A participação da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada por dificuldades que vão além do campo. Após empatar em 2 a 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles, na estreia pelo Grupo G, a delegação iraniana precisou deixar os Estados Unidos durante a madrugada desta terça-feira (16) e retornar à base montada em Tijuana, na fronteira com o México. O colunista da BandNews FM Mauro Beting critica a forma como o país do Oriente Médio é tratado na competição da FIFA.
Antes, do início da competição, foram semanas de impasses envolvendo os vistos, restrições migratórias e mudanças no planejamento da equipe em razão das tensões políticas entre os governos de Washington e Teerã. Por causa da guerra, Irã já havia transferido a concentração do Arizona para o México e enfrentado problemas para obter autorização de entrada para integrantes da delegação. Parte dos dirigentes e membros da comissão técnica teve os vistos negados, enquanto os jogadores passaram a conviver com protocolos especiais para disputar as partidas em território americano.
O colunista afirma nunca ter tido registro de algo semelhante até mesmo sob regimes autoritários, como na Copa de 1934, na Itália fascista, a Olimpíada de 1936, na Alemanha nazista, e a Copa de 1978, durante a ditadura argentina. Em nenhum dos casos, alguma seleção chegou a ser obrigada a deixar o país-sede logo após uma partida.
O colunista também questionou a atuação da FIFA no conflito. Para Mauro, a visita do presidente da entidade, Gianni Infantino, ao vestiário iraniano após o jogo não altera a realidade enfrentada pela equipe, expondo uma forte contradição entre o discurso de liberdade associado aos Estados Unidos e as restrições impostas à delegação iraniana durante a Copa.
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