Economia

87% das empresas dizem ter automação, mas ainda demoram para processar NFs

Levantamento mostra que maioria das companhias ainda depende de tarefas manuais e enfrenta dificuldades para se adaptar à Reforma Tributária

Da redação
DA REDAÇÃO

15/04/2026 • 12:07 • Atualizado em 15/04/2026 • 12:07

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Resumo

Estudo realizado pela V360 com 355 profissionais mostra que, apesar do avanço tecnológico, empresas brasileiras ainda enfrentam lentidão e falhas operacionais no processamento de notas fiscais, com 62,2% delas levando mais de 20 dias para registrar documentos e forte dependência de intervenção humana mesmo em processos considerados automatizados.

Diferença entre automação percebida e real é evidenciada pelo fato de que apenas 49% das empresas conseguem registrar notas fiscais automaticamente, enquanto 61% apenas capturam os documentos, resultando em validações incompletas, pagamentos indevidos e acúmulo de erros, principalmente devido à conferência manual predominante em 52% dos casos.

Cenário de baixa automação tende a se agravar com a chegada da Reforma Tributária, exigindo atualização de sistemas, adaptação a novas regras e processos internos mais eficientes, sendo que empresas que não avançarem na automação fiscal enfrentarão maiores dificuldades para cumprir obrigações e manter competitividade nos próximos anos.

Mesmo com o avanço da tecnologia nas áreas fiscais, empresas brasileiras ainda enfrentam lentidão e falhas operacionais no processamento de notas fiscais. É o que mostra o estudo “Panorama de Maturidade do Recebimento Fiscal 2026”, realizado pela V360.

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A pesquisa ouviu 355 profissionais de empresas de médio e grande porte — a maioria com alto volume de operações — e revela um cenário de contraste: embora 87% das companhias afirmem ter automação fiscal avançada, na prática os processos ainda são lentos e parcialmente manuais.

Demora no sistema ainda é regra

Um dos dados que mais chamam atenção é o tempo para registrar notas fiscais no sistema interno das empresas, conhecido como ERP (software que integra as informações do negócio).

Segundo o estudo, 62,2% das empresas levam mais de 20 dias para registrar uma nota após sua emissão. Em 22,3% dos casos, o prazo ultrapassa 30 dias.

Na prática, isso significa que uma nota emitida hoje pode demorar até um mês para ser oficialmente processada dentro da empresa — um atraso que pode impactar pagamentos, controle financeiro e cumprimento de obrigações fiscais.

“Automação” nem sempre é completa

O levantamento aponta que existe uma diferença importante entre o que as empresas consideram automação e o que realmente acontece no dia a dia.

Por exemplo:

  • 61% das empresas conseguem capturar automaticamente as notas fiscais;
  • mas apenas 49% conseguem registrá-las automaticamente no sistema, sem intervenção humana.

Ou seja, mesmo com tecnologia disponível, boa parte do trabalho ainda depende de pessoas para conferir dados, corrigir erros e finalizar o processo.

Segundo o CEO da V360, Izaias Miguel, isso caracteriza o que o estudo chama de “falsa automação”.

“Muitas empresas acreditam que possuem operações automatizadas apenas porque utilizam ferramentas digitais. Na prática, ainda há forte dependência de intervenção humana”, afirma.

Falhas na conferência aumentam riscos

Outro ponto crítico está na validação das notas fiscais — etapa em que a empresa confere se os dados estão corretos antes de efetuar pagamentos.

A pesquisa mostra que:

  • apenas 48% fazem uma validação completa (itens, valores e quantidades);
  • 44% realizam checagens parciais;
  • 8% ainda operam de forma totalmente manual.

Esse cenário pode gerar problemas como pagamentos indevidos, erros contábeis e dificuldades no controle interno.

Para Mateus Yamaoka, o tempo de processamento é um dos principais indicadores de eficiência.

“Quando o ciclo leva semanas, geralmente há acúmulo de erros, validações incompletas e processos manuais”, explica.

Reforma Tributária deve aumentar a pressão

As falhas operacionais tendem a ganhar ainda mais peso com a chegada da Reforma Tributária. As empresas terão que lidar com novas regras e tributos, como IBS e CBS, além de adaptar sistemas e processos.

Entre os principais desafios apontados estão:

  • atualizar ERPs para operar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo;
  • lidar com regras ainda em definição;
  • adaptar processos internos e fluxo de caixa;
  • gerenciar novos modelos, como o split payment.

Na prática, o maior risco não está apenas em entender a nova legislação, mas em conseguir aplicá-la dentro de estruturas complexas e ainda pouco automatizadas.

Automação passa a ser estratégica

Diante desse cenário, a automação fiscal deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a ter papel estratégico.

Empresas com processos mais eficientes conseguem:

  • reduzir erros e retrabalho;
  • acelerar pagamentos;
  • liberar equipes para análises mais estratégicas;
  • se adaptar com mais facilidade às mudanças tributárias.

Segundo o estudo, a tendência é que empresas que não avancem na automação enfrentem ainda mais dificuldades nos próximos anos, especialmente durante o período de transição da nova estrutura tributária.

O que faz a V360

A V360 é uma empresa que desenvolve sistemas para automatizar o pagamento de fornecedores e o processamento de notas fiscais.

Na prática, a plataforma:

  • coleta automaticamente documentos fiscais;
  • confere se estão corretos;
  • integra com sistemas financeiros;
  • agiliza e torna mais seguro o pagamento.

A proposta é reduzir tarefas manuais, evitar erros e tornar as operações fiscais mais rápidas e eficientes — justamente os pontos que ainda representam desafio para grande parte das empresas no Brasil.