A Câmara Municipal de Curitiba aprovou, nesta segunda-feira, 1, a instalação de uma comissão processante para analisar o pedido de cassação do vereador Lórens Nogueira, do PP. O parlamentar é investigado por suposta prática de rachadinha e peculato.
A votação teve 35 votos favoráveis à continuidade do processo. Apenas Lórens, alvo do pedido, votou contra. A denúncia foi apresentada pelo Partido Novo.
Sessão marca primeira fala de Lórens sobre o caso
A votação abriu a ordem do dia na Câmara. Os denunciantes e o corregedor não participaram da análise e foram substituídos por suplentes.
A sessão também marcou a primeira vez que Lórens Nogueira falou publicamente sobre o caso. O advogado do vereador esteve presente e tentou adiar a análise do pedido.
“Nos últimos dias optei pelo silêncio, não por covardia, nem por falta do que dizer, preciso proteger a minha família que não tem nada a ver com essa investigação. Mas também recebi ameaças, o que torna esse momento ainda mais delicado. Vimos esse episódio sendo usado de forma intensa politicamente, ainda mais em um ano eleitoral”, disse Lórens Nogueira.
Comissão terá 90 dias para concluir processo
Após a aprovação do pedido, um sorteio definiu os três vereadores que vão compor a comissão processante.
Serginho do Posto, do PSD, será o presidente. Mauro Bobato, do PP, será o relator. Da Costa, do Podemos, também será membro da comissão.
O prazo para conclusão do processo é de 90 dias. A comissão deve analisar primeiro a defesa prévia do vereador. Se decidir dar sequência ao caso, poderá ouvir testemunhas antes de apresentar um relatório.
Se o relatório recomendar a cassação, o processo volta ao plenário da Câmara.
“Nós teremos as oitivas e deixar claro a transparência nesse caso. Nós pediremos documentos ao Gaeco e ao MP para utilizar nesse processo”, disse Serginho do Posto, presidente da comissão.
Vereador foi alvo de operação do Gaeco
Lórens Nogueira foi alvo de uma operação do Gaeco na semana passada. A ação terminou com a apreensão de mais de R$ 100 mil em espécie em endereços ligados ao vereador.
Segundo o Ministério Público, o parlamentar exigia parte dos salários de assessores comissionados como condição para que eles fossem mantidos nos cargos.
No processo, um vídeo anexado mostra Lórens Nogueira recebendo dinheiro vivo de uma assessora.
Lórens está no primeiro mandato na Câmara de Curitiba. Ele foi eleito em 2024 com quase 5 mil votos.
Vereador nega irregularidades
Lórens Nogueira nega irregularidades e afirma que o contexto do vídeo obtido pelo Gaeco será esclarecido às autoridades.
“O que as imagens mostram é uma transação financeira entre pessoas que se conhecem e mantêm relação e confiança há muitos anos. Esse tipo de situação entre pessoas com esse histórico é absolutamente normal e não configura ilícito. O contexto completo será esclarecido no lugar e no momento adequado perante as autoridades competentes”, disse o vereador.
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