Economia

Copa do Mundo altera hábitos e redesenha consumo no varejo brasileiro

Partidas no inverno e no horário noturno impulsionam vendas no dia dos jogos, com destaque para o crescimento de petiscos, bebidas e eletrônicos

Da redação
DA REDAÇÃO

23/06/2026 • 14:15 • Atualizado em 23/06/2026 • 14:15

Copa do Mundo ajuda a impulsionar o comércio

Copa do Mundo ajuda a impulsionar o comércio

Fernando Frazão/Agência Brasil

O primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, realizado no dia 13 de junho, provoca uma mudança expressiva no comportamento de compra dos consumidores e impacta diretamente as prateleiras do varejo nacional. Diferente da edição de 2022, disputada no verão e com partidas diurnas, o torneio atual ocorre durante o inverno e conta com exibições em horário noturno.

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Essa combinação altera a rotina do torcedor, que passa a concentrar as compras de abastecimento no próprio dia do evento, resultando em um incremento de 11,4% no volume de vendas nos supermercados em comparação a dias normais de maio e junho.

A véspera da partida, que coincidiu com o Dia dos Namorados em 12 de junho, registra uma alta modesta de 1,3%.

De acordo com os dados consolidados pela empresa de inteligência Scanntech, o fato de o jogo de estreia ter ocorrido em um sábado à noite permitiu que o consumidor utilizasse o dia inteiro para se preparar, revertendo o padrão de planejamento antecipado visto na Copa do Catar.

Petiscos e refeições caseiras lideram a intenção de compra

Com a transformação das salas de estar nos principais pontos de encontro para acompanhar a partida, a busca por alimentos de consumo rápido e prático lidera as altas no setor de mercearia. O amendoim desponta como o principal destaque da categoria, apresentando um crescimento de 77,9% em volume no dia do jogo.

O segmento de pipocas também exibe forte expansão, com o milho para pipoca subindo 54,4% e a versão pronta registrando alta de 48,4%. Outros itens como snacks e mix de nuts avançam 22% e 19,9%, respectivamente.

A preferência por estender a permanência em casa reflete-se ainda no aumento de alimentos congelados e pratos mais robustos. O volume de salgados congelados comercializados cresce 34,5%, acompanhado pela batata congelada, com 31,5%, e pelas sobremesas para preparar, que têm evolução de 27,3%.

Adaptações no tradicional churrasco e mercado de bebidas

O hábito de realizar churrascos permanece ativo, mas ganha contornos específicos na Copa de 2026. O pão de alho consolida-se como o segundo maior crescimento entre os produtos perecíveis, com uma elevação de 73,8% nas vendas.

A procura por churrasqueiras e acessórios sobe 44,9%, enquanto os acendedores registram incremento de 23,1%. Nas proteínas, as carnes in natura em geral apresentam avanço discreto de 2,5% e a carne suína cresce 1,7%, evidenciando que o foco do torcedor se concentra nos acompanhamentos e em embutidos, como a linguiça, que sobe 7,9%.

No setor de bebidas, a cerveja mantém a regularidade histórica do período de Copa do Mundo e cresce 18% em volume. Contudo, o período noturno abre espaço para outras categorias: o licor lidera o crescimento dos alcoólicos com alta de 57,9%, seguido pelas misturas alcoólicas prontas, com 39,4%. O consumo de gelo acompanha a demanda e sobe 31,5%, enquanto os energéticos registram alta de 20,5%. Os refrigerantes fecham a lista de bebidas com alta de 6,9%.

Houve uma dinâmica distinta para vinhos e espumantes, cujas vendas cresceram 61,9% e 128,2% no dia anterior ao jogo, impulsionadas prioritariamente pelas comemorações do Dia dos Namorados.

Estrutura tecnológica e nicho de saudabilidade

A preparação para a Copa do Mundo de 2026 também movimenta o comércio de bens duráveis para o lar. No próprio dia da estreia da seleção, a busca por dispositivos eletrônicos avança 162,3%. Na mesma linha, os aparelhos voltados para a transmissão de áudio e vídeo registram crescimento de 153,1% no volume de vendas, impulsionados pela modernização dos ambientes domésticos para assistir aos jogos.

Mesmo com o apelo voltado às comemorações e alimentos calóricos, o nicho de produtos saudáveis mantém espaço no carrinho dos consumidores. Os suplementos voltados para atividades físicas registram evolução de 15,3% no dia do jogo, ao mesmo tempo em que os petiscos saudáveis avançam 14,7%.

Os indicadores macroeconômicos do início do torneio mostram que o varejo brasileiro lida com um consumidor flexível e capaz de moldar suas decisões de compra às condições climáticas e aos horários do calendário esportivo.

*Com informações da Agência Brasil