
Câmara de Caraguatatuba
Divulgação / Câmara Municipal de Caraguatatuba
A Câmara Municipal de Caraguatatuba promulgou a lei que revoga a Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (TMRSU), conhecida como taxa do lixo. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município desta quarta-feira (1º). A nova legislação revoga integralmente a Lei Municipal que havia instituído a cobrança da taxa.
O texto estabelece que os serviços de manejo de resíduos sólidos passarão a ser financiados por outras fontes de recursos, como receitas oriundas de convênio com a Sabesp, multas ambientais e de posturas, recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente, comercialização de materiais recicláveis e resíduos orgânicos, além de subvenções dos governos federal e estadual, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e outras fontes previstas em lei.
Além disso, a lei determina que os contribuintes que efetuaram o pagamento da taxa poderão solicitar a restituição dos valores por meio de requerimento administrativo, desde que apresentem o comprovante de pagamento.
Em nota, a Prefeitura de Caraguatatuba informa que diante da Revogação Integral da Lei Municipal nº 2.815, de 10 de dezembro de 2025, que instituiu a Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos – TMRSU, pela Câmara Municipal de Vereadores, foram adotadas as medidas jurídicas cabíveis para demonstrar a inconstitucionalidade da norma, por entender que a matéria apresenta vícios legais e pode comprometer o equilíbrio financeiro necessário à prestação dos serviços públicos.
Enquanto a questão é analisada no âmbito jurídico, a cobrança da TMRSU está suspensa. Dessa forma, não haverá cobrança da taxa neste momento, garantindo segurança aos contribuintes até que haja definição sobre a validade da legislação aprovada.
É importante destacar que a taxa foi instituída em conformidade com a legislação vigente e incorporada ao planejamento orçamentário do município. Sua retirada, sem medidas compensatórias, pode impactar diretamente a capacidade financeira da administração pública, exigindo o remanejamento de recursos originalmente destinados a áreas prioritárias como saúde, educação, assistência social e infraestrutura.
Entenda o caso
Discussão do projeto na câmara
A Câmara Municipal de Caraguatatuba votou, na sexta-feira (12), às 19h, durante a 2ª Sessão Extraordinária de 2026, o Projeto de Lei Complementar nº 09/26, que propõe a isenção integral da Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (TMRSU), conhecida como taxa do lixo. A proposta é de autoria da vereadora Gislaine de Oliveira (Dra. Lalá).
O projeto prevê a suspensão da cobrança para todos os contribuintes do município, sob a justificativa de que não houve comprovação técnica detalhada de que os valores atualmente cobrados correspondem aos custos reais do serviço de coleta e manejo de resíduos sólidos.
Além da isenção, a proposta estabelece novas diretrizes para a cobrança relacionada ao serviço, sugerindo a adoção de instrumentos alternativos, como uma Taxa de Preservação Ambiental, para atender às exigências do Marco Legal do Saneamento Básico.
O texto também determina maior transparência por parte da Prefeitura, com a divulgação de contratos, custos operacionais, volume de resíduos coletados e da memória de cálculo utilizada na definição dos valores da taxa.
Veto do prefeito
O prefeito de Caraguatatuba, Mateus Veneziani da Silva, vetou integralmente o Projeto de Lei Complementar nº 09/2026, aprovado pela Câmara Municipal, que previa a extinção da Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (TMRSU), conhecida como taxa do lixo, além da devolução dos valores já pagos pelos contribuintes.
A decisão foi encaminhada ao Legislativo na sexta-feira (19/06) e está fundamentada em alegações de inconstitucionalidade, ilegalidade e risco às finanças do município.
Segundo o Executivo, a proposta apresentou falhas desde sua tramitação inicial. Entre os apontamentos estão a ausência de etapas obrigatórias do processo legislativo, como análises pelas comissões competentes, parecer jurídico e a realização de audiências públicas exigidas para matérias tributárias.
No documento, o prefeito afirma que o projeto e o substitutivo aprovado pela Câmara descumpriram regras previstas na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno da Casa, o que teria gerado um vício formal considerado insanável.
Outro ponto destacado pelo governo municipal é a suposta falta de previsão de recursos para compensar a perda de arrecadação causada pela extinção da taxa. De acordo com a Prefeitura, o texto aprovado não apresentou estudos de impacto financeiro nem indicou fontes de custeio consideradas suficientes para manter os serviços de coleta e manejo de resíduos sólidos.
A administração municipal argumenta ainda que a medida contrariaria dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que prevê renúncia de receita sem a devida compensação.
Câmara rejeita o veto e mantém revogação
A Câmara Municipal de Caraguatatuba rejeitou por unanimidade, na noite desta terça-feira (23), o veto total do prefeito ao projeto que revoga a Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (TMRSU), conhecida como taxa do lixo. A decisão foi tomada durante a 3ª Sessão Extraordinária do ano.
Com a rejeição do veto, os vereadores mantiveram o texto aprovado pelo Legislativo no último dia 12 de junho, reafirmando o posicionamento contrário à cobrança da taxa.
Segundo a Câmara, a votação representa mais um passo no processo de revogação da Lei Municipal nº 2.815/2025, que instituiu a cobrança para custear os serviços de manejo de resíduos sólidos urbanos no município.
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