Patrícia se apaixonou por Nicolas, mas o conto de fadas logo mostrou suas rachaduras. Mesmo com sinais de infidelidade desde o início e a indiferença dele durante a gravidez, ela seguiu em frente. No entanto, a descoberta de uma traição cruel enquanto cuidava da filha recém-nascida, Maitê, destruiu seu mundo e sua autoestima. Agora, ela compartilha sua jornada dolorosa de reconstrução. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta terça-feira (21).
Amar é se arriscar. E, às vezes, o preço desse risco é alto demais... Eu não sou mais a mesma de antes porque a dor me destruiu, mas ela também me fez renascer com mais amor por mim mesma.

Patrícia conta sua história no 'Quem Ama Não Esquece' (Foto: Band FM)
Eu trabalhava em uma drogaria e um dia, um rapaz bonito entrou e fui atendê-lo.
— Ah, tá ótimo. Muito obrigado.
— Imagina. É só isso mesmo que você precisa?
— Não. Não é só isso.
— Pois não. Pode falar que eu ajudo.
— Quase que eu esqueci... eu preciso também do seu telefone.
Ousado... e eu adorei isso nele. Eu passei o meu número e também o adicionei em todas as redes sociais. Por coincidência, nós até tínhamos alguns amigos em comum. Podia ser o destino... quem sabe?
Logo nós começamos a sair e a ficar com frequência, mas ele não me assumia por nada. Então, eu decidi dar um gelo e me afastar um pouco. Foi aí que ele veio atrás de mim e me pediu oficialmente em namoro.
No começo, tudo era maravilhoso. Ele me dava atenção, carinho, e mesmo tendo um filho, sempre arrumava um tempo para nós dois. Eu, inclusive, comecei a cuidar da criança como se fosse minha, e durante um bom tempo, nós vivemos em perfeita harmonia.
Com o passar dos meses, ele foi se aproximando cada vez mais até que, sem que eu percebesse, ele já tava morando comigo. E foi justamente aí que as coisas começaram a mudar...
Sinais de alerta ignorados
Eu comecei a reparar que, nas redes sociais, ele curtia fotos de outras mulheres, comentava, trocava mensagens, até com uma mulher casada. Eu cheguei a flagrar algumas conversas, mas eu preferi relevar porque na minha cabeça não era nada tão grave assim... Mesmo que ele sempre apagasse tudo bem rápido, como quem tem algo a esconder.
Mas além dessa questão, todo fim de semana a gente ficava como filho dele e nunca mais nós pudemos ter um momento só nosso, diferente daquele começo em que ele sempre arrumava tempo para mim. Eu sabia que era o filho dele, mas eu só queria tem um tempo para poder viver como um casal de verdade às vezes.
Por causa disso, a família dele começou a me julgar. As minhas cunhadas eram muito próximas da ex dele e, com o tempo, eu descobri que elas falavam mal de mim para ela. Eles criaram na cabeça deles que eu tava tentando afastar o filho dele, quando, na verdade, eu só queria um dia de adultos, um momento a dois. Só isso. É pedir muito?
Ele sabia que nada daquilo era verdade, mas ele nunca me defendia. Quando falavam essas bobagens, ele ficava em silêncio, como se não fosse com ele e deixava a própria família falar o que quisesse sobre mim.
E não parava por aí... Ele também não me levava mais para sair, não comprava nada para mim e ainda deixava a ex fazer birra sem se importar. Era como se eu não merecesse nem o mínimo de atenção e consideração. Com o tempo e com esse jeito indiferente dele, eu comecei a perder o amor que eu sentia, mesmo que eu continuasse insistindo em algo que, no fundo, já deveria ter acabado.
A gravidez solitária e dolorosa
Até que, em dezembro de 2023, quando a ideia de terminar ganhava cada vez mais força na minha cabeça, eu descobri que estava grávida.
Pois é! Grávida! E aí, as coisas que já estavam ruins, só pioraram. Ele piorou. Não me acompanhava nas consultas e nem parecia se importar de verdade com nossa filha. Eu precisava implorar para que ele colocasse a mão na minha barriga. Era horrível! Eu estava extremamente sensível, com todas aquelas mudanças no meu corpo, e me sentia cada vez mais desprezada por ele.
Eu sempre sonhei com um ensaio de gravidez, sabe? Aquelas fotos lindas, em um parque, a mãe, o pai e o barrigão... mas nem isso ele quis fazer. Eu cheguei a ser deixada sozinha na rua duas vezes, simplesmente por falta de paciência dele. E além de tudo, ele passava dias e mais dias sem me procurar. Foi assim que eu comecei a suspeitar de uma traição.
— O que foi?
— Fala a verdade.
— Que verdade, Patricia?
— Você tá me traindo?
— Não! Eu não tô te traindo. Eu tô com uns problemas. Não é nada com você. Sou eu.
Mas as palavras dele já não valiam nada para mim.
