
Dólar supera R$ 5,22
Reprodução/Agência Brasil
O dólar comercial registra forte valorização e ultrapassa a marca de R$ 5,20, estabelecendo o maior patamar de fechamento desde o fim de março. O movimento de alta consolida-se após a moeda encerrar a sessão anterior cotada a R$ 5,18 e atingir a máxima de R$ 5,22 ao longo das negociações. A arrancada da divisa estrangeira no cenário nacional é impulsionada por uma combinação de aversão ao risco no mercado internacional e fatores macroeconômicos internos.
Três engrenagens principais justificam a forte pressão sobre a moeda brasileira: o movimento de realização de lucros nas bolsas americanas, a expectativa de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e o recuo nos preços das commodities de exportação.
Realização de lucros e fuga de capital de emergentes
O primeiro fator de pressão decorre de um efeito dominó disparado pelas grandes empresas de tecnologia e semicondutores (as chamadas Big Techs) em Nova York. Após acumularem altas históricas expressivas, grandes fundos globais iniciam um processo de venda massiva dessas ações para embolsar os ganhos.
A liquidação dos papéis gera instabilidade nos mercados acionários mundiais, provocando uma fuga de capital de países emergentes, como o Brasil.
Em busca de segurança, investidores redirecionam os recursos para os títulos do Tesouro americano (Treasuries), o que reduz a circulação de dólares no mercado doméstico e encarece a moeda.
Pressão dos juros americanos e commodities
Adicionalmente, as projeções para a política monetária dos Estados Unidos ganham novos contornos. O mercado financeiro passa a precificar uma probabilidade próxima a 37% de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) promova um aumento na taxa de juros na reunião de julho, ou opte por manter o indicador congelado em patamares elevados por um período mais extenso.
Esse cenário reduz a atratividade do diferencial de juros brasileiro. Com a taxa Selic fixada em 14,25% ao ano, a vantagem de trazer capital estrangeiro para render no Brasil diminui diante da perspectiva de retornos mais seguros nos EUA.
Por fim, o desempenho do comércio internacional também joga contra o real. O índice global de commodities apresenta recuo nas últimas sessões, puxado pela desvalorização do petróleo e de grãos.
Como o Brasil figura entre os maiores exportadores globais desses produtos, a queda nos preços reduz o volume de divisas que entram no país por meio da balança comercial, limitando a oferta interna de dólares e acentuando a pressão de alta na taxa de câmbio.
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