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PSD se divide entre Curi, Guto e Pimentel na sucessão de Ratinho Júnior

Após desistir da corrida presidencial, governador adia escolha e mantém incerteza sobre nome para enfrentar Moro, Requião Filho e Greca

João Marcelo
JOÃO MARCELO

26/03/2026 • 18:24 • Atualizado em 26/03/2026 • 18:24

Guto Silva, Eduardo Pimentel e Alexandre Curi no jogo interno do PSD no Paraná

Guto Silva, Eduardo Pimentel e Alexandre Curi no jogo interno do PSD no Paraná

Foto: Secom

Depois de abandonar o projeto presidencial aos quarenta e cinco do segundo tempo, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), passou a concentrar esforços na escolha de um sucessor para 2026 e mantém o PSD dividido entre três nomes: Alexandre Curi, Guto Silva e Eduardo Pimentel. Nesta quinta-feira (26), em agenda oficial em Pato Branco, ele falou pela primeira vez sobre o rumo das eleições estaduais e a busca por um candidato viável para assumir o Palácio Iguaçu a partir de 2027.

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Ratinho fala em passar o bastão

Sem cravar um nome, Ratinho afirmou que a prioridade é manter unido o grupo político que o sustenta no governo e preservar o projeto iniciado em 2019.

“A ideia agora é poder construir dentro desse grupo político que nós temos. Já temos grandes nomes, alguém que possa representar e dar continuidade a esse trabalho. E essa minha responsabilidade como governador é para passar o bastão. Eu tenho muito medo que as brigas de Brasília venham para atrapalhar o Paraná”, disse Ratinho Junior.

Durante a visita ao Sudoeste, o governador estava acompanhado do secretário das Cidades, Guto Silva, e do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, ambos à espera de uma indicação para disputar o governo. Ele, porém, evitou comentar nomes e reforçou que o foco é a construção de uma chapa completa.

Apontado como um dos favoritos no grupo governista, Alexandre Curi afirmou que a decisão será anunciada nos próximos dias.

‘’Eu sou pré-candidato a governador, mas eu tenho conversado muito com o governador e até segunda feira nós vamos estar juntos anunciando o nosso candidato. Eu estou preparado e se for o escolhido estarei à disposição para disputar eleição’’.

Indefinição no PSD e avanço de Pimentel

Prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, ganhou força nos bastidores como possível candidato do Governador

Prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, ganhou força nos bastidores como possível candidato do Governador

Foto SECOM

Enquanto o grupo que comanda o Paraná mexe as peças do tabuleiro, outras siglas se mostram confiantes. O senador Sergio Moro migrou para o PL, firmou acordo com o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e tem a maioria das intenções de voto no estado para governador. Moro vai ter que lidar, contudo, com a resistência interna. Após a filiação do ex-juiz ao Partido Liberal, prefeitos paranaenses anunciaram a saída da legenda.

O deputado estadual Requião Filho, do PDT, terá o apoio nacional do PT e de outros partidos de oposição e aparece como segundo colocado nas pesquisas. Já o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, confirmou ser pré-candidato ao governo. Com passagem rápida pelo PSD, partido de Ratinho, Greca retornou na última semana ao MDB, redesenhou a disputa estadual e aumentou a pressão sobre o atual governador na busca por um sucessor.

Guto Silva, Eduardo Pimentel e Alexandre Curi disputam a preferência interna no PSD

Guto Silva, Eduardo Pimentel e Alexandre Curi disputam a preferência interna no PSD

Com Guto Silva estagnado nas pesquisas e resistência de alguns membros do governo ao nome de Alexandre Curi, uma nova opção passou a ganhar espaço: o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Há pouco mais de um ano à frente da capital, ele já apareceu em pesquisas internas e teve bom desempenho. Neto do ex-governador Paulo Pimentel, o prefeito é tratado como favorito por parte da cúpula do PSD e chegou a cogitar a disputa, mas recuou após avaliar os riscos de deixar a prefeitura com uma carreira ainda em construção.

Riscos para Pimentel e histórico da sucessão

Para o cientista político Emerson Cervi, uma eventual candidatura de Pimentel ao governo traria custos elevados para o prefeito e para seu principal aliado, Rafael Greca.

“No caso do Eduardo Pimentel, uma decisão a candidato ao governo teria várias implicações negativas. Primeiro que, historicamente, o eleitorado de Curitiba não costuma tratar da mesma forma prefeitos e ex-prefeitos que se candidataram ao governo. Jaime Lerner, Roberto Requião e Beto Richa nunca mais tiveram o mesmo desempenho em Curitiba depois que foram ao governo do estado. E com agravante, o Pimentel não terminou o primeiro mandado. Além disso, a ida dele para o governo poderia ser um grande problema para o principal aliado político dele, o padrinho político dele que é o Rafael Greca”, avalia o cientista político, Emerson Cervi.

Desde as primeiras eleições diretas no Paraná, apenas um grupo conseguiu se manter no poder por três mandatos seguidos: José Richa, Alvaro Dias e Roberto Requião, todos então no PMDB. Depois disso, Jaime Lerner, Requião e Beto Richa foram reeleitos, mas não fizeram sucessores diretos, o que torna mais incerta a tentativa de continuidade de Ratinho Junior.

Na visão de Cervi, esse histórico ajuda a explicar a demora do governador para bater o martelo dentro do PSD.

“As opções que ele tem são opções que estão no grupo mas não são originalmente do grupo e isso pode estar pesando para a decisão dele. Ele pode querer alguém que seja original do grupo, enquanto as outras alternativas colocadas à mesa são alternativas que pertencem ao governo hoje, mas não dependem politicamente dele, tem vida autônoma da política. E isso em quatro anos de governo faz muita diferença, pode ser que se afaste, como aconteceu entre Ratinho e Beto Richa”, finaliza Cervi