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Desemprego atinge menor nível desde 2012 no Brasil e no Paraná

Renda sobe, informalidade chega a 37,4% da força de trabalho e economistas alertam para pressão inflacionária com desemprego muito baixo

João Marcelo
JOÃO MARCELO

14/08/2026 • 17:41 • Atualizado em 14/08/2026 • 19:36

Resumo

A taxa de desocupação no Brasil atingiu 5,4% no segundo trimestre, com o Paraná registrando 3,1% e Curitiba 3,8%, os menores índices desde 2012, segundo o IBGE, refletindo um cenário de maior atividade econômica e aumento do rendimento médio do trabalhador para cerca de R$ 4.200 no Paraná.

Os principais setores responsáveis pela redução do desemprego foram comércio, administração pública, educação e indústria, enquanto a taxa de informalidade subiu e representa 37,4% da força de trabalho, e o número de pessoas desempregadas há dois anos ou mais caiu mais de 15% em relação ao mesmo período anterior.

O ambiente de inflação dentro da meta, aliado à queda do desemprego e alta da renda, é visto como positivo pelos economistas, que alertam para riscos de pressões inflacionárias e dificuldades de contratação em alguns setores, ressaltando o desafio de sustentar o emprego e controlar a inflação com a economia aquecida.

A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,4% no segundo trimestre deste ano, com o Paraná registrando 3,1% e Curitiba 3,8%, os menores níveis desde o início da série histórica em 2012, segundo dados do IBGE.

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Entre abril e junho, dos 6,5 milhões de paranaenses na força de trabalho, apenas 198 mil estavam desempregados, considerando trabalhadores com carteira assinada e ocupados na informalidade.

Recorde impulsionado por investimentos

Para o economista do IBGE Elias Ricardo, os resultados refletem um ambiente de maior atividade econômica no país e no estado.

“Isso é uma coisa muito interessante. Significa que nós estamos investindo em infraestrutura, nós temos empresários que estão investindo, nós temos um governo que está fazendo obras e melhorias e benfeitorias e programas que estão fazendo a economia girar pra apresentar essa taxa de desocupação boa”, afirma.

No Paraná, o rendimento médio do trabalhador também avançou no período. O salário chegou a cerca de R$ 4.200 no segundo trimestre, alta de 6,4% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

Inflação na meta e mercado de trabalho aquecido

Segundo a economista Patrícia Tendolini, a combinação de desemprego baixo e ganhos reais de renda ocorre em um cenário de inflação convergindo para a meta.

“A inflação está de volta à meta, então você consegue reunir uma série de indicadores que mostra que a gente está fazendo a lição de casa. Como eu falei, não é o melhor dos mundos, poderia estar melhor, mas diante de um cenário internacional, diante do que a gente passou na pandemia eu acho que o resultado é até positivo e esse índice de desemprego mostra um pouquinho isso”, analisa.

Queda no desemprego de longa duração

Entre abril e junho, cerca de 1,1 milhão de pessoas em todo o país procuravam trabalho havia dois anos ou mais. Esse contingente recuou mais de 15% em relação aos mesmos meses de 2025, de acordo com o levantamento.

Os principais segmentos que contribuíram para a redução da desocupação foram comércio, administração pública, educação e indústria geral.

Ao mesmo tempo, a taxa de informalidade cresceu em todas as regiões. Trabalhadores sem acesso a benefícios trabalhistas representam 37,4% da força de trabalho.

Riscos de inflação e falta de mão de obra

Na visão de Tendolini, embora o cenário seja favorável do ponto de vista social, a proximidade de uma situação de pleno emprego exige atenção das autoridades econômicas.

“Lógico, um lado social maravilhoso, mas o cuidado que você tem que ter é que esse tipo de indicador, o desemprego muito baixo, pode gerar um problema de inflação, que significa as pessoas estão com mais renda, estão com poder de compra maior e o outro lado as empresas. As empresas podem ter dificuldade de contratação uma vez que a taxa de desocupação está muito baixa. Pode acontecer também problemas na contratação de funcionários principalmente em setores que exigem uma mão de obra mais qualificada”, observa.

Os economistas ouvidos destacam que o desafio daqui em diante é manter o nível de emprego e a inflação sob controle em um cenário de investimentos contínuos na economia.