O mercado financeiro brasileiro encerrou a segunda-feira (13) com um marco simbólico. Pela primeira vez desde março de 2024, o dólar comercial fechou o dia abaixo da barreira psicológica dos R$ 5,00, sendo cotado a R$ 4,99. O recuo de 0,26% marca o quarto dia consecutivo de desvalorização da moeda americana frente ao real.
A queda reflete um movimento global de realocação de capital. Apenas na última semana, o dólar acumulou um recuo de 2,87%, enquanto no consolidado de 2026 a baixa já se aproxima de 9%.
O principal motor para essa desvalorização não é doméstico, mas sim fruto das recentes decisões de política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após o fracasso nas negociações de paz com o Irã no último fim de semana, a Casa Branca determinou o bloqueio do Estreito de Ormuz para navios que circulem de ou para portos iranianos.
A medida elevou drasticamente a incerteza global. "Houve um rearranjo de realocação do capital global que fez com que o dólar sofresse não só contra o real, mas contra diversas outras moedas", explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Por que o dólar cai quando há crise nos EUA?
Tradicionalmente, o dólar é visto como um "porto seguro" em tempos de crise. No entanto, quando a instabilidade parte do próprio governo americano, os investidores buscam ativos em outros mercados para proteger seu patrimônio.
No Brasil, esse movimento é acentuado por dois fatores:
- Oferta e Procura: Com investidores internacionais vendo oportunidades na Bolsa brasileira (Ibovespa) e em títulos públicos, há uma entrada massiva de capital estrangeiro. Para investir aqui, eles vendem dólares e compram reais, aumentando a oferta da moeda americana e pressionando seu preço para baixo.
- Taxa de Juros: O diferencial de juros no Brasil continua atraindo o chamado carry trade, onde investidores buscam a rentabilidade da Selic em comparação com taxas menores em países desenvolvidos.
Cenário para os próximos dias
Apesar do otimismo com a queda da moeda, o mercado segue em alerta. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — pode pressionar o preço das commodities e gerar inflação global, o que pode forçar bancos centrais a manterem os juros altos por mais tempo.
Por ora, o real se consolida como uma das moedas de melhor desempenho no ano, aproveitando o vácuo deixado pela instabilidade política em Washington.
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