Resumo
Dados do Banco Central apontam que a taxa de inadimplência de pessoas físicas no crédito livre atingiu 4,7%, maior patamar desde 2011, impulsionada pelo endividamento crescente das famílias em linhas de crédito caras como cartão de crédito e cheque especial.
Análise da colunista Juliana Rosa destaca que bancos estão mais restritivos na concessão de crédito devido a sanções internacionais e, sem acesso a opções mais baratas, consumidores recorrem a linhas pré-aprovadas e emergenciais, agravando o efeito bola de neve do endividamento.
Taxas de juros elevadas, como 440% ao ano no rotativo do cartão, dificultam a recuperação financeira, enquanto o programa Desenrola Brasil oferece alívio temporário, mas faltam reformas estruturais e debate político sobre o tema durante o ano eleitoral.
A taxa de inadimplência de pessoas físicas para operações de mais de 90 dias no crédito livre atingiu o patamar de 4,7%, maior nível desde 2011, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (1).
A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, avalia que o avanço reflete o endividamento das famílias em linhas de crédito caras, como cartão de crédito e cheque especial, e acende o alerta no setor financeiro do país.
A jornalista afirma que os bancos também estão sendo mais restritivos com novos financiamentos, por causa da postura adotada pelos Estados Unidos de sancionar pessoas e empresas do Brasil ligadas ao crime organizado.
Juliana diz que, sem conseguir o aval para linhas de crédito com taxas mais razoáveis, os consumidores acabam recorrendo a linhas pré-aprovadas e emergenciais. Essa ação forçada gera um efeito de bola de neve que agrava o endividamento geral das famílias.
O peso das taxas de juros e a falta de soluções estruturais
Os juros das linhas de crédito emergenciais permanecem em patamares elevados. O rotativo do cartão de crédito acumula taxas de aproximadamente 440% ao ano, enquanto a taxa de parcelamento supera os 200% anuais. Para o cheque especial, o índice pode chegar a 140% ao ano, acelerando a perda de controle financeiro das pessoas físicas.
Embora o programa de renegociação de dívidas do governo federal, o Desenrola Brasil, traga uma expectativa de alívio temporário nos próximos meses, a jornalista alerta para falta de reformas estruturais a longo prazo. Segundo Juliana, a inflação pressionada e a atividade econômica em desaceleração mantêm o cenário de endividamento elevado, sem perspectiva de melhora duradoura.
A colunista finaliza dizendo que durante o ano eleitoral, ainda falta uma agenda política para debater o alto endividamento das famílias e os juros elevados.
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