Uma nova atualização dos centros internacionais especializados em clima, divulgada ontem e analisada pelo Simepar, indica que o El Niño deve provocar chuvas acima da média em todas as regiões do Paraná nos próximos meses, com maior impacto no Oeste e Sudoeste do estado.
O levantamento aponta que a bacia do rio Iguaçu concentra a área mais vulnerável do mapa, enquanto a região Leste do Paraná tende a ser relativamente menos atingida, embora também deva registrar aumento no volume de precipitação.
Segundo o Sistema de Meteorologia do Paraná, o aumento das chuvas deve ocorrer de forma gradual ao longo do inverno, atingindo o ápice durante o verão, em linha com o comportamento típico do fenômeno climático no hemisfério sul.
Regiões mais afetadas e duração do evento
A gerente de Meteorologia do Simepar, Sheila Paz, explica que o diagnóstico atual confirma a atuação do El Niño pelo menos até o primeiro trimestre do ano que vem, mantendo o cenário de atenção para todo o estado ao longo das próximas estações.
Sheila Paz afirma que os efeitos mais significativos devem se concentrar entre o fim do inverno e o verão no hemisfério sul, período em que as chuvas tendem a ficar mais frequentes e intensas sobre o Paraná.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Conforme destaca o Simepar, esse padrão altera a circulação atmosférica e costuma favorecer a ocorrência de sistemas de chuva mais persistentes e volumosos sobre a região Sul do Brasil.
Riscos associados às chuvas intensas
De acordo com o Simepar, além de episódios de chuva volumosa em curto espaço de tempo, o fenômeno pode aumentar a frequência de temporais mais severos, com ventos fortes, maior incidência de descargas elétricas e queda de granizo em diferentes pontos do Paraná.
O órgão técnico ressalta ainda que os períodos secos durante o inverno tendem a ser mais curtos. Na visão dos meteorologistas, é na primavera, quando os impactos climáticos do El Niño costumam se intensificar, que cresce o risco de inundações, enxurradas, alagamentos urbanos e deslizamentos em áreas de encosta na Região Sul do país.
Defesa Civil reforça prevenção com municípios
Frente ao cenário projetado, a Defesa Civil do Paraná informa que já coordena ações de preparação junto às prefeituras. O porta-voz do órgão, Marcos Vidal, destaca que foram realizados exercícios simulados especialmente no litoral, região considerada prioritária devido a eventos extremos registrados em anos anteriores.
Marcos Vidal explica que a Defesa Civil trabalha em conjunto com outras secretarias estaduais para planejar a abertura de abrigos, organizar estruturas de atendimento e mobilizar núcleos regionais de resposta rápida em caso de necessidade.
Segundo o porta-voz, as equipes também atualizam planos de contingência, intensificam a limpeza de bueiros e cursos de rios e analisam encostas suscetíveis a deslizamentos. Ele reforça que esses problemas podem ocorrer ao longo do período de atuação do El Niño, à medida que o fenômeno se intensificar sobre o estado.
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