Em agosto de 2024, minha tão sonhada menina, Maitê, nasceu. Linda, perfeita... mas quem já passou pelo puerpério sabe como é complicado. São tantas mudanças, tantas coisas para aprender! É um momento lindo, mas também desafiador e eu enfrentava tudo completamente sozinha. Eu chorava muito e, com tanto cansaço, tinha até alucinações de sono. Enquanto isso, ele chegava do serviço, mal dava atenção para mim e para a filha e só ficava sempre grudado no celular, muitas vezes em casas de apostas. Essa era a nossa rotina com uma bebê em casa.
Depois de um tempo, do nada, ele começou a me procurar. Mas, nesse ponto, eu já tinha sofrido demais. Eu me sentia tão mal, tão feia, com a autoestima no chão e depois de tudo que eu passei, eu já não queria mais nada com ele... eu já não tinha ânimo para as promessas dele de mudança ou de amor.
A descoberta devastadora no computador
Quando minha filha tava com 3 meses de vida, eu precisei fazer algumas coisas no computador e aí, assim que eu comecei a mexer, tudo apareceu na minha frente.
Abriu uma página de um aplicativo de conversa que ele tava usando naquele exato momento lá do serviço. Eu vi... Vi mensagens dele com uma mulher. Meu namorado, o pai da minha filha, tava conversando com uma mulher do trabalho dele com quem ele me traia.
Às 9 horas da manhã, ele tava falando coisas como: "Não vejo a hora de te ver". "Quando eu te vejo pelos corredores, eu não me aguento"... e o pior, ele falava até de mim: "A Patrícia? Eu sinto dó dela. Por isso eu não largo". Ainda tinha coisas baixas, coisas feias, e ele pedindo para ela tomar cuidado com as mensagens para ninguém descobrir o caso deles.
Transtornada de raiva, eu mandei uma mensagem naquela conversa que eles tavam tendo e na mesma hora, a janela sumiu. Ele sabia que eu tinha visto. Ele sabia.
O confronto e a máscara da vítima
Com ódio, eu juntei todas as roupas dele e tudo o que tinha daquela casa, coloquei num saco de lixo, deixei na minha porta e só mandei uma mensagem mandando ele ir buscar.
Ele não teve coragem nem de responder a mensagem. E quando ele chegou em casa, ficou esmurrando na porta, implorando para entrar.
— Patrícia, por favor, para com isso.
— Vai embora. Sai daqui.
— Deixa eu entrar. A gente precisa conversar
— Não tem conversa. Pega as suas roupas e vai embora. Para! Para de bater! Sua filha tá dormindo aqui. Sua filha, lembra? Sua filha de 3 meses.
— Você tá sendo radical. Eu nem conheço aquela mulher pessoalmente, eu juro. Não foi nada demais.
Ele ainda teve a cara de pau de ir chorando pra casa dos pais, dizendo que tinha perdido a família, a filha, e que se arrependia de tudo. Ele conseguiu! Fez todo mundo ficar com pena dele, como se ele fosse a vítima da história. E ainda jurava de pé junto que não conhecia a mulher pessoalmente.
Ah, tá… com aquelas mensagens cheias de intimidade, de risadinhas e apelidos, e não conhecia? Sei. Cínico, falso, sonso!
Eu descobri depois, que a tal mulher também era casada e mandei tudo, todos os prints para o marido dela. Eu não sei se eles se separaram, mas, pelo que eu vi, ele não gostou nem um pouco das mensagens...
Mesmo depois de tudo, o pai da minha filha ainda tenta voltar comigo, mas eu não aceito agora e nem vou aceitar depois. No momento em que eu mais precisei, ele simplesmente soltou a minha mão. Enquanto eu cuidava da filha dele recém-nascida em casa sozinha, ele fazia sei lá o que com outra na rua. Eu ainda lembro daquela mensagem, ele dizendo que tinha dó de mim... Dó... Dó de quê? Pois agora ele que fique com a dó dele lá na casa dos pais dele.
Reconstruindo o amor próprio após a dor
Hoje, nove meses depois, eu sigo tentando me levantar. Às vezes me pego pensando se um dia ainda vou ser amada de verdade e se vale mesmo a pena ainda acreditar no amor.
A minha autoestima ficou em pedaços. Eu me sinto quebrada, destruída, outra Patrícia. Eu tento ser forte, mas a verdade é que eu choro muito e quando me olho no espelho, eu nem me reconheço.
Às vezes, de verdade, eu acho que isso nunca vai passar e que eu nunca vou me recuperar.
Mas eu sigo tentando, eu sigo lutando para conseguir me amar de novo e me reconstruir. Eu aprendi, da forma mais dolorosa, que antes de amar alguém, a gente precisa se amar primeiro. E eu… eu deixei de me amar para amar ele.
Eu me quebrei por amor, mas agora eu estou colando os pedaços por mim. Porque o que ele destruiu, eu vou reconstruir com amor próprio. Eu já amei demais quem não merecia. Agora, a minha missão é me amar o suficiente pra nunca mais aceitar menos do que eu mereço.


