
Selic alta influencia nos juros do cheque especial e cartão de crédito
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A cada 45 dias, o mercado financeiro e os brasileiros voltam os olhos para Brasília (DF). É quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define o futuro da Taxa Selic. Mais do que um número percentual, a Selic é a principal ferramenta da nossa economia, influenciando diretamente o consumo, o crédito e o valor do dinheiro no tempo.
O próximo anúncio da Selic acontecerá no dia 28 de janeiro.
O que é a Taxa Selic?
A sigla Selic refere-se ao Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Na prática, ela é a taxa básica de juros do Brasil. Serve como referência para todas as outras taxas do mercado: empréstimos, financiamentos e a rentabilidade de investimentos em renda fixa.
Ela representa o custo do dinheiro. Quando os bancos emprestam recursos entre si no curto prazo, utilizam títulos públicos como garantia, e a taxa dessa operação é o que baliza a economia nacional.
Por que a taxa sobe e desce?
O Banco Central utiliza a Selic como um "freio" ou "acelerador". O objetivo principal é o controle da inflação.
Quando a Selic sobe: O crédito fica mais caro, as pessoas consomem menos e a economia esfria, o que ajuda a segurar a alta dos preços.
Quando a Selic cai: O crédito fica barato, o consumo é estimulado e a economia tende a crescer.
"O Banco Central tem como principal instrumento a taxa de juros. O canal de transmissão impactado é o crédito", explica Matheus Dias, economista do FGV Ibre. Segundo ele, juros altos fazem empresas reavaliarem investimentos, o que causa uma desaceleração natural da atividade econômica.
O impacto no bolso: Devedores vs. Poupadores
Carlos Castro, planejador financeiro e CEO da SuperRico, destaca que a Selic afeta os brasileiros de duas formas opostas:
Para quem tem dívidas: O custo do cheque especial e do cartão de crédito — já elevados — sobe ainda mais. "Na medida que a Selic sobe, o crédito fica mais caro, impactando as linhas mais utilizadas pelos brasileiros", alerta Castro.
Para quem investe: O cenário de juros altos favorece o poupador. Aplicações como o Tesouro Selic (LFT) e Fundos DI passam a render mais, tornando a renda fixa muito atrativa e conservadora.
Dica de ouro: Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, sugere que em momentos de juros elevados, o consumidor deve usar rendas extras (como o 13º salário) para quitar dívidas e evitar ao máximo o rotativo do cartão.
Selic e a Meta de Inflação
O Copom não define a taxa aleatoriamente. Ele persegue uma meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, o centro da meta é de 3,0%, com teto de 4,5%.
"O aumento é uma política de contração para esfriar a economia. A expectativa é que os preços convirjam para o centro da meta", avalia Castro. Se a inflação está alta, o BC sobe os juros para trazê-la de volta ao trilho.
Como funciona o Copom?
O Comitê é formado pelo presidente e diretores do Banco Central. As reuniões duram dois dias:
1º Dia: Análise do cenário econômico global e doméstico.
2º Dia: Tomada de decisão sobre o ajuste (alta, queda ou manutenção) da Selic.
Cenário Atual e Expectativas
Após um período de quedas, o cenário mudou. Em setembro de 2024, o Copom elevou a Selic para 10,75% ao ano, reagindo à alta do dólar e incertezas inflacionárias.
De acordo com o Boletim Focus, a tendência para o fechamento de 2024 é de 11,75%. Com o próximo encontro marcado para dezembro, o planejamento financeiro rigoroso segue sendo a melhor ferramenta para o consumidor brasileiro.
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