Ciência e Tecnologia

Astrônomos identificam possível planeta superfrio a 146 anos-luz

Batizado de HD 137010 b, o candidato a planeta orbita uma estrela semelhante ao Sol, mas pode ser mais frio que Marte

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 21:14 • Atualizado em 29/01/2026 • 21:14

Cientistas continuam a minerar dados colhidos pelo telescópio espacial Kepler, da NASA — aposentado em 2018 — e as surpresas não param de surgir. Um novo estudo revelou a existência de um possível planeta rochoso, ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela parecida com o Sol a cerca de 146 anos-luz de distância. Embora compartilhe semelhanças com o nosso mundo, o HD 137010 b apresenta uma diferença gelada: ele pode ser mais frio que o desértico e congelado Marte.

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O planeta, que ainda é listado como um "candidato" aguardando confirmação definitiva, possui um período orbital de aproximadamente um ano, muito próximo ao da Terra. Ele está localizado no limite externo da chamada "zona habitável" de sua estrela — a distância ideal que permitiria a existência de água líquida na superfície, desde que haja uma atmosfera adequada.

O que torna essa descoberta especial é o fato de o HD 137010 b ser, potencialmente, o primeiro exoplaneta com propriedades terrestres que cruza a face de uma estrela brilhante o suficiente para permitir observações detalhadas de acompanhamento.

O desafio do frio extremo

Apesar das semelhanças, os dados trazem um alerta: o planeta recebe menos de um terço do calor e da luz que a Terra recebe do Sol. Isso ocorre porque a estrela HD 137010, embora do mesmo tipo estelar que a nossa, é mais fria e menos brilhante.

Temperatura estimada: Cerca de -68°C.

Comparativo: Em Marte, a temperatura média na superfície é de aproximadamente -65°C.

Como o planeta foi detectado?

A descoberta ocorreu através de um único "trânsito" — quando o planeta passa na frente de sua estrela, causando um mini eclipse. Esse evento foi capturado durante a missão K2 do telescópio Kepler. Para estimar o período orbital com apenas uma detecção, os pesquisadores mediram o tempo que a sombra do planeta levou para cruzar a estrela: 10 horas (na Terra, esse processo leva cerca de 13 horas).

Existe chance de vida?

Nem tudo é gelo. Segundo os autores do estudo, publicado no The Astrophysical Journal Letters em 27 de janeiro de 2026, o HD 137010 b ainda pode ser um mundo temperado ou até oceânico. Para isso, ele precisaria ter uma atmosfera muito mais rica em dióxido de carbono que a nossa, criando um efeito estufa que preservaria o calor.

Os modelos matemáticos indicam:

  • 40% de chance de estar na zona habitável "conservadora".
  • 51% de chance de estar na zona habitável "otimista".
  • 50% de chance de estar, na verdade, totalmente fora da zona habitável.

A confirmação definitiva deve vir nos próximos anos através de observações dos telescópios TESS (NASA) ou CHEOPS (Agência Espacial Europeia).

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