
Dólar sobe em dia de expectativas do mercado financeiro
Valter Campanato/Agência Brasil
O cenário financeiro global enfrentou um dia de forte aversão ao risco nesta quarta-feira (29). A combinação de um posicionamento rígido do Federal Reserve (Fed) com a escalada das tensões militares entre Estados Unidos e Irã ditou o ritmo dos negócios, fortalecendo o dólar em escala mundial e elevando os preços das commodities energéticas.
No Brasil, o dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0018. Durante o dia, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 4,9795 e a máxima de R$ 5,0138. O movimento reflete a cautela dos investidores que aguardam, ainda para esta noite, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic.
Irã e o choque no petróleo
O principal catalisador do pessimismo foi o impasse no Oriente Médio. Relatos indicam que a estratégia de Washington envolve a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz até que um novo acordo nuclear seja firmado. A possibilidade de uma ofensiva militar "curta e poderosa" preparada pelo Comando Central dos EUA aumentou o temor de interrupções no fornecimento global de energia.
Como consequência direta, o mercado de commodities reagiu com volatilidade. O petróleo WTI (Junho) registrou alta superior a 5%, cotado a US$ 106,88 e o petróleo Brent (Julho), foi cotado a US$ 110,44 por barril.
Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o mercado vive um estado de "suspense" constante sobre a viabilidade de um acordo diplomático, o que impede qualquer alívio nos prêmios de risco.
Federal Reserve: juros altos por mais tempo
No campo da política monetária, o Federal Reserve manteve a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. Embora a manutenção fosse esperada, o tom adotado no comunicado e na coletiva de Jerome Powell surpreendeu pelo conservadorismo. "Os preços de energia ainda têm de atingir seu pico", afirmou Powell, sinalizando que a inflação permanece como uma ameaça central exacerbada pelo conflito externo.
A ausência de sinalizações sobre cortes de juros ainda em 2026 solidificou a visão de que o banco central americano vê a taxa atual como adequada. Atualmente, as apostas do mercado para o início de uma flexibilização monetária mais robusta estão deslocadas apenas para o final de 2027.

