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Vídeo mostra vereador de Curitiba contando dinheiro em caso de rachadinha

Lórens Nogueira, do PP, é investigado pelo Gaeco por rachadinha, e vereadores pedem abertura de processo de cassação na Câmara

Da redação
DA REDAÇÃO

27/05/2026 • 08:59 • Atualizado em 01/06/2026 • 13:14

Um vídeo obtido durante a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, mostra o vereador de Curitiba Lórens Nogueira, do PP, recebendo e contando dinheiro entregue por uma servidora comissionada ligada ao grupo político do parlamentar. As imagens fazem parte da Operação Déjà-vu, que apura suspeita de rachadinha e peculato.

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Segundo a investigação, a servidora entregou R$ 5,6 mil ao vereador dentro do Instituto Grupo Solidário, no bairro Xaxim, em Curitiba. O valor seria referente à devolução de parte dos salários dos meses de março e abril.

A gravação foi feita durante uma ação controlada autorizada pela Justiça. Nesse tipo de procedimento, os investigadores acompanham a movimentação dos suspeitos para documentar os fatos e aprofundar a apuração.

Vídeo é citado em decisão judicial

A decisão judicial que autorizou a operação cita que, durante a investigação, foram usadas técnicas especiais, como captação ambiental e ação controlada. O documento afirma que houve registro audiovisual da entrega e do recebimento de dinheiro pelo investigado em 30 de abril de 2026.

O mesmo documento aponta que a investigação começou após denúncia anônima sobre suposta exigência de devolução de parte dos salários de servidores comissionados do gabinete. A prática é conhecida como rachadinha.

Segundo a decisão, uma servidora compareceu espontaneamente ao Gaeco e relatou que ocupava cargo público por indicação do vereador. Ela afirmou que, mensalmente, teria que entregar parte da remuneração em dinheiro como condição para permanecer no cargo.

Prisão preventiva não foi decretada

Mesmo com o vídeo citado na investigação, a prisão preventiva de Lórens Nogueira não foi decretada naquele momento. O Ministério Público pediu a medida, mas a Justiça entendeu que a prisão seria prematura nesta fase da apuração.

Na decisão, a Justiça considerou que as buscas, a apreensão de documentos e a extração de dados de celulares e computadores poderiam fortalecer a investigação sem necessidade imediata da prisão preventiva.

A decisão também deixa aberta a possibilidade de nova análise caso surjam novos elementos concretos que indiquem a necessidade de uma medida mais grave.

Gaeco apreende dinheiro, documentos e eletrônicos

A Operação Déjà-vu cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador e a pessoas investigadas. Entre os locais estavam a residência de Lórens Nogueira, o escritório político, o Instituto Grupo Solidário e o gabinete parlamentar na Câmara Municipal de Curitiba.

Durante a operação, foram apreendidos quase R$ 120 mil em dinheiro, além de equipamentos eletrônicos e documentos que serão analisados pelos investigadores. Segundo o material da apuração, parte dos valores foi encontrada em malas e mochilas.

A decisão judicial também autorizou a apreensão de celulares, computadores, HDs, documentos físicos e digitais, registros financeiros, anotações e valores em espécie sem comprovação de origem lícita.

Promotora diz que mala com dinheiro reforça suspeita

Durante a operação, o Gaeco apreendeu uma quantia considerada relevante pelos investigadores. A promotora de Justiça Nicole Pilagallo afirmou que a existência de uma mala com dinheiro reforça a suspeita de que a prática investigada não seria recente.

“A gente tinha notícias que de fato ele guardava dinheiro em uma mala. A gente não sabia onde essa mala estava. Mas isso demonstra algo que isso não é de hoje, que havia esse recolhimento, o que se confirmou hoje. Uma mala com alto volume de recursos não é de um mês só, evidentemente, demonstra que a prática mais consolidada mesmo”, disse Nicole Pilagallo.

Vereadores pedem cassação de Lórens Nogueira

A bancada do Partido Novo na Câmara Municipal de Curitiba protocolou, na noite desta terça-feira, 26, um pedido de cassação do mandato de Lórens Nogueira por quebra de decoro parlamentar.

A representação foi apresentada pelos vereadores Guilherme Kilter, Indiara Barbosa, Amália Tortato, Éder Borges e Bruno Secco.

O pedido tem como base as investigações conduzidas pelo Gaeco na Operação Déjà-vu, que apura suspeita de rachadinha, desvio de função de servidores públicos e uso da estrutura pública para fins particulares.

Na representação, os parlamentares pedem a abertura de processo disciplinar contra Lórens, o compartilhamento das provas produzidas pelo Ministério Público e, ao final, a cassação do mandato.

Gaeco deve definir próximos passos

Segundo o promotor de Justiça Fernando Cubas César, a operação desta terça-feira teve como objetivo coletar mais informações para aprofundar a investigação.

“Hoje foi o momento de coletar maiores informações. Elas serão analisadas. Foram apreendidos celulares, computadores, e daí, no bojo dessas informações, nós vamos decidir os próximos passos”, afirmou Fernando Cubas César.

Nota da Câmera Municipal de Curitiba

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) informa que tomou conhecimento, nesta terça-feira (26), da operação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), envolvendo investigação contra o vereador Lorens Nogueira relacionada a possíveis irregularidades. Desde o primeiro momento, a Casa vem colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração.

Cumprindo seu dever institucional, a Mesa Diretora informa que recebeu, na data de ontem, representação por quebra de decoro parlamentar em face do vereador investigado feito pela bancada do Partido Novo.

Na manhã desta quarta-feira (27), a Mesa deliberou pela admissibilidade da representação, que será encaminhada à Corregedoria da Câmara Municipal de Curitiba para análise preliminar e eventual adoção das medidas regimentais pertinentes.

A medida busca assegurar a adequada apuração no âmbito do Poder Legislativo, sem prejuízo das competências constitucionais do Ministério Público e do Poder Judiciário.

A Presidência da Câmara também informa que recebeu e tramitou, ainda na terça-feira, o pedido de renúncia do vereador Lorens Nogueira à presidência e ao assento que ocupava no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A Casa dará seguimento imediato aos trâmites regimentais para a recomposição do colegiado e a eleição do novo presidente.

O Legislativo municipal reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração institucional, permanecendo à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Defesa do vereador se manifesta

A defesa do vereador Lórens Nogueira informa que teve acesso aos autos do processo e iniciou a análise técnica para a adoção das medidas jurídicas cabíveis.

O vereador apresentou pedido de desligamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, para preservar a regularidade dos procedimentos e evitar questionamento sobre a condução dos trabalhos.

Sobre o pedido de cassação, a defesa ressalta que qualquer iniciativa dessa natureza deve respeitar rigorosamente o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência.

Todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno, dentro dos autos e pelas vias legais adequadas.

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