Depois da Artemis II, missão tripulada que fará um sobrevoo da Lua, a Nasa prepara uma sequência de voos entre 2027 e o fim de 2028 para consolidar o retorno físico de astronautas à superfície lunar, testar pousadores comerciais e usar a órbita da Lua como base para o futuro envio de seres humanos a Marte.
A estratégia da agência espacial norte-americana é usar a Lua e sua órbita como campo de provas para tecnologia, logística e operações de longo prazo, acumulando experiência antes de tentar a primeira missão tripulada ao planeta vermelho.
Artemis III e IV: o retorno físico à superfície da Lua
A Artemis III, prevista para 2027, será dedicada a testar os novos módulos de pouso lunares desenvolvidos pela iniciativa privada. A missão deve ocorrer em órbita baixa da Terra e servir como demonstração de um ou de ambos os landers comerciais contratados pela Nasa, da SpaceX e da Blue Origin.
Ao concentrar os ensaios iniciais em torno da Terra, a agência busca reduzir riscos e validar sistemas críticos, como acoplamento, operações com tripulação e procedimentos de descida e subida simulados. Esses testes são considerados essenciais para que os pousadores estejam prontos para levar astronautas, com segurança, até a superfície lunar.
Na sequência, a Nasa mira o início de 2028 para lançar a Artemis IV, planejada para realizar o primeiro pouso lunar tripulado do programa. Após chegar à órbita da Lua, a espaçonave Orion levará a tripulação até um pousador lunar comercial, onde os astronautas farão a transferência antes da descida final à superfície.

A espaçonave Orion no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos, em 2025
Glenn Benson/Nasa
O alvo da Artemis IV é a região do Polo Sul lunar, área de grande interesse científico por abrigar depósitos de gelo em crateras permanentemente sombreadas. Explorar esse ambiente deve ajudar a entender a disponibilidade de água e recursos locais, considerados chave para futuras bases e para a produção de combustível no espaço.
A Estação Gateway: o porto seguro para missões de longa duração
O avanço das operações na superfície continuará com a Artemis V, planejada para o fim de 2028 usando a configuração padrão do foguete SLS (Space Launch System). A missão deve aprofundar a exploração do Polo Sul e ampliar o tempo de permanência dos astronautas na Lua.
Elemento central dessa fase será a Estação Gateway, o primeiro posto avançado espacial em órbita lunar. Concebida como uma pequena estação multifuncional, a Gateway vai servir de ponto de apoio para missões à superfície, facilitando a logística de chegada e retorno de tripulações e cargas.
Segundo a Nasa, o complexo também abrigará módulos de pesquisa científica em ambiente de espaço profundo e sistemas para sustentar missões de longa duração.
A estação deve funcionar como um porto seguro para reabastecimento, manutenção e preparação de veículos, tornando o acesso à superfície mais flexível e frequente.
A Lua como trampolim para a primeira missão tripulada a Marte
Na visão da agência, a Lua será um laboratório de provas para todas as etapas da exploração humana além da órbita terrestre. Missões sucessivas e cada vez mais complexas devem combinar pesquisa científica, testes de novas tecnologias e avaliação de possíveis benefícios econômicos, como o uso de recursos locais.
A infraestrutura em desenvolvimento, que inclui o foguete SLS, a cápsula Orion, os pousadores comerciais, novos trajes espaciais e a Estação Gateway, busca responder a uma questão central: como viver, trabalhar e se manter com segurança no espaço profundo por longos períodos.
Conforme destaca a Nasa em sua estratégia de exploração, Marte continua sendo o “objetivo no horizonte” do programa. O aprendizado obtido com a presença sustentável na Lua deve fornecer o conhecimento prático necessário para planejar, nas próximas décadas, a primeira missão tripulada ao planeta vermelho com o maior nível possível de segurança e confiabilidade.

