
MOLEIRA FECHADA OU CABEÇA TORTA: QUANDO REALMENTE SE PREOCUPAR COM SEU BEBÊ?
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Segundo a neurocirurgiã pediátrica Dra. Raíssa Mansilla, essa preocupação é compreensível, mas nem sempre justificada. A ideia de que a fontanela fechada significa automaticamente uma condição grave chamada craniossinostose é um mito comum.Na verdade, a moleira pode se fechar antes dos 18 meses sem indicar nenhuma anormalidade, especialmente se o crescimento do perímetro cefálico e o desenvolvimento do bebê está normal.
“A moleira pode se fechar naturalmente em diferentes idades, sem que isso represente um problema. A craniossinostose é outra condição: trata-se do fechamento precoce de uma ou mais suturas cranianas, e não da fontanela em si”, explica a médica.
O que realmente importa?
Mais do que observar apenas se a moleira está aberta ou fechada, o mais importante é verificar se:
- O perímetro cefálico está crescendo dentro da curva esperada
- A criança apresenta bom desenvolvimento neuropsicomotor
- Não há assimetria craniana refratária ao tratamento conservador
“Se esses três fatores estão dentro da normalidade, o fechamento da fontanela, mesmo precoce, não costuma ser um sinal de alarme”, orienta a especialista.
Mas atenção: a moleira fechada pode, sim, estar associada a outras doenças
Embora não esteja necessariamente ligada à cranioestenose, o fechamento precoce da fontanela pode estar associado a algumas doenças sistêmicas, como: hipertireoidismo, hiperparatireodisimo, hipofosfatemia, doenças ósseas ou microcefalia. Por isso, a primeira avaliação deve ser feita pelo pediatra, que pode solicitar exames para descartar essas condições clínicas e, a depender dos achados, indicar a avaliação com um especialista.
“O olhar atento dos pais e o acompanhamento com o pediatra são fundamentais. Nem tudo que parece assustador é grave, mas ignorar os sinais também não é uma boa ideia. O equilíbrio está em buscar avaliação no momento certo”, reforça Dra. Raíssa.
E quando a cabeça está “achatada” ou “torta” ?
Alterações no formato da cabeça também geram angústia. Felizmente, a maioria tem origem postural – são casos de plagiocefalia ou braquicefalia posicional, condições que não requerem cirurgia e que costumam melhorar com medidas simples em casa ou com suporte profissional. se resolvem com intervenções conservadoras e não requerem cirurgia.
O que os pais podem fazer?
- Variar a posição da cabeça ao dormir, sempre respeitando o sono seguro (sempre de barriga para cima, alternando o posicionamento da cabeça para evitar pressão repetida sobre o mesmo ponto)
- Estimular o tempo de bruços (Tummy Time) durante o dia, com supervisão. Isso fortalece a musculatura cervical e reduz o tempo em que o crânio está apoiado.
- Evitar longos períodos em cadeirinhas, bebê conforto e carrinhos
- Consultar um fisioterapeuta / osteopata infantil: auxilia na correção postural e prevenção de agravamento.
“Essas medidas são seguras, bem estudadas e geralmente eficazes quando iniciadas precocemente. O mais importante é orientar os pais com base em evidência e evitar tanto intervenções desnecessárias quanto diagnósticos tardios”, reforça Dra. Raíssa.
Mas então, quando é preciso se preocupar?
Diferente das assimetrias posturais, a craniossinostose (ou cranioestenose) prejudica o desenvolvimento adequado do cérebro e exige cirurgia. O olhar atento do pediatra aos sinais de alerta é importante para o encaminhamento e diagnóstico precoce. Diante da suspeita, é fundamental procurar um neurocirurgião pediátrico o quanto antes, a saber:
- Formato da cabeça muito diferente do padrão e sem melhora com o tempo
- Assimetrias que não mudam mesmo com reposicionamento ou fisioterapia
- Presença de “cristas” ou elevações duras no crânio
- Atrasos no desenvolvimento (em casos mais graves)
“O tempo ideal para a cirurgia da craniossinostose varia, mas em geral, é entre 3 e 6 meses de idade, quando os ossos do crânio ainda estão maleáveis, o que permite melhores resultados estéticos e funcionais, com técnicas delicadas e adaptadas à idade do bebê”, explica Dra. Raíssa Mansilla
O diagnóstico e o encaminhamento precoces reduzem o risco de complicações futuras e aumentam significativamente as chances de uma cirurgia mais suave, segura e com excelente prognóstico.

E o famoso capacetinho? Funciona mesmo?
O uso de órtese craniana (capacete ortopédico) para corrigir assimetrias posturais é uma prática bastante divulgada. Mas, segundo a Dra. Raíssa Mansilla, há controvérsias na literatura médica sobre a real eficácia dos capacetes em comparação com o reposicionamento e outras abordagens não invasivas.
“O capacete não é milagre e nem deve ser indicado para todos. Na maioria dos casos, orientação postural, tummy time e fisioterapia são suficientes. A indicação deve ser individualizada, sempre após avaliação cuidadosa”, reforça Dra. Raíssa.
Vale lembrar que o capecetinho é somente para assimetrias cranianas posicionais, não substitui o acompanhamento do especialista (fisioterapeuta, osteopata e neurocirurgião pediátrico) e requer o uso diário de 23 horas por dia com controle e ajustes frequentes. Na maioria dos casos não é necessário, mas pode ser considerado em situações específicas e casos graves, com acompanhamento profissional adequado e real expectativa de resultado.
Mensagem final da especialista
A recomendação é simples: não entre em pânico, mas não ignore. Procure o pediatra e, se houver dúvida, um neurocirurgião pediátrico. O diagnóstico precoce evita complicações e garante um desenvolvimento saudável. “Nem toda alteração no crânio do bebê significa um problema, mas também não devemos ignorar sinais de alerta. O equilíbrio está na informação segura e no cuidado atento", finaliza a médica.
Dra. Raíssa é neurocirurgiã pediátrica, com atuação em Niterói-RJ e Rio de Janeiro-RJ (Barra da Tijuca), reconhecida pelo olhar técnico e acolhedor com crianças e suas famílias.
Instagram: @dra.raissamansilla
Site: www.raissamansilla.com.br

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