Economia

Copom: como a decisão do Banco Central sobre a Selic mexe com o seu bolso

Taxa básica de juros influencia desde o rendimento da poupança até o custo do cartão de crédito; entenda

Da redação
DA REDAÇÃO

20/01/2026 • 12:41 • Atualizado em 20/01/2026 • 12:41

Selic alta influencia nos juros do cheque especial e cartão de crédito

Selic alta influencia nos juros do cheque especial e cartão de crédito

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A cada 45 dias, o mercado financeiro e os brasileiros voltam os olhos para Brasília (DF). É quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define o futuro da Taxa Selic. Mais do que um número percentual, a Selic é a principal ferramenta da nossa economia, influenciando diretamente o consumo, o crédito e o valor do dinheiro no tempo.

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O próximo anúncio da Selic acontecerá no dia 28 de janeiro.

O que é a Taxa Selic?

A sigla Selic refere-se ao Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Na prática, ela é a taxa básica de juros do Brasil. Serve como referência para todas as outras taxas do mercado: empréstimos, financiamentos e a rentabilidade de investimentos em renda fixa.

Ela representa o custo do dinheiro. Quando os bancos emprestam recursos entre si no curto prazo, utilizam títulos públicos como garantia, e a taxa dessa operação é o que baliza a economia nacional.

Por que a taxa sobe e desce?

O Banco Central utiliza a Selic como um "freio" ou "acelerador". O objetivo principal é o controle da inflação.

Quando a Selic sobe: O crédito fica mais caro, as pessoas consomem menos e a economia esfria, o que ajuda a segurar a alta dos preços.

Quando a Selic cai: O crédito fica barato, o consumo é estimulado e a economia tende a crescer.

"O Banco Central tem como principal instrumento a taxa de juros. O canal de transmissão impactado é o crédito", explica Matheus Dias, economista do FGV Ibre. Segundo ele, juros altos fazem empresas reavaliarem investimentos, o que causa uma desaceleração natural da atividade econômica.

O impacto no bolso: Devedores vs. Poupadores

Carlos Castro, planejador financeiro e CEO da SuperRico, destaca que a Selic afeta os brasileiros de duas formas opostas:

Para quem tem dívidas: O custo do cheque especial e do cartão de crédito — já elevados — sobe ainda mais. "Na medida que a Selic sobe, o crédito fica mais caro, impactando as linhas mais utilizadas pelos brasileiros", alerta Castro.

Para quem investe: O cenário de juros altos favorece o poupador. Aplicações como o Tesouro Selic (LFT) e Fundos DI passam a render mais, tornando a renda fixa muito atrativa e conservadora.

Dica de ouro: Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, sugere que em momentos de juros elevados, o consumidor deve usar rendas extras (como o 13º salário) para quitar dívidas e evitar ao máximo o rotativo do cartão.

Selic e a Meta de Inflação

O Copom não define a taxa aleatoriamente. Ele persegue uma meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, o centro da meta é de 3,0%, com teto de 4,5%.

"O aumento é uma política de contração para esfriar a economia. A expectativa é que os preços convirjam para o centro da meta", avalia Castro. Se a inflação está alta, o BC sobe os juros para trazê-la de volta ao trilho.

Como funciona o Copom?

O Comitê é formado pelo presidente e diretores do Banco Central. As reuniões duram dois dias:

1º Dia: Análise do cenário econômico global e doméstico.

2º Dia: Tomada de decisão sobre o ajuste (alta, queda ou manutenção) da Selic.

Cenário Atual e Expectativas

Após um período de quedas, o cenário mudou. Em setembro de 2024, o Copom elevou a Selic para 10,75% ao ano, reagindo à alta do dólar e incertezas inflacionárias.

De acordo com o Boletim Focus, a tendência para o fechamento de 2024 é de 11,75%. Com o próximo encontro marcado para dezembro, o planejamento financeiro rigoroso segue sendo a melhor ferramenta para o consumidor brasileiro.

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