Economia

Dólar sobe a R$ 5,24 com tensão no Oriente Médio

Moeda americana avança 1,61% após Brent disparar 9,21%; governo zera impostos do diesel e taxa exportação de petróleo para conter preços internos

Da redação
DA REDAÇÃO

12/03/2026 • 18:10 • Atualizado em 12/03/2026 • 18:21

Dólar

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REUTERS/Lee Jae-Won

A escalada das tensões no Oriente Médio provocou uma busca global pela moeda americana nesta quinta-feira (12), impactando diretamente o mercado brasileiro. O dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,61%, cotado a R$ 5,2423, superando a barreira dos R$ 5,20 pela primeira vez na semana. O movimento reflete o aumento da aversão ao risco no exterior, com o real e o peso chileno registrando as maiores perdas entre as divisas emergentes.

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O cenário de instabilidade foi impulsionado por declarações do presidente Donald Trump e do líder iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei. Enquanto Trump priorizou o impedimento de armas nucleares no Irã frente à oscilação do petróleo, Khamenei ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, ponto crucial por onde circula 20% da oferta mundial da commodity. Como resultado, o petróleo tipo Brent para maio disparou 9,21%, atingindo US$ 100,46 o barril, acumulando alta de quase 70% no ano.

Medidas do governo e análise econômica

Para mitigar o impacto da alta internacional nos preços domésticos, o governo federal anunciou a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro na refinaria. Somada a uma subvenção aos produtores, a queda total deve chegar a R$ 0,64 por litro. Para compensar a perda de arrecadação, foi instituído um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto.

Segundo o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, a taxação das exportações altera a dinâmica de proteção que o petróleo exercia sobre o real. Anteriormente, a alta da commodity favorecia a balança comercial brasileira; agora, o novo tributo incentiva o aumento da oferta no mercado interno para compensar o alívio no diesel. Analistas indicam que as medidas são fiscalmente neutras e possuem impacto limitado na inflação, que acelerou para 0,70% em fevereiro, conforme dados do IBGE.

Impacto na taxa Selic

Mesmo com a pressão inflacionária e o choque energético, o mercado mantém a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de redução de juros na próxima semana. De acordo com a análise de Luciano Costa, embora o corte inicial possa ser de 0,50 ponto percentual, a projeção para a taxa Selic ao fim do ciclo foi revisada de 12,25% para 12,50% ao ano.

Com informações do Estadão Conteúdo