Economia

Endividamento sobe a recorde de 80,4% em março; inadimplência estabiliza

Alta é puxada por famílias de maior renda, enquanto impacto dos juros ainda limita alívio no orçamento doméstico

Da redação
DA REDAÇÃO

07/04/2026 • 10:53 • Atualizado em 07/04/2026 • 11:03

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Resumo

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% em março, maior nível da série histórica, com alta puxada principalmente por famílias de maior renda, enquanto a inadimplência permaneceu estável em 29,6% no mês, mas aumentou em relação ao ano anterior.

Os juros elevados, encarecimento de combustíveis e incerteza inflacionária foram apontados pela CNC como fatores que reduzem o poder de compra e levam famílias a recorrerem ao crédito, sendo que o efeito da queda da Selic ainda não é sentido no orçamento doméstico.

O comprometimento médio da renda com dívidas teve leve recuo para 29,6%, a proporção de “muito endividados” caiu marginalmente para 16,0% e houve redução no percentual de famílias que não conseguem quitar dívidas em atraso, especialmente nas faixas de menor renda.

Os brasileiros ampliaram o nível de endividamento entre fevereiro e março, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A parcela de famílias com dívidas passou de 80,2% para 80,4% no período, atingindo o maior patamar da série histórica. Um ano antes, em março de 2025, esse índice era de 77,1%. As informações fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

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A CNC avalia que a tendência de alta deve continuar até que os efeitos do recente ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, sejam percebidos de forma mais concreta pelo consumidor.

Em relatório, a entidade destacou que, além dos juros elevados, a alta nos preços do diesel e de outros combustíveis tem aumentado a incerteza inflacionária. Esse encarecimento logístico impacta o valor final das mercadorias, reduz o poder de compra e leva as famílias a recorrerem ao crédito até para despesas essenciais.

O levantamento considera como dívidas compromissos a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e financiamentos de veículos e imóveis.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o nível atual da Selic segue sendo um entrave tanto para o consumo quanto para os negócios. Segundo ele, embora o processo de queda dos juros já tenha começado, ainda levará alguns meses até que seus efeitos aliviem o orçamento das famílias.

Apesar do avanço do endividamento, houve leve melhora na percepção de sobrecarga: a fatia de consumidores que se dizem “muito endividados” caiu de 16,1% para 16,0%. Já o comprometimento médio da renda com dívidas recuou marginalmente, de 29,7% para 29,6%.

A inadimplência, por sua vez, permaneceu estável em 29,6% em março, mesmo patamar registrado em fevereiro. Na comparação anual, porém, houve aumento, já que em março de 2025 o índice era de 28,6%.

Também diminuiu a proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar dívidas em atraso — indicador que passou de 12,6% para 12,3% no período. Um ano antes, essa fatia era de 12,2%.

O avanço do endividamento foi puxado principalmente pelas famílias de maior renda. Entre aqueles com ganhos de até três salários mínimos, o índice permaneceu em 82,9%. Na faixa de três a cinco salários mínimos, houve leve queda, de 82,9% para 82,6%. Já entre os que recebem de cinco a dez salários mínimos, o percentual subiu de 78,7% para 79,2%, enquanto no grupo acima de dez salários mínimos avançou de 69,3% para 69,9%.

No recorte da inadimplência, houve redução nas faixas de menor renda. Entre famílias que ganham até três salários mínimos, o percentual caiu de 38,9% para 38,2%. Na renda de três a cinco salários mínimos, recuou de 29,1% para 28,7%. Já nas faixas mais altas, houve leve alta entre os que recebem de cinco a dez salários mínimos (de 21,7% para 22,1%) e pequena queda entre os que ganham acima de dez salários mínimos (de 14,8% para 14,7%).

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alertou que uma eventual revisão para cima das expectativas de inflação pode pressionar ainda mais o orçamento das famílias, sobretudo as de menor renda, que tendem a sentir de forma mais intensa os efeitos da alta de preços.

*Com informações do Estadão Conteúdo.