
Guto Silva, Eduardo Pimentel e Alexandre Curi no jogo interno do PSD no Paraná
Foto: Secom
Depois de abandonar o projeto presidencial aos quarenta e cinco do segundo tempo, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), passou a concentrar esforços na escolha de um sucessor para 2026 e mantém o PSD dividido entre três nomes: Alexandre Curi, Guto Silva e Eduardo Pimentel. Nesta quinta-feira (26), em agenda oficial em Pato Branco, ele falou pela primeira vez sobre o rumo das eleições estaduais e a busca por um candidato viável para assumir o Palácio Iguaçu a partir de 2027.
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Ratinho fala em passar o bastão
Sem cravar um nome, Ratinho afirmou que a prioridade é manter unido o grupo político que o sustenta no governo e preservar o projeto iniciado em 2019.
“A ideia agora é poder construir dentro desse grupo político que nós temos. Já temos grandes nomes, alguém que possa representar e dar continuidade a esse trabalho. E essa minha responsabilidade como governador é para passar o bastão. Eu tenho muito medo que as brigas de Brasília venham para atrapalhar o Paraná”, disse Ratinho Junior.
Durante a visita ao Sudoeste, o governador estava acompanhado do secretário das Cidades, Guto Silva, e do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, ambos à espera de uma indicação para disputar o governo. Ele, porém, evitou comentar nomes e reforçou que o foco é a construção de uma chapa completa.
Apontado como um dos favoritos no grupo governista, Alexandre Curi afirmou que a decisão será anunciada nos próximos dias.
‘’Eu sou pré-candidato a governador, mas eu tenho conversado muito com o governador e até segunda feira nós vamos estar juntos anunciando o nosso candidato. Eu estou preparado e se for o escolhido estarei à disposição para disputar eleição’’.
Indefinição no PSD e avanço de Pimentel

Prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, ganhou força nos bastidores como possível candidato do Governador
Foto SECOM
Enquanto o grupo que comanda o Paraná mexe as peças do tabuleiro, outras siglas se mostram confiantes. O senador Sergio Moro migrou para o PL, firmou acordo com o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e tem a maioria das intenções de voto no estado para governador. Moro vai ter que lidar, contudo, com a resistência interna. Após a filiação do ex-juiz ao Partido Liberal, prefeitos paranaenses anunciaram a saída da legenda.
O deputado estadual Requião Filho, do PDT, terá o apoio nacional do PT e de outros partidos de oposição e aparece como segundo colocado nas pesquisas. Já o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, confirmou ser pré-candidato ao governo. Com passagem rápida pelo PSD, partido de Ratinho, Greca retornou na última semana ao MDB, redesenhou a disputa estadual e aumentou a pressão sobre o atual governador na busca por um sucessor.

Guto Silva, Eduardo Pimentel e Alexandre Curi disputam a preferência interna no PSD
Com Guto Silva estagnado nas pesquisas e resistência de alguns membros do governo ao nome de Alexandre Curi, uma nova opção passou a ganhar espaço: o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Há pouco mais de um ano à frente da capital, ele já apareceu em pesquisas internas e teve bom desempenho. Neto do ex-governador Paulo Pimentel, o prefeito é tratado como favorito por parte da cúpula do PSD e chegou a cogitar a disputa, mas recuou após avaliar os riscos de deixar a prefeitura com uma carreira ainda em construção.
Riscos para Pimentel e histórico da sucessão
Para o cientista político Emerson Cervi, uma eventual candidatura de Pimentel ao governo traria custos elevados para o prefeito e para seu principal aliado, Rafael Greca.
“No caso do Eduardo Pimentel, uma decisão a candidato ao governo teria várias implicações negativas. Primeiro que, historicamente, o eleitorado de Curitiba não costuma tratar da mesma forma prefeitos e ex-prefeitos que se candidataram ao governo. Jaime Lerner, Roberto Requião e Beto Richa nunca mais tiveram o mesmo desempenho em Curitiba depois que foram ao governo do estado. E com agravante, o Pimentel não terminou o primeiro mandado. Além disso, a ida dele para o governo poderia ser um grande problema para o principal aliado político dele, o padrinho político dele que é o Rafael Greca”, avalia o cientista político, Emerson Cervi.
Desde as primeiras eleições diretas no Paraná, apenas um grupo conseguiu se manter no poder por três mandatos seguidos: José Richa, Alvaro Dias e Roberto Requião, todos então no PMDB. Depois disso, Jaime Lerner, Requião e Beto Richa foram reeleitos, mas não fizeram sucessores diretos, o que torna mais incerta a tentativa de continuidade de Ratinho Junior.
Na visão de Cervi, esse histórico ajuda a explicar a demora do governador para bater o martelo dentro do PSD.
“As opções que ele tem são opções que estão no grupo mas não são originalmente do grupo e isso pode estar pesando para a decisão dele. Ele pode querer alguém que seja original do grupo, enquanto as outras alternativas colocadas à mesa são alternativas que pertencem ao governo hoje, mas não dependem politicamente dele, tem vida autônoma da política. E isso em quatro anos de governo faz muita diferença, pode ser que se afaste, como aconteceu entre Ratinho e Beto Richa”, finaliza Cervi
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