Agro

Preço do feijão sobe mais após geadas reduzirem oferta no Sul do país

Levantamento do Cepea aponta valorização dos grãos carioca e preto; umidade excessiva nas lavouras do Paraná exige uso de secadores e encarece o produto

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18/05/2026 11:37 • Atualizado há 160 dias

Preço do feijão sobe mais após geadas reduzirem oferta no Sul do país

Os preços do feijão, que já vinham em uma tendência de alta de preços devido à escassez de produto na entressafra, aumentou ainda mais em maio devido ao clima. De acordo com os pesquisadore do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), a alta atinge tanto o feijão carioca quanto o preto. O fenômeno reflete as incertezas enfrentadas pelos produtores, especialmente na região Sul do Brasil.

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O cenário de preços elevados no campo já começa a ser sentido na ponta final da cadeia. Os analistas do setor observam que as valorizações registradas para o produtor estão sendo repassadas de forma gradual ao consumidor final nos supermercados. Esse ajuste ocorre enquanto o mercado monitora os danos causados por quedas bruscas de temperatura nas principais áreas produtoras.

A alta é explicada tecnicamente pela "restrição de oferta", o que significa que há menos produto disponível para venda em relação à procura dos compradores. Quando o volume colhido diminui ou o acesso ao grão de qualidade fica difícil, a tendência natural é a elevação dos preços.

Para os consumidores, a saída é optar por outros tipos de feijões, como o vermelho ou branco.

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Impactos climáticos e a colheita no Paraná

Atualmente, o Paraná concentra a maior parte da demanda de feijão no país. O estado vive o ritmo de colheita, mas o processo enfrenta desafios operacionais devido ao excesso de chuvas em algumas regiões. Muitos grãos apresentam o que os técnicos chamam de "elevada umidade".

Essa condição obriga os produtores a investirem no processo de secagem. O uso de secadores industriais é necessário para retirar o excesso de água do feijão antes que ele seja armazenado ou ensacado. Esse procedimento gera custos adicionais de energia e logística, o que contribui para pressionar os preços para cima na origem.

Além disso, o movimento de cautela entre os agentes do mercado aumentou consideravelmente após o registro de geadas. O fenômeno ocorreu no início da semana nas regiões produtoras do Sul do Brasil. A geada acontece quando o vapor de água próximo ao solo congela, formando uma camada de gelo que pode queimar as folhas e comprometer o desenvolvimento da planta.

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Avaliação de perdas em áreas de baixada

As geadas atingiram com maior intensidade as chamadas "áreas de baixada". Essas zonas são regiões de relevo mais baixo onde o ar frio, por ser mais denso, costuma se acumular com facilidade durante a madrugada. O impacto direto nessas lavouras ainda está sob avaliação minuciosa por parte de agrônomos e pesquisadores.

A incerteza sobre o volume total da safra que poderá ser aproveitada mantém os compradores em alerta. Enquanto os prejuízos reais não são contabilizados, a oferta permanece limitada. O Cepea reforça que a conjuntura atual favorece a manutenção de preços firmes no curto prazo para os dois principais tipos de feijão consumidos no Brasil.

O setor agora aguarda a estabilização do clima para definir o rumo das cotações nas próximas semanas. A expectativa é que o ritmo de colheita no Paraná e a confirmação da extensão dos danos no Sul determinem se o feijão continuará em trajetória de alta para o bolso do consumidor. Como o feijão é um item essencial na cesta básica, qualquer variação nos custos de produção no campo gera reflexos imediatos nos índices de inflação de alimentos.

Preço do feijão sobe mais após geadas reduzirem oferta no Sul do país