Band Paraná

Novo regulamento libera doação de sangue após os 70 anos

Mudança permite que doadores regulares idosos continuem ajudando e reduz intervalo para quem fez tatuagem ou procedimentos estéticos

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

14/08/2026 • 16:58 • Atualizado em 14/08/2026 • 17:04

Novas regras para doação de sangue, definidas pelo novo regulamento técnico da hemoterapia no Brasil, vão permitir que pessoas com 70 anos ou mais continuem doando, desde que sejam doadoras regulares e estejam em boas condições de saúde, a partir de outubro, em bancos de sangue de todo o país.

Compartilhar

A corretora de imóveis Patrocínia Merlin, doadora há mais de quatro décadas, conta que vinha se preparando para se despedir das doações ao chegar aos 70 anos. Ela se emociona ao saber que poderá seguir contribuindo.

"Eu já estava me preparando psicologicamente para o fim do ano, pensando que não poderia mais ir ao meu banco de sangue. Meu coração se emocionou quando você falou que eu vou poder virar setentona doando. Quer coisa melhor que isso? Fazer o bem, não importa para quem", afirma Patrocínia.

Patrocínia doa pelo menos duas vezes por ano e representa o perfil de milhares de brasileiros que mantêm estoques de sangue em níveis seguros. Até agora, porém, a legislação impedia que pessoas acima de 70 anos continuassem a doar, mesmo quando estavam saudáveis.

Idade maior não muda a importância do sangue

O novo regulamento considera o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população brasileira. Para especialistas, permitir a continuidade da doação por idosos saudáveis é uma forma de ampliar o número de bolsas disponíveis sem comprometer a segurança.

Segundo a hemoterapeuta Lenisa Raboni, a idade do doador não muda a relevância da contribuição. "Não existe essa diferença entre uma doação de um doador de setenta anos ou de um de trinta e cinco. O sangue é sangue, é vida para todo mundo, independentemente da idade", explica.

Intervalos menores e padrão internacional

As mudanças, que entram em vigor a partir de outubro, também reduzem de seis para quatro meses o intervalo de espera para quem passou por procedimentos estéticos, fez endoscopia ou tatuagem, antes de poder doar novamente.

Além disso, o regulamento traz novas medidas de monitoramento em todas as etapas da doação, desde a triagem até o armazenamento. Os processos vão seguir um padrão internacional, com o objetivo de diminuir o risco de erros e reforçar a segurança de doadores e receptores.

Estoques em baixa e expectativa de mais doadores

Lenisa lembra que os hemocentros enfrentam dificuldades recorrentes para manter os estoques. Conforme ela relata, há períodos em que os bancos de sangue não conseguem atender plenamente à demanda dos hospitais.

"Todos os lugares têm falta. Em muitas épocas do ano, a gente não consegue suprir os estoques necessários para os hospitais e se vira nos trinta. Essas regras são seguras tanto para colocar o doador para doar quanto para quem vai receber. A nossa expectativa é que toda a portaria, com todas as mudanças, permita que mais pessoas sejam doadoras", avalia a hemoterapeuta.

Com o novo regulamento, profissionais da área esperam que a flexibilização da idade e dos intervalos, aliada ao reforço da segurança, motive tanto doadores antigos como novos voluntários a procurar os bancos de sangue e ajudar a garantir o atendimento em todo o país.