
Compras por impulso: por que a gente gasta mesmo sem precisar de nada?
Divulgação / Banco de Imagens
Em material educativo disponível no portal gov.br, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) explica por que tantas pessoas gastam mesmo quando não precisam de nada. O material ainda apresenta orientações para reconhecer as compras por impulso e se proteger das armadilhas mentais e de marketing.
As orientações fazem parte da publicação de educação financeira 'TOP Planejamento Financeiro Pessoal', da CVM, que usa conceitos de finanças comportamentais para mostrar como emoções, atalhos mentais e o ambiente de consumo interferem nas decisões do dia a dia.
Segundo o material, o cérebro busca economizar energia ao decidir e, por isso, recorre a heurísticas, espécies de atalhos mentais que funcionam como regras práticas.
Eles ajudam a responder rápido, mas também abrem espaço para erros sistemáticos de julgamento, os chamados vieses cognitivos.
Atalhos mentais que bagunçam o bolso
Na visão da CVM, esses vieses explicam por que muitas pessoas compram sem necessidade ou se arrependem logo depois. A mente concentra atenção no desejo imediato e ignora informações importantes, como o impacto da despesa no orçamento ou a existência de opções mais baratas.
Um dos principais exemplos é o viés do presente, tendência de valorizar demais a satisfação agora e minimizar o desconforto futuro.
Isso favorece decisões como parcelar no cartão de crédito para ter o produto na hora, empurrando a dor do pagamento para frente.
Como o marketing entra no jogo
O material ressalta que o marketing profissional se apoia justamente nesses pontos cegos para estimular o consumo. Marcas e lojas desenham campanhas e promoções para acionar, de forma estratégica, os atalhos mentais do consumidor.
- "Efeito halo": Atrelado a celebridades, embalagens chamativas ou lojas sofisticadas, o produto ganha uma aura positiva. O consumidor supõe que a qualidade justifica o valor, sem comparar com alternativas.
- Comportamento de manada: Quando algo está na moda ou aparece como esgotando rápido, muitas pessoas concluem que é a melhor escolha. Isso incentiva a pagar mais caro apenas para seguir o grupo.
- Viés do ponto cego: As pessoas costumam achar que são menos influenciáveis que os outros. Empresas exploram isso com opções pré-marcadas, cadastros automáticos e renovações de serviços que o cliente esquece de revisar.
A publicação lembra ainda que fatores simples, como ir ao supermercado com fome ou cansado, aumentam a chance de comprar por impulso, justamente porque o cérebro recorre ainda mais aos atalhos mentais.
Dicas práticas para segurar o impulso
Para ajudar a driblar esses mecanismos, a CVM sugere criar barreiras racionais e regras pessoais que obriguem a mente a desacelerar antes de passar o cartão.
- Desconfie do amor à primeira vista: antes de se empolgar, olhe além da marca ou do influenciador. Avalie características, preço por uso e compare com produtos equivalentes de menor apelo publicitário.
- Crie regras para decidir: defina uma regra de espera para compras não planejadas, como 24 ou 48 horas. Use listas no supermercado e calculadoras para verificar se a despesa cabe no orçamento.
- Cuidado com a inércia: em compras online, desmarque itens e seguros adicionados automaticamente. Crie alertas para revisar assinaturas e cancelar o que não usa.
- Dificulte o acesso ao crédito: reduza o limite do cartão ou acompanhe a fatura semanalmente. Ver o total crescer em tempo real ajuda a frear o impulso de parcelar.
- Questione a promoção imperdível: diante de uma oferta relâmpago, pergunte se compraria o item pelo preço cheio e se realmente precisa dele agora. Se a resposta for não, a promoção funciona apenas como gatilho de consumo.
Ao identificar os gatilhos que disparam o impulso e adotar regras simples, o consumidor ganha tempo para pensar. Na avaliação da CVM, esse intervalo é decisivo para reduzir o risco de endividamento e alinhar o uso do cartão de crédito aos objetivos financeiros de longo prazo.
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