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Instinto paterno 'destruiu' casamento de Eugênio: 'Largava tudo por eles'

Eugênio reconhece que negligenciou Luciana e agora implora por uma chance; veja no Quem Ama Não Esquece

Da redação
DA REDAÇÃO

28/10/2025 • 14:19 • Atualizado em 28/10/2025 • 14:19

Eugênio viveu o luto pela morte de Roseli, sua esposa por 28 anos, acreditando que nunca mais amaria. A vida, porém, o surpreendeu ao colocar Luciana em seu caminho, reacendendo seu coração. O casal foi morar junto e tudo parecia perfeito, até que o "instinto paterno" de Eugênio e a interferência de seus filhos adultos começaram a minar a relação. Priorizando os filhos e a si mesmo, ele cometeu erros que levaram Luciana ao limite. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta terça-feira (28).

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Às vezes, a vida nos dá uma segunda chance de amar, mas nem sempre a gente sabe como cuidar dessa chance...

Eu vivi 28 anos ao lado de uma grande mulher. A Roseli foi minha companheira, minha amiga, a mãe dos meus três filhos e o amor que eu acreditava que seria o único da minha vida.

Mas... mas há dez anos, um infarto levou embora a minha razão de viver. A dor foi tão grande, tão profunda, tão intensa, que eu realmente achei que não ia conseguir seguir em frente.

Eu acreditei, de verdade, que eu nunca mais voltaria a sorrir e que meu coração tinha se fechado de vez para o amor.

Até que, em 2016, quando eu já não esperava mais nada, a vida me surpreendeu. Eu trabalhava em um restaurante quando a Luciana entrou.

Eu lembro como se fosse hoje: ela atravessou aquele corredor e, sem perceber, eu fui seguindo cada passo que ela dava, com o coração disparado.

Nos dias seguintes, eu mal conseguia disfarçar o meu interesse. Eu fazia de tudo pra cruzar com ela pelos corredores, inventava motivos pra puxar conversa e até comecei a chegar mais cedo no trabalho, só pra ter a chance de ter mais tempo ao lado dela, já que ela chegava antes.

Até que um dia, depois de muito enrolar, eu criei coragem, abri o meu coração e falei... falei de uma vez que gostava dela. Eu tava tão nervoso, tão ansioso, tão cheio de expectativas!

Mas ela só me olhou e... e não disse nada em especial. Eu pensei, claro, que ela não estivesse sentindo o mesmo.

A virada inesperada: 'Nós vamos sair'

Mas, pouco tempo depois...

— Eugênio, amanhã nós vamos sair.

— Nós... nós vamos? Eu e você?

— Aham. Nós dois. Eu não sei para onde, mas nós vamos. Você vai me levar onde quiser levar.

— Claro! Claro, Luciana! Eu vou pensar aqui. Eu vou escolher um lugar muito bonito. Você vai amar.

— Hum, quero só ver, hein? Amanhã, então. Combinado.

Naquela noite, eu nem consegui dormir. O meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu só ficava imaginando como seria aquele encontro. O que eu ia dizer? O que ela ia pensar? Como seria?

O frio na barriga era o mesmo de um garoto apaixonado pela primeira vez, e eu confesso que tava morrendo de medo.

Mas quando a hora chegou, tudo foi melhor do que eu esperava. A conversa, as risadas, o jeito dela... E no fim, ainda aconteceu o nosso primeiro beijo.

'Percebi que estava vivo de novo'

Foi ali que eu percebi que estava vivo de novo. Eu era um homem feliz outra vez.

Tudo ganhou cor, tudo parecia motivo pra sorrir... Depois de tanta dor, eu tava voltando a sentir o que achava que nunca mais seria possível: o amor.

A Luciana me deu a chance de conhecer, outra vez, o prazer de ser amado e eu vivi essa segunda oportunidade como se fosse um milagre.

Nós começamos a namorar e parecia que tudo estava se encaixando na minha vida. Em 2018, eu finalmente realizei o meu grande sonho de me formar em História e poder assim lecionar em escolas.

Para minha sorte, logo surgiu uma oportunidade de trabalhar no bairro onde ela morava, mas tinha um problema. Era perto da casa dela, mas muito, muito longe da minha. Além disso, o salário não era tão bom.

Já no restaurante, eu ganhava bem, mas não era o que eu queria para a minha vida. Era uma decisão difícil e eu sabia que precisava escolher o que realmente fazia sentido para o meu futuro e, de certa forma, para o nosso futuro juntos.

Mas todas as minhas dúvidas desapareceram no momento em que Luciana me convidou para morar com ela. Ela me apoiou em tudo, me segurou nos momentos de dúvida e nunca deixou que eu desistisse.

Se hoje sou professor, eu devo isso a ela... Sempre que eu precisava, a Luciana estava lá, pronta para ajudar. Aquela mulher era simplesmente maravilhosa.

Eu estava tão feliz… Eu comecei a ensinar e, ao mesmo tempo, fui morar com a mulher mais incrível do mundo. No início, tudo parecia perfeito.

Novo namoro?!

Mas não demorou para os problemas começarem a aparecer... Os meus filhos já eram adultos e um dia, ela me perguntou por que eu ainda não tinha apresentado eles.

Eu, para ser sincero, nem tinha pensado nisso e quando ela pediu para conhecê-los, eu não achei que isso seria um problema, mas a verdade é que foi.

Os meus filhos não gostaram da ideia de eu namorar. Parecia que eles queriam que eu vivesse um luto eterno pela mãe deles.

E quando o encontro aconteceu, não foi fácil. O clima ficou estranho, e a Luciana não se sentiu à vontade. Foi ali que a primeira tensão começou a surgir entre nós.

Hoje, com a clareza que só o tempo traz, eu reconheço que o meu comportamento na época poderia, e deveria, ter sido totalmente diferente. Olhando para trás, eu vejo com muita clareza que muitos dos desafios que a gente enfrentou no nosso convívio foram, em grande parte, por conta das minhas próprias atitudes.

'Negligenciei a relação com Luciana'

Aquele conflito entre a Luciana e os meus filhos foi criando um ambiente de tensão que eu... eu não soube administrar como deveria. Por lealdade e instinto paterno, eu me precipitava para ser o porto seguro deles.

Eu deixava tudo o que estava fazendo de lado e sempre largava tudo e todos, quando eles pediam qualquer coisa.

Nesse processo, e sem perceber a gravidade do meu erro, eu acabei negligenciando a Luciana, aquela mulher que era e continua sendo maravilhosa. Ela... ela não merecia passar por nada daquilo.

— Sério? De novo? Você precisa mesmo ir? — Preciso, amor. Eles tão precisando da minha ajuda... — Mas é meu dia de folga. Eu queria tanto um tempo só pra gente. Eu tinha planejado tudo e... — Eu sei, meu amor, mas eu preciso ir. — Poxa, mas outra vez? Eles já são adultos. — Vai ser rápido, Luciana. Eu prometo que, quando eu voltar, eu vou ser todo seu. — Tudo bem, Eugênio. Tudo bem.

O segundo grande erro

Foi na pandemia que tudo começou a piorar. Nós enfrentamos muitas dificuldades financeiras, mas foi nesse momento tão difícil, que eu cometi meu segundo grande erro.

Em vez de focar na estabilidade e procurar um emprego melhor, eu decidi estudar Direito.

Enquanto a Luciana se desdobrava em plantões exaustivos em dois hospitais, dedicando a vida para manter as contas pagas e garantir nosso futuro, eu só tava lidando com os altos e baixos financeiros de ser professor, e preocupado com a minha nova faculdade, e a minha própria vida.

Hoje, eu reconheço que essa distância e o cansaço acabaram afastando a gente ainda mais, mas eu só percebi tarde demais...

Chegou um ponto em que nossos corpos não se encontravam mais, as conversas se tornaram superficiais. E o que antes era um relacionamento quente e cheio de amor, se transformou em vazio. Era só briga. Briga atrás de briga.

— Sabe o que você é, Eugênio? Sabe?

— Luciana, por favor, chega disso.

— Um narcisista! É isso o que você é. Alguém que só olha pra si próprio, que não tem empatia, arrogante. Você só preocupa com você.

— Eu te amo, Luciana. Eu te amo! Já ouviu algum narcisista falando que ama? Eu posso ser burro, posso ter errado, mas isso eu não sou.

— Para de mentir. Chega... chega disso! Eu não aguento mais.

O adeus silencioso

Eu já vivia em um quarto no quintal, e o afastamento entre nós tinha chegado a um ponto em que eu não conseguia mais correr atrás. Foi então que tomei a maior decisão da minha vida e resolvi voltar para a minha cidade de origem.

Eu precisava me ajeitar, por cabeça no lugar, resolver essas pendências emocionais e colocar minha vida em ordem... para, quem sabe, voltar para ela melhor.

Mas eu não abri o jogo sobre essa minha decisão. Eu guardei para mim. No final do ano letivo de 2023, quando acabasse o meu contrato, eu ia partir. Era o melhor.

Pela primeira vez, eu saí de um lugar de que não queria me afastar… do lado dela. A Luciana era incrível, e tinha ainda a Adriana, filha dela, que se tornou como uma filha para mim também.

Ela sempre dizia que eu era um ótimo pai para ela. Eu fui embora com a esperança de um recomeço, juro que fui.

Era um tempo, era para ajustar as coisas, resolver os problemas, só isso. Mas a vida é imprevisível e... e infelizmente eu e a Luciana, nunca mais voltamos a ficar juntos.

Eu sei que cometi muitos erros, principalmente o de não conversar com ela quando eu me sentia perdido. Mas eu ainda tenho muita, muita esperança de ter a Luciana de novo nos meus braços.

A sensação que fica, é que não era para ter terminado e que a gente tinha muita história pela frente. Hoje, eu vivo sozinho, enfurnado em um apartamento sofrendo de saudade e solidão.

O que eu mais peço a Deus é que me conceda mais uma chance… uma só, pra recomeçar ao lado dela.

Eu não sei em qual encarnação a vida vai permitir que eu fique com você, Luciana, mas eu quero muito que seja nesta. Eu te amo. E como diz o nome… quem ama, não esquece.

Eu nunca vou te esquecer. Luciana, mesmo errando, mesmo te perdendo… a música “Por Você”, do Sorriso Maroto, sempre será a nossa trilha sonora.

Te amo. Hoje, amanhã… e sempre.