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Veja como foi o primeiro dia da greve dos professores em Curitiba

Magistério municipal de Curitiba cobra carreira e estrutura; liminar autoriza corte de ponto, enquanto sindicato afirma ter adesão em todas as escolas

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

08/04/2026 • 13:57 • Atualizado em 08/04/2026 • 13:57

A Justiça declarou ilegal a greve dos professores da rede municipal de ensino de Curitiba, mas a categoria iniciou a paralisação nesta quarta-feira, cobrando plano de carreira e melhores condições de trabalho nas escolas.

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Mobilização começa após decisão liminar

De acordo com o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), houve adesão de profissionais em todas as unidades da rede neste primeiro dia de paralisação.

A paralisação foi aprovada em assembleia da categoria. Os docentes reivindicam progressão na carreira, contratação de mais profissionais e melhoria da estrutura física das escolas e dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis).

Apesar do início da mobilização, uma decisão liminar da Justiça considerou o movimento ilegal. No despacho, o juiz entendeu que há tentativa de negociação por parte do município e autorizou o desconto dos dias parados nos salários dos grevistas.

Adesão em escola do Cajuru e impacto nas famílias

Em uma escola do bairro Cajuru, cerca de 90% dos professores aderiram à greve. A unidade, porém, abriu parcialmente para receber alunos que não têm com quem ficar. No período da manhã, são aproximadamente 450 estudantes matriculados.

A jornalista Kel Braga, mãe de uma aluna de cinco anos, decidiu não levar a filha à aula. Ela conta que a direção havia avisado sobre a possibilidade de paralisação.

"A escola avisou na semana passada que poderia ter greve. Hoje cheguei cedo, vi que estava tudo parado e resolvi deixar minha filha com o avô", relatou.

"Isso acaba prejudicando todo mundo, mas entendo que a greve é a última opção porque falta solução de gestão. Espero que resolvam logo", acrescentou a mãe.

Reivindicações e críticas à situação da rede

Para a presidente do Sismmac, Diana Abreu, a situação nas escolas exige uma resposta do poder público. Ela afirma que faltam profissionais para atender estudantes com necessidades especiais e que muitas unidades estão em condições precárias.

"Precisamos de mais professores para os alunos de atenção especial. Não temos estrutura adequada, há salas sucateadas. A sensação é de que fomos esquecidos", disse a dirigente sindical.

"Até agora não fomos formalmente notificados dessa decisão judicial. Para nós, o que é ilegal é manter a estrutura da rede do jeito que está", completou Diana.

Prefeitura diz negociar e cita funcionamento da rede

O secretário municipal de Educação de Curitiba, Paulo Schmidt, afirmou que a prefeitura mantém a negociação com a categoria e que, na manhã desta quarta-feira, cerca de 95% das unidades da rede estavam em funcionamento. Ele ressaltou que o município deve seguir as determinações da Justiça.

"Reconhecemos que há falta de efetivo, e por isso já estamos fazendo chamamentos para novas contratações. Também estamos trabalhando na melhoria da estrutura das escolas", declarou o secretário.

"Nossa prioridade são as famílias e os estudantes. Acredito que até amanhã tudo esteja resolvido", afirmou Schmidt.

Na capital paranaense, a rede municipal de ensino reúne cerca de 12,6 mil professores, que atendem mais de 130 mil alunos em escolas e Cmeis. A categoria promete manter a greve até que haja garantia de mudanças nas condições de trabalho e de atendimento aos estudantes.