Ciência e Tecnologia

Especialista detalha desafios que adiam retorno à Lua: “Foi preciso reaprender tudo”

A complexa resposta para essa longa espera, segundo o jornalista científico Salvador Nogueira, foi moldado por decisões financeiras e tecnológicas cruciais

Lucas Vilela
LUCAS VILELA

15/11/2025 • 01:30 • Atualizado em 15/11/2025 • 01:30

Lua

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NASA

A notícia de que a Nasa pode antecipar a missão Artemis 2 para fevereiro de 2026, que levará astronautas a orbitar a Lua pela primeira vez neste século, marca um ponto de virada. No entanto, ela também ilumina o longo hiato de mais de 50 anos desde a última vez que a humanidade deixou suas pegadas em solo lunar.

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A complexa resposta para essa longa espera, segundo o jornalista científico Salvador Nogueira, foi moldado por decisões financeiras, tecnológicas cruciais e pode ser resumida em uma frase impactante: foi preciso, literalmente, "reprojetar e reaprender tudo".

O Desmonte da Conquista: Custos Proibitivos e o Conhecimento Perdido

Dois fatores principais explicam por que o programa lunar foi interrompido e por que a retomada foi tão demorada. O primeiro, como detalha Nogueira, foi financeiro. "No auge do programa Apollo, a Nasa consumia mais de 5% do orçamento do governo americano. Desde o fim do programa, se estabilizou em menos de 0,5%", afirma. Com o fim da Corrida Espacial contra a União Soviética, o apoio político e financeiro para missões tão caras desapareceu.

O segundo fator foi a perda do conhecimento prático. Com o fim do programa Apollo, os Estados Unidos mudaram seu foco para os ônibus espaciais. "Os foguetes e cápsulas pararam de ser fabricados", ressalta Nogueira. Com o passar das décadas, a geração de engenheiros e técnicos que levou o homem à Lua se aposentou. "Todos os que trabalharam no programa Apollo [...] não estavam mais aqui. Isso exigiria reprojetar e reaprender tudo", completa. Esse é o desafio que a Nasa enfrenta desde 2003, mas com um orçamento muito mais enxuto, os prazos inevitavelmente se alongaram.

A Retomada e o Papel da Iniciativa Privada

A tentativa de retorno, iniciada em 2004, tem sido um processo lento, especialmente quando comparado à agilidade da era Apollo. "Se nos anos 1960, com um cheque em branco, conseguiram ir à Lua em menos de uma década, agora [...] já são praticamente duas décadas, e ainda não estamos lá", compara Nogueira.

Contudo, o cenário atual conta com um elemento transformador: a iniciativa privada. Empresas como a SpaceX, de Elon Musk, trouxeram "inovação e soluções mais baratas", tornando-se peças-chave no quebra-cabeça. A SpaceX, originalmente focada em Marte, foi contratada pela Nasa para ajudar no retorno à Lua com seu veículo Starship, evidenciando uma nova era de colaboração.

A Nova Corrida: Geopolítica e Recursos Naturais

Além disso, as motivações mudaram. A disputa não é mais apenas ideológica. A ascensão da China como potência espacial criou uma nova corrida, e desta vez, os objetivos são mais pragmáticos. "O que realmente está motivando essa segunda corrida espacial são os recursos naturais", afirma Nogueira.

A Lua e Marte são vistos como fontes de recursos para sustentar colônias e como pontos estratégicos. Nesse novo contexto, a ciência, embora importante, "virá a reboque desse movimento que tem muito mais a ver com supremacia geopolítica e domínio do ambiente espacial do que propriamente novas descobertas”, finaliza Nogueira.

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