno, da Minato Wasabi, é o responsável por esse feito no agronegócio nacional. A produção é extremamente técnica e limitada, girando em torno de 10 a 15 quilos mensais em períodos recentes. Diferente das culturas tradicionais como soja ou milho, o wasabi exige condições muito específicas para prosperar.
A planta demanda água corrente, límpida e gelada, simulando o ambiente natural das montanhas do Japão, como na Península de Izu. Além disso, o controle de temperatura deve ser rigoroso, o que torna o manejo um desafio constante em um país tropical.
Por que o preço é tão elevado?
O valor de mercado do rizoma fresco, cotado entre R$ 6.000,00 e R$ 10.000,00 o quilo, reflete a complexidade do seu ciclo produtivo. Para que o rizoma atinja o ponto ideal de colheita, são necessários de 18 a 24 meses de cultivo intensivo. Esse longo período, somado à necessidade de tecnologia hidráulica e climatização, encarece o produto final. Por isso, o Hon Wasabi é direcionado quase que exclusivamente para restaurantes que servem o omakase (menu degustação de luxo), onde o cliente paga pela experiência da autenticidade.
Outra característica que diferencia o produto original da imitação é a sua volatilidade. O wasabi verdadeiro deve ser ralado na hora do consumo, tradicionalmente utilizando um ralador feito de pele de tubarão.
Após ser ralado, o rizoma libera seus compostos aromáticos, que atingem o pico de sabor em poucos minutos e logo começam a oxidar. Isso torna inviável a sua comercialização na forma de pasta pronta em bisnagas, como ocorre com a raiz-forte.
Para o agronegócio brasileiro, o sucesso da produção em Pilar do Sul prova que o país tem capacidade técnica para diversificar suas culturas, investindo não apenas em commodities de larga escala, mas também em produtos de nicho e altíssimo valor agregado.
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