
Artemis II: as máquinas colossais que preparam a jornada lunar
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A Nasa prepara o lançamento da missão Artemis II para esta quarta-feira (1º), e a etapa tripulada do programa de retorno à Lua conta com uma infraestrutura terrestre gigante no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A missão reúne o Crawler-Transporter 2 reforçado, a renovada Plataforma 39B e um novo megatanque de hidrogênio líquido para sustentar o lançamento do foguete SLS.
A agência não operava máquinas dessa escala para levar humanos à Lua desde o Saturn V, utilizado no programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970.
Devido à imensidão dos componentes e à necessidade de segurança extrema, cada deslocamento desses gigantes logísticos ocorre como uma coreografia de precisão absoluta conduzida pelas equipes de solo.
O titã sobre lagartas: a força bruta do Crawler-Transporter 2
Para transportar o peso combinado do foguete SLS e da plataforma móvel desde a área de montagem até a rampa, a Nasa modernizou o Crawler-Transporter 2, veículo sobre esteiras que já é um símbolo do complexo de lançamentos na Flórida.

O Space Launch System (SLS) na Flórida, Estados Unidos
Brandon Hancock/Nasa
A máquina colossal passou por um redesenho profundo, que incluiu novos rolamentos, um novo conjunto de montagem e um sistema de lubrificação aprimorado.
Com essas melhorias estruturais, a capacidade de carga do transportador chegou a cerca de 18 milhões de libras, o que representa um aumento de 50% em relação ao limite original.
Durante o percurso até a Plataforma 39B, engenheiros monitoram em tempo real parâmetros como vibrações, alinhamento e estabilidade do conjunto. Cada parada, curva e aceleração integra a mesma coreografia de precisão absoluta que protege o foguete e prepara o caminho para a tripulação que ele levará ao espaço.
Plataforma 39B: a modernização de um ícone da era Apollo
No fim do trajeto, o SLS encontra a histórica Plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, totalmente reformulada para a nova fase da exploração espacial.
A modernização adotou o conceito de pad limpo, ou "plataforma limpa", em que a base concentra apenas serviços essenciais, como energia, água e trincheira de chamas. As necessidades específicas de cada foguete passam a ser atendidas pelas torres móveis e demais estruturas que o levam até a rampa.
Essa abordagem aumenta a versatilidade da infraestrutura de solo: o mesmo ponto de lançamento pode receber diferentes veículos, sem grandes reformas entre uma missão e outra. Com isso, a Nasa atualiza um ícone da era Apollo e o adapta às demandas de programas de longa duração, como o Artemis.
Hidrogênio e potência: o desafio de abastecer o maior foguete da história
Outro pilar da preparação para Artemis II é o novo tanque esférico de hidrogênio líquido instalado no complexo de lançamento, considerado o maior do mundo em sua categoria.
Com capacidade para armazenar cerca de 1,2 milhão de galões de hidrogênio líquido, o reservatório garante o suprimento contínuo de combustível criogênico para o SLS, apontado pela agência como o foguete mais potente já desenvolvido para voos tripulados desde o Saturn V.
O volume extra de propelente tem impacto direto no cronograma de operações. A presença do megatanque permite que a Nasa faça novas tentativas de lançamento em intervalos de aproximadamente 24 horas, ampliando a flexibilidade para lidar com condições meteorológicas desfavoráveis ou ajustes técnicos de última hora.
Com o Crawler-Transporter 2 reforçado, a Plataforma 39B redesenhada e o gigantesco tanque de hidrogênio em operação, a infraestrutura de solo norte-americana volta a operar na escala exigida para missões humanas além da órbita baixa da Terra.
Artemis II marca, assim, não apenas o retorno de astronautas ao entorno da Lua, mas também a volta de máquinas colossais ao centro do esforço de exploração.
Orion: vivendo em um espaço de duas minivans
Durante a missão, os astronautas vão viver e trabalhar confinados no módulo de tripulação da cápsula Orion, um espaço com volume equivalente ao interior de duas minivans. O voo, em fase de preparação para o lançamento, servirá como teste para as tecnologias que devem sustentar futuras estadias prolongadas no espaço profundo.
Dentro da Orion, o espaço habitável é surpreendentemente pequeno: cerca de 330 pés cúbicos de volume interno, o equivalente aproximado ao interior de duas minivans. É ali que os quatro astronautas vão passar dias inteiros monitorando sistemas, realizando experimentos e registrando a viagem.
O ambiente foi desenhado para aproveitar cada centímetro. Na hora de dormir, eles usarão sacos de dormir leves, fixados em pontos de ancoragem nas paredes ou no teto da cápsula.
Suspensos, esses sacos funcionam como quatro redes esticadas pela cabine, evitando que os corpos flutuem desordenadamente.
A rotina prevê cerca de oito horas de sono, com todos descansando ao mesmo tempo para sincronizar o relógio de bordo. Em compensação ao aperto, a vista pela escotilha será única: em determinado momento da viagem, a Lua aparecerá tão próxima que, à distância de um braço esticado, parecerá ter o tamanho de uma bola de basquete, com a Terra se afastando ao fundo.

