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Juliana Rosa: Copom decide juros esta semana com dúvida sobre guerra

Decisão do Banco Central, que parecia certa, agora é vista com cautela pelo mercado financeiro

Da redação
DA REDAÇÃO

16/03/2026 • 10:37 • Atualizado em 16/03/2026 • 10:37

Resumo

Incerteza envolvendo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa Selic é provocada pela guerra no Oriente Médio e pela alta do petróleo, com análise da colunista Juliana Rosa apontando mudança de expectativa para um corte mais cauteloso de 0,25 ponto percentual.

Mercado aposta em corte mínimo da Selic, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano, enquanto analistas argumentam haver espaço técnico para redução de 0,50 ponto devido à queda da inflação de mais de 5% para cerca de 4% e ao patamar historicamente alto dos juros.

Impacto da guerra no Irã sobre a economia global pode dificultar a continuidade da queda dos juros, com alta do petróleo pressionando a inflação e prejudicando a economia brasileira, que já enfrenta aumento do endividamento, inadimplência e pedidos de recuperação judicial, além de medidas emergenciais do governo como subsídio e redução de impostos sobre o diesel.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic, que será anunciada nesta quarta-feira (18), está cercada de incertezas. O que antes era visto como o início certo de um ciclo de cortes agora se tornou uma dúvida, em meio a um novo cenário de guerra no Oriente Médio e a consequente disparada no preço do petróleo, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.

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A colunista explica que a expectativa do mercado, que antes contava com uma redução mais significativa, agora aponta para um movimento mais cauteloso. A aposta majoritária é de um corte mínimo, de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic de 15% para 14,75% ao ano.

Ainda assim, de acordo com apuração de Juliana, analistas apontam que há espaço técnico para uma queda de 0,50 ponto, para 14,5%, argumentando que a taxa atual é a mais alta em quase 20 anos e já cumpriu o papel de frear a inflação, que recuou de mais de 5% para a casa dos 4%.

O impacto da guerra

A grande questão que paira sobre a economia global e, consequentemente, sobre a decisão do Banco Central brasileiro, é a duração da guerra no Irã. Um conflito curto poderia fazer os preços do petróleo retornarem aos patamares anteriores, na casa dos 70 dólares, permitindo a continuidade da queda de juros ao longo de 2026.

No entanto, a colunista aponta que, se a guerra for longa, o cenário se complica. A alta do petróleo pressionaria a inflação, e os juros, mesmo que caiam pontualmente nesta semana, poderiam permanecer em patamares elevados pelo resto do ano.

A jornalista diz que esta é uma péssima notícia para a economia brasileira, que enfrenta um recorde de endividamento e inadimplência, além de um aumento nos pedidos de recuperação judicial de empresas.

Próximos passos e riscos

O cenário geopolítico é tenso e volátil. No último sábado (14), um drone iraniano atacou uma das maiores instalações de petróleo nos Emirados Árabes, e o estratégico Estreito de Ormuz permanece fechado, representando um risco gigantesco para a produção e o transporte globais.

Para tentar conter o impacto imediato na inflação, o governo brasileiro zerou os impostos federais (PIS/COFIN) sobre o diesel e criou um subsídio para importadores e produtores.

Contudo, a gasolina ainda apresenta uma defasagem grande em seu preço. Segundo Juliana, é difícil que o governo consiga segurar essas medidas por muito tempo caso a crise se agrave.