Band Paraná

Quem é Rajada, o homem por trás do tráfico no Parolin

Da condenação por tráfico à absolvição por homicídio, veja a trajetória criminal

Da redação
DA REDAÇÃO

24/04/2026 • 15:45 • Atualizado em 06/05/2026 • 17:50

As investigações mais recentes apontam Rajada como líder de uma organização criminosa que atuava no Parolin.

As investigações mais recentes apontam Rajada como líder de uma organização criminosa que atuava no Parolin.

Foto: Arquivo

Werik de Souza Leal, conhecido como “Rajada”, apontado como líder do tráfico de drogas no bairro Parolin, em Curitiba, foi preso nesta sexta-feira (24) durante uma mega operação das forças de segurança.

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A prisão marca mais um capítulo de uma trajetória que atravessa mais de uma década no sistema de Justiça, com condenações, investigações por homicídio e decisões judiciais que o mantiveram em liberdade em diferentes momentos.

A reportagem da Band Paraná analisou documentos oficiais, processos judiciais e registros policiais para reconstruir o histórico criminal de Rajada.

Quem é Rajada

Natural de Curitiba, nascido em 23 de março de 1992, Rajada aparece em registros policiais desde pelo menos 2010, com passagens ligadas ao tráfico de drogas e investigações por homicídio.

Ele também tem histórico de cumprimento de pena em diferentes regimes, incluindo fechado, semiaberto e monitoramento eletrônico ao longo dos anos.

2010: primeira condenação por tráfico de drogas

A primeira condenação registrada contra Rajada ocorreu em 2011, por tráfico de drogas, crime previsto no artigo 33 da Lei de Drogas.

Esse artigo trata da venda, transporte ou armazenamento de entorpecentes e é considerado crime equiparado a hediondo, com penas mais severas.

Na época, ele foi condenado a 2 anos e 6 meses de prisão, com substituição por penas restritivas de direitos.

2012 a 2014: investigação por homicídio e absolvição

Rajada também foi investigado por homicídio, crime previsto no artigo 121 do Código Penal.

O homicídio qualificado, como no caso investigado, ocorre quando há agravantes, como motivo torpe ou impossibilidade de defesa da vítima.

Ele chegou a ser preso preventivamente, mas acabou sendo absolvido no processo.

Em outro caso mais recente, relacionado a um homicídio ocorrido em 2019, o Tribunal do Júri decidiu que ele não participou do crime, e ele foi absolvido.

2019: denúncia por homicídio ligado ao tráfico

Mesmo absolvido posteriormente, Rajada foi denunciado pelo Ministério Público por um homicídio ocorrido em Curitiba.

Segundo a denúncia, o crime teria sido motivado por disputa de pontos de tráfico e teria sido ordenado por ele, enquanto outros executores realizaram os disparos.

2023 e 2024: liderança de grupo e domínio territorial

As investigações mais recentes apontam Rajada como líder de uma organização criminosa que atuava no Parolin.

De acordo com denúncia do Ministério Público, ele e outros integrantes teriam coordenado ações como:

  • Expulsão de famílias de casas no bairro
  • Uso de violência e ameaças para tomar imóveis
  • Atuação com menores de idade em crimes

Essas práticas se enquadram, por exemplo, no crime de esbulho possessório, que é a retirada de alguém de sua casa mediante violência ou ameaça.

Esquema criminoso e atuação do grupo

Segundo a polícia, o grupo liderado por Rajada movimentou cerca de R$ 30 milhões entre 2018 e 2025.

O dinheiro era ocultado por meio de um esquema de lavagem, com depósitos fracionados e uso de contas de terceiros.

A organização também é investigada por homicídios e disputas territoriais ligadas ao tráfico de drogas.

Por que ele estava em liberdade

Apesar do histórico, Rajada estava em liberdade antes da operação.

De acordo com o delegado Ricardo Casanova:

“Ele cumpria pena no semiaberto aqui, na Colônia Penal Agrícola. Ele se disse ameaçado em Curitiba e pediu a mudança de domicílio para Maceió. A execução penal também foi para lá. Como, na época, não havia vagas no sistema aberto, nem para colônia agrícola ou industrial, ele foi diretamente para o regime domiciliar, sem tornozeleira eletrônica, sem monitoramento. Ele ficou livre. Eles movimentavam muito dinheiro, elevaram o padrão de vida, viviam de maneira confortável, tudo pago com o dinheiro do tráfico.”

2026: prisão em mega operação

Rajada foi preso em Maceió, em um condomínio de alto padrão, durante a mega operação que mobilizou mais de 150 policiais.

Segundo a polícia, ele comandava o tráfico à distância, mantendo influência sobre o bairro Parolin mesmo fora do Paraná.

Linha do tempo de Rajada

  • 2010: preso em flagrante por tráfico de drogas
  • 2011: condenado por tráfico (art. 33 da Lei de Drogas)
  • 2012-2014: investigado por homicídio, depois absolvido
  • 2019: denunciado por homicídio ligado a disputa de tráfico
  • 2022: absolvido pelo Tribunal do Júri em caso de homicídio
  • 2023-2024: apontado como líder de grupo no Parolin
  • 2026: preso em mega operação em Maceió