Resumo
Viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington tem como objetivo principal reconstruir sua imagem pública perante o eleitorado brasileiro, após aliados defenderem a aplicação de tarifas americanas contra o Brasil.
Imposição das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros é considerada inevitável por fontes do setor de comércio exterior, e participação do senador na audiência do USTR serve como palanque interno, sem destaque nos Estados Unidos.
Pedido de Flávio Bolsonaro para adiar a sobretaxa visa evitar fortalecimento de Lula nas eleições, e qualquer prejuízo econômico causado pelo tarifaço será politicamente atribuído ao senador pela opinião pública.
O colunista político e âncora do Tem Método, Carlos Andreazza, avaliou que a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington tem como foco principal o público brasileiro. De acordo com o âncora, o parlamentar tenta reconstruir sua imagem pública após o irmão dele Eduardo Bolsonaro e outros aliados do pré-candidato à Presidência defenderem publicamente a aplicação das taxas contra o Brasil.
Tarifaço inevitável e o foco no palanque interno
Segundo apuração do colunista, fontes do setor de comércio exterior dão como praticamente certa a imposição das tarifas de 25% contra produtos brasileiros.
O jornalista aponta que como a audiência pública realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) não conta com transmissão oficial de destaque em território norte-americano, a participação do senador no evento serve primordialmente como palanque voltado à política nacional.
A crise em torno de Flávio Bolsonaro se intensificou após a divulgação de um documento de 86 páginas enviado por ele à gestão de Donald Trump. No texto, o senador pedia a suspensão ou o adiamento da sobretaxa para depois das eleições no Brasil. Segundo Andreazza, o motivo principal para o pedido é de a taxação imediata fortaleceria o principal rival político do senador, o presidente Lula.
Possíveis desdobramentos e riscos na audiência
Andreazza aponta que as tentativas anteriores de parlamentares de oposição de pedir sanções contra autoridades brasileiras acabaram colando na imagem de Flávio Bolsonaro. Assim, qualquer prejuízo econômico decorrente do tarifaço americano tende a ser cobrado politicamente do senador pela opinião pública.
“O que eu espero que Flávio Bolsonaro faça hoje nos Estados Unidos, não atrapalhe mais", finalizou o âncora.
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