Resumo
A paralisação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan foi determinada pelo Ministério da Saúde após 42 notificações de efeitos adversos, incluindo três graves e duas mortes em investigação, com rápida resposta das autoridades e reforço do sistema de vigilância sanitária.
A eficácia da vacina foi comprovada em estudos com 16 mil voluntários, resultando em aprovação pela Anvisa em novembro de 2025 e aplicação de cerca de 500 mil doses principalmente em profissionais de saúde e moradores de municípios com alta incidência da doença, sendo que eventos adversos representam apenas 0,008% dos vacinados.
A infectologista Isabela Ballalai destaca a proteção oferecida pela vacina do Butantan, orienta atenção aos sinais de alerta nos vacinados recentemente, reafirma a segurança do imunizante QDenga da Takeda e lamenta a exploração do episódio por movimentos antivacina e interesses eleitorais.
A paralisação preventiva da aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan reforça o sistema de vigilância do Brasil e não coloca em dúvida o rigor da pesquisa médica para a liberação do imunizante, segundo a infectologista e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai. Em entrevista à BandNews FM, a médica destacou a rápida decisão das autoridades para investigar os casos de reações adversas.
O Ministério da Saúde determinou a suspensão da aplicação do imunizante produzido e desenvolvido pelo Butantan nesta segunda-feira (8). A decisão foi tomada após a notificação de 42 efeitos adversos, sendo 3 graves e duas mortes que estão em investigação. Cerca de 500 mil doses foram aplicadas no país, majoritariamente em profissionais de saúde. A vacina também estava disponível para a população de quatro municípios com maior incidência da dengue.
O imunizante foi aprovado pela Anvisa em novembro de 2025, após estudos médicos indicarem uma eficácia de 79% para casos graves de dengue. O fármaco foi inserido no plano nacional de imunização, mas tinha limitações por causa da baixa quantidade de vacinas disponíveis.
As duas mortes em investigação são do interior de São Paulo. Não há um prazo para o término da investigação que vai determinar se há relação das vacinas com os óbitos. Um terceiro paciente que precisou de internação em UTI se recuperou.
A infectologista Isabella Ballalai destaca que os estudos do Butantan provaram a eficácia da vacina e afirma que os imunizados com a Butantan-DV estão protegidos. Ela ressalta, no entanto, que os vacinados nos últimos 21 dias devem estar atentos aos sinais de alerta, como dor de cabeça forte, vômito persistente e dores abdominais. Nestes casos, o sistema de saúde deve ser procurado imediatamente.
A profissional lamentou os casos adversos raros e lembrou que representam 0,008% dos vacinados. Ela ressaltou que um estudo detalhado será feito para detectar os casos adversos considerados raros e espera que a segurança do imunizante seja comprovada.
Os estudos de eficácia foram feitos em 16 mil voluntários, mas pela escalada na vacinação, com mais doses aplicadas, casos de eventos adversos podem aparecer, destacou a médica. O Instituto Butantan ressalta que o monitoramento de farmacovigilância foi positivo nas cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Os municípios tiveram vacinação em massa e não registraram eventos adversos raros.
A diretora da SBIm também afirmou que a população não deve ter medo das vacinas e destacou que o imunizante QDenga, da farmacêutica japonesa Takeda, segue sendo aplicada em adolescentes e não registrou problemas de eventos adversos.
Isabela Ballalai ainda lamentou que o episódio esteja sendo utilizado por membros do movimento anti vacina e disse que médicos que falam contra os imunizante a tem interesses eleitorais lamentáveis.


