Band Vale

Moleira fechada ou cabeça torta: quando realmente se preocupar com seu bebê?

A fontanela dos bebês - popularmente conhecida por “moleira” - costuma gerar muitas dúvidas nos primeiros meses de vida. Uma das mais comuns é: “A moleira está fechando cedo demais. Será que tem algo errado?”

BANDFY

18/06/2025 • 16:31 • Atualizado em 18/06/2025 • 16:31

MOLEIRA FECHADA OU CABEÇA TORTA: QUANDO REALMENTE SE PREOCUPAR COM SEU BEBÊ?

MOLEIRA FECHADA OU CABEÇA TORTA: QUANDO REALMENTE SE PREOCUPAR COM SEU BEBÊ?

Divulgação

Segundo a neurocirurgiã pediátrica Dra. Raíssa Mansilla, essa preocupação é compreensível, mas nem sempre justificada. A ideia de que a fontanela fechada significa automaticamente uma condição grave chamada craniossinostose é um mito comum.Na verdade, a moleira pode se fechar antes dos 18 meses sem indicar nenhuma anormalidade, especialmente se o crescimento do perímetro cefálico e o desenvolvimento do bebê está normal.

Compartilhar

“A moleira pode se fechar naturalmente em diferentes idades, sem que isso represente um problema. A craniossinostose é outra condição: trata-se do fechamento precoce de uma ou mais suturas cranianas, e não da fontanela em si”, explica a médica.

O que realmente importa?

Mais do que observar apenas se a moleira está aberta ou fechada, o mais importante é verificar se:

  • O perímetro cefálico está crescendo dentro da curva esperada
  • A criança apresenta bom desenvolvimento neuropsicomotor
  • Não há assimetria craniana refratária ao tratamento conservador

“Se esses três fatores estão dentro da normalidade, o fechamento da fontanela, mesmo precoce, não costuma ser um sinal de alarme”, orienta a especialista.

Mas atenção: a moleira fechada pode, sim, estar associada a outras doenças

Embora não esteja necessariamente ligada à cranioestenose, o fechamento precoce da fontanela pode estar associado a algumas doenças sistêmicas, como: hipertireoidismo, hiperparatireodisimo, hipofosfatemia, doenças ósseas ou microcefalia. Por isso, a primeira avaliação deve ser feita pelo pediatra, que pode solicitar exames para descartar essas condições clínicas e, a depender dos achados, indicar a avaliação com um especialista.

“O olhar atento dos pais e o acompanhamento com o pediatra são fundamentais. Nem tudo que parece assustador é grave, mas ignorar os sinais também não é uma boa ideia. O equilíbrio está em buscar avaliação no momento certo”, reforça Dra. Raíssa.

E quando a cabeça está “achatada” ou “torta” ?

Alterações no formato da cabeça também geram angústia. Felizmente, a maioria tem origem postural – são casos de plagiocefalia ou braquicefalia posicional, condições que não requerem cirurgia e que costumam melhorar com medidas simples em casa ou com suporte profissional. se resolvem com intervenções conservadoras e não requerem cirurgia.

O que os pais podem fazer?

  1. Variar a posição da cabeça ao dormir, sempre respeitando o sono seguro (sempre de barriga para cima, alternando o posicionamento da cabeça para evitar pressão repetida sobre o mesmo ponto)
  2. Estimular o tempo de bruços (Tummy Time) durante o dia, com supervisão. Isso fortalece a musculatura cervical e reduz o tempo em que o crânio está apoiado.
  3. Evitar longos períodos em cadeirinhas, bebê conforto e carrinhos
  4. Consultar um fisioterapeuta / osteopata infantil: auxilia na correção postural e prevenção de agravamento.

“Essas medidas são seguras, bem estudadas e geralmente eficazes quando iniciadas precocemente. O mais importante é orientar os pais com base em evidência e evitar tanto intervenções desnecessárias quanto diagnósticos tardios”, reforça Dra. Raíssa.

Mas então, quando é preciso se preocupar?

Diferente das assimetrias posturais, a craniossinostose (ou cranioestenose) prejudica o desenvolvimento adequado do cérebro e exige cirurgia. O olhar atento do pediatra aos sinais de alerta é importante para o encaminhamento e diagnóstico precoce. Diante da suspeita, é fundamental procurar um neurocirurgião pediátrico o quanto antes, a saber:

  1. Formato da cabeça muito diferente do padrão e sem melhora com o tempo
  2. Assimetrias que não mudam mesmo com reposicionamento ou fisioterapia
  3. Presença de “cristas” ou elevações duras no crânio
  4. Atrasos no desenvolvimento (em casos mais graves)

“O tempo ideal para a cirurgia da craniossinostose varia, mas em geral, é entre 3 e 6 meses de idade, quando os ossos do crânio ainda estão maleáveis, o que permite melhores resultados estéticos e funcionais, com técnicas delicadas e adaptadas à idade do bebê”, explica Dra. Raíssa Mansilla

O diagnóstico e o encaminhamento precoces reduzem o risco de complicações futuras e aumentam significativamente as chances de uma cirurgia mais suave, segura e com excelente prognóstico.

E o famoso capacetinho? Funciona mesmo?

O uso de órtese craniana (capacete ortopédico) para corrigir assimetrias posturais é uma prática bastante divulgada. Mas, segundo a Dra. Raíssa Mansilla, há controvérsias na literatura médica sobre a real eficácia dos capacetes em comparação com o reposicionamento e outras abordagens não invasivas.

“O capacete não é milagre e nem deve ser indicado para todos. Na maioria dos casos, orientação postural, tummy time e fisioterapia são suficientes. A indicação deve ser individualizada, sempre após avaliação cuidadosa”, reforça Dra. Raíssa.

Vale lembrar que o capecetinho é somente para assimetrias cranianas posicionais, não substitui o acompanhamento do especialista (fisioterapeuta, osteopata e neurocirurgião pediátrico) e requer o uso diário de 23 horas por dia com controle e ajustes frequentes. Na maioria dos casos não é necessário, mas pode ser considerado em situações específicas e casos graves, com acompanhamento profissional adequado e real expectativa de resultado.

Mensagem final da especialista

A recomendação é simples: não entre em pânico, mas não ignore. Procure o pediatra e, se houver dúvida, um neurocirurgião pediátrico. O diagnóstico precoce evita complicações e garante um desenvolvimento saudável. “Nem toda alteração no crânio do bebê significa um problema, mas também não devemos ignorar sinais de alerta. O equilíbrio está na informação segura e no cuidado atento", finaliza a médica.

Dra. Raíssa é neurocirurgiã pediátrica, com atuação em Niterói-RJ e Rio de Janeiro-RJ (Barra da Tijuca), reconhecida pelo olhar técnico e acolhedor com crianças e suas famílias.

Instagram: @dra.raissamansilla

Site: www.raissamansilla.com.br