Economia

Compras por impulso: por que a gente gasta mesmo sem precisar de nada?

Atalhos mentais e truques de venda empurram gastos extras; veja como se 'proteger' e ganhar tempo antes de decidir pela compra

Da redação
DA REDAÇÃO

12/02/2026 • 12:09 • Atualizado em 12/02/2026 • 12:09

Compras por impulso: por que a gente gasta mesmo sem precisar de nada?

Compras por impulso: por que a gente gasta mesmo sem precisar de nada?

Divulgação / Banco de Imagens

Em material educativo disponível no portal gov.br, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) explica por que tantas pessoas gastam mesmo quando não precisam de nada. O material ainda apresenta orientações para reconhecer as compras por impulso e se proteger das armadilhas mentais e de marketing.

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As orientações fazem parte da publicação de educação financeira 'TOP Planejamento Financeiro Pessoal', da CVM, que usa conceitos de finanças comportamentais para mostrar como emoções, atalhos mentais e o ambiente de consumo interferem nas decisões do dia a dia.

Segundo o material, o cérebro busca economizar energia ao decidir e, por isso, recorre a heurísticas, espécies de atalhos mentais que funcionam como regras práticas.

Eles ajudam a responder rápido, mas também abrem espaço para erros sistemáticos de julgamento, os chamados vieses cognitivos.

Atalhos mentais que bagunçam o bolso

Na visão da CVM, esses vieses explicam por que muitas pessoas compram sem necessidade ou se arrependem logo depois. A mente concentra atenção no desejo imediato e ignora informações importantes, como o impacto da despesa no orçamento ou a existência de opções mais baratas.

Um dos principais exemplos é o viés do presente, tendência de valorizar demais a satisfação agora e minimizar o desconforto futuro.

Isso favorece decisões como parcelar no cartão de crédito para ter o produto na hora, empurrando a dor do pagamento para frente.

Como o marketing entra no jogo

O material ressalta que o marketing profissional se apoia justamente nesses pontos cegos para estimular o consumo. Marcas e lojas desenham campanhas e promoções para acionar, de forma estratégica, os atalhos mentais do consumidor.

  • "Efeito halo": Atrelado a celebridades, embalagens chamativas ou lojas sofisticadas, o produto ganha uma aura positiva. O consumidor supõe que a qualidade justifica o valor, sem comparar com alternativas.
  • Comportamento de manada: Quando algo está na moda ou aparece como esgotando rápido, muitas pessoas concluem que é a melhor escolha. Isso incentiva a pagar mais caro apenas para seguir o grupo.
  • Viés do ponto cego: As pessoas costumam achar que são menos influenciáveis que os outros. Empresas exploram isso com opções pré-marcadas, cadastros automáticos e renovações de serviços que o cliente esquece de revisar.

A publicação lembra ainda que fatores simples, como ir ao supermercado com fome ou cansado, aumentam a chance de comprar por impulso, justamente porque o cérebro recorre ainda mais aos atalhos mentais.

Dicas práticas para segurar o impulso

Para ajudar a driblar esses mecanismos, a CVM sugere criar barreiras racionais e regras pessoais que obriguem a mente a desacelerar antes de passar o cartão.

  1. Desconfie do amor à primeira vista: antes de se empolgar, olhe além da marca ou do influenciador. Avalie características, preço por uso e compare com produtos equivalentes de menor apelo publicitário.
  2. Crie regras para decidir: defina uma regra de espera para compras não planejadas, como 24 ou 48 horas. Use listas no supermercado e calculadoras para verificar se a despesa cabe no orçamento.
  3. Cuidado com a inércia: em compras online, desmarque itens e seguros adicionados automaticamente. Crie alertas para revisar assinaturas e cancelar o que não usa.
  4. Dificulte o acesso ao crédito: reduza o limite do cartão ou acompanhe a fatura semanalmente. Ver o total crescer em tempo real ajuda a frear o impulso de parcelar.
  5. Questione a promoção imperdível: diante de uma oferta relâmpago, pergunte se compraria o item pelo preço cheio e se realmente precisa dele agora. Se a resposta for não, a promoção funciona apenas como gatilho de consumo.

Ao identificar os gatilhos que disparam o impulso e adotar regras simples, o consumidor ganha tempo para pensar. Na avaliação da CVM, esse intervalo é decisivo para reduzir o risco de endividamento e alinhar o uso do cartão de crédito aos objetivos financeiros de longo prazo